Rinite Atrófica
O que é rinite atrófica?
A rinite atrófica é uma doença crônica e rara caracterizada pela destruição progressiva da mucosa que reveste o interior do nariz e pela atrofia das conchas nasais (cornetos). Como consequência, o nariz perde parte da sua capacidade de aquecer, umidificar e filtrar o ar inspirado, favorecendo o ressecamento da mucosa, a formação de crostas espessas e o acúmulo de secreções.
Essas secreções podem ser colonizadas por bactérias, produzindo um odor intenso e desagradável conhecido como ozena, uma das características mais marcantes da doença. Ainda assim, muitos pacientes deixam de perceber esse odor devido à redução do olfato, enquanto as pessoas ao redor costumam notá-lo facilmente.
Ao contrário do que ocorre na rinite alérgica e na rinite vasomotora, em que a mucosa nasal se encontra inflamada e aumentada de volume, na rinite atrófica ela torna-se progressivamente mais fina, seca e incapaz de desempenhar suas funções normais. Com a perda das conchas nasais, a cavidade do nariz torna-se excessivamente ampla.
Paradoxalmente, apesar desse aumento do espaço interno, muitos pacientes apresentam sensação constante de nariz entupido, causada pela alteração do fluxo de ar, pelo acúmulo de crostas e pela perda da sensibilidade normal da mucosa nasal.
Além do ressecamento e das crostas, são comuns sintomas como sangramentos nasais recorrentes, diminuição do olfato, cefaleia e infecções de repetição. Nos casos mais avançados, a doença pode comprometer significativamente a qualidade de vida, tanto pelos sintomas físicos quanto pelo impacto social causado pelo odor fétido característico.
A rinite atrófica é uma doença incomum, sendo mais frequente em países em desenvolvimento. Sua forma primária acomete principalmente mulheres e costuma surgir durante a adolescência ou no início da vida adulta. Já a rinite atrófica secundária pode ocorrer em qualquer idade, geralmente como consequência de cirurgias nasais extensas, radioterapia ou infecções crônicas.
Qual a causa da Rinite Atrófica?
A rinite atrófica pode ser classificada quanto a causa em primária ou secundária.
Rinite atrófica primária
A rinite atrófica primária é incomum, snedo que sua causa exata ainda não é completamente conhecida.
Diferentes fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença, incluindo predisposição genética, alterações do sistema imunológico, distúrbios da irrigação sanguínea da mucosa nasal e infecções bacterianas crônicas.
Entre as bactérias mais frequentemente associadas está a Klebsiella ozaenae, embora ainda não esteja completamente esclarecido se ela é a causa da doença ou apenas coloniza uma mucosa previamente alterada.
A doença é mais frequente em mulheres e costuma surgir na adolescência ou no início da vida adulta, sendo mais comum em países em desenvolvimento.
Rinite atrófica secundária
A rinite atrófica secundária ocorre quando existe uma causa identificável para a destruição da mucosa nasal.
As principais causas incluem:
- Cirurgias nasais extensas, especialmente quando há retirada excessiva das conchas nasais (síndrome do nariz vazio);
- Radioterapia da região da cabeça e pescoço;
- Traumas nasais importantes;
- Infecções crônicas;;
- Doenças infecciosas específicas, como hanseníase e sífilis (atualmente incomuns);
- Uso prolongado de drogas inaladas, especialmente cocaína.
Diagnóstico
O diagnóstico da rinite atrófica é baseado principalmente na história clínica e no exame físico realizado pelo otorrinolaringologista. Diferentemente de outros tipos de rinite, como a rinite alérgica ou a rinite vasomotora, o diagnóstico costuma ser relativamente evidente devido às alterações características observadas no interior do nariz.
Os exames geralmente não são necessários para diagnosticar a rinite atrófica. Entretanto, quando há suspeita de uma causa secundária, podem ser necessários exames direcionados para investigar doenças específicas, como:
- Cultura das secreções nasais, quando há suspeita de infecção bacteriana;
- Biópsia da mucosa nasal, quando existe suspeita de tumores ou doenças granulomatosas;
- Exames laboratoriais para investigação de vasculites, doenças autoimunes ou infecções específicas, como hanseníase e sífilis.
Esses exames não fazem parte da investigação de rotina, sendo indicados apenas quando a história clínica ou o exame físico sugerem uma causa específica.
Tratamento
O tratamento da rinite atrófica tem como principais objetivos hidratar a mucosa nasal, remover as crostas, reduzir a colonização por bactérias, aliviar o odor desagradável e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Diferentemente da rinite alérgica ou da rinite vasomotora, não existe um tratamento capaz de restaurar completamente a mucosa nasal já atrofiada. Por esse motivo, o tratamento tem como objetivo controlar os sintomas e prevenir complicações.
A escolha do tratamento depende da gravidade da doença, da intensidade dos sintomas e da presença de uma causa identificável. Nos casos de rinite atrófica secundária, é fundamental tratar também a doença responsável pela destruição da mucosa nasal.
Lavagem nasal e remoção das crostas
A lavagem nasal é considerada a base do tratamento da rinite atrófica.
Ela ajuda a umidificar a mucosa, remover secreções espessas, facilitar o desprendimento das crostas e reduzir a quantidade de bactérias presentes na cavidade nasal.
Normalmente são utilizadas soluções salinas em grande volume, podendo ser associadas à remoção cuidadosa das crostas durante as consultas com o otorrinolaringologista ou pelo próprio paciente, quando orientado.
A realização regular dessas lavagens reduz o mau cheiro, melhora a respiração nasal e diminui o risco de sangramentos e infecções secundárias.
Hidratação da mucosa nasal
Como a mucosa nasal produz pouca secreção, muitos pacientes apresentam intenso ressecamento do nariz.
Além das lavagens com solução salina, podem ser utilizados géis, pomadas ou óleos lubrificantes específicos para manter a mucosa hidratada e reduzir a formação de novas crostas.
Embora não revertam a atrofia da mucosa, essas medidas costumam aliviar significativamente os sintomas e melhorar o conforto do paciente.
Antibióticos
Os antibióticos não tratam a rinite atrófica propriamente dita, mas podem ser necessários quando existe infecção bacteriana secundária ou colonização importante por bactérias responsáveis pelo odor característico da doença, especialmente a Klebsiella ozaenae.
Nesses casos, o tratamento pode reduzir temporariamente o mau cheiro, a quantidade de secreções e a formação de crostas.
Entretanto, o uso prolongado ou repetido de antibióticos deve ser cuidadosamente avaliado pelo médico, já que seu benefício tende a desaparecer após a suspensão do tratamento e o uso indiscriminado favorece o desenvolvimento de resistência bacteriana.
Tratamento da causa de base
Nos casos de rinite atrófica secundária, é fundamental tratar a doença responsável pela destruição da mucosa nasal.
Isso pode incluir o tratamento de infecções específicas, doenças inflamatórias, vasculites, complicações da radioterapia ou a suspensão do uso de drogas inaladas, como a cocaína.
Sem o controle da causa de base, os sintomas tendem a persistir ou progredir apesar das demais medidas terapêuticas.
Cirurgia
A cirurgia é reservada para pacientes com sintomas importantes que não melhoram adequadamente com o tratamento clínico.
Ao contrário do que ocorre em outras doenças nasais, o objetivo da cirurgia não é aumentar o espaço dentro do nariz, mas sim reduzir o volume excessivo da cavidade nasal. Isso permite que o ar volte a circular de forma mais fisiológica, reduzindo o ressecamento da mucosa e favorecendo sua umidificação.
Existem diferentes técnicas cirúrgicas para atingir esse objetivo. Algumas utilizam enxertos de cartilagem, osso ou outros materiais para estreitar a cavidade nasal, enquanto outras procuram restaurar parcialmente o volume das conchas nasais.
Embora muitos pacientes apresentem melhora da obstrução nasal, da formação de crostas e do odor, a cirurgia não reverte completamente a atrofia da mucosa. Por esse motivo, a maioria continua necessitando de lavagens nasais e cuidados locais após o procedimento.