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Psicanálise

A Psicanálise, sem dúvidas, é uma das abordagens psicológicas mais conhecidas, assim como a Terapia Cognitivo-comportamental.

Trata-se de uma teoria desenvolvida por Sigmund Freud, que conta com uma série de conceitos complexos, profundos e bastante interessantes, que auxiliam na compreensão da psique humana.

A Psicanálise pode estar presente em diversos contextos nos quais a psicologia atua, como por exemplo, escolas, hospitais, organizações, clínicas, entre outros.

Neste texto, buscamos trazer à luz alguns dos principais conceitos da teoria, uma vez que não seria viável descrever toda a obra de Freud em apenas um texto. Acompanhe e venha conhecer um pouco mais sobre a análise do inconsciente humano!

O que é a Psicanálise?

A Psicanálise pode ser descrita como uma teoria desenvolvida com foco na compreensão da psique humana, que considera conceitos importantes, como a existência do inconsciente, a importância dos sonhos na vida dos indivíduos, as repetições que cometemos em nossa história, e assim por diante.

Trata-se de uma teoria que surgiu no século XIX, por meio dos estudos e análises desenvolvidos pelo próprio Freud – sendo este considerado o pai da Psicanálise.

Durante o acompanhamento de seus pacientes, Freud começou a desenvolver a sua teoria, observando os comportamentos e os discursos das pessoas que chegavam até ele.

Com o passar do tempo, desenvolveu conceitos relacionados à neurose, psicose e melancolia; Complexo de Édipo; interpretação dos sonhos; análise dos chistes; associação livre; entre outros.

Além disso, é na Psicanálise que o uso do divã é feito durante o atendimento. Desse modo, o terapeuta se senta atrás do paciente, sem fazer contato visual. A partir disso, o paciente é convidado a falar livremente, sem censura, para que possa acessar o próprio inconsciente e trazer à tona informações e lembranças reprimidas que possam estar impactando a vida do indivíduo no presente.

À medida que a análise avança, o terapeuta pode fazer questionamentos e interpretações da fala do paciente, auxiliando-o no seu autoconhecimento, desconhecimento e descobertas frente à própria mente e história de vida.

Não existe um número específico de sessões na Psicanálise, como pode ocorrer em alguns tipos de abordagem. Isso porque o foco é voltado à análise profunda da vida do indivíduo, considerando diversas fases de sua vida e de sua história como um todo.

A Psicanálise também valoriza a existência do inconsciente na vida das pessoas, crendo que muitos dos nossos comportamentos podem ser regidos por lembranças que foram “recalcadas”, ou seja, reprimidas em nosso inconsciente.

A Psicanálise busca estudar, ainda, a estruturação psíquica das pessoas, considerando os neuróticos, os psicóticos (que têm um descolamento da realidade) e os perversos (estrutura marcada por comportamentos “desviantes” da norma).

No decorrer dos tópicos abaixo, apresentaremos, brevemente, algumas caracterizações desses conceitos supracitados. Continue lendo.

Alguns aspectos importantes da Psicanálise

Como vimos, a Psicanálise é repleta de conceitos e informações complexos, que podem ser difíceis de serem compreendidos inicialmente. Por isso, selecionamos alguns dos principais conceitos da abordagem para discutirmos brevemente sobre cada um deles e, assim, oferecer a você um conhecimento a mais sobre a temática. Continue lendo!

1. Inconsciente
Sigmund Freud foi o responsável por descrever a existência do inconsciente humano. Nesse inconsciente, estão gravadas situações e impressões importantes de nossas vidas, mas que não podem ser acessadas facilmente pela nossa memória consciente.
Além disso, é no inconsciente que estão os nossos desejos mais “obscuros” e até mesmo “nocivos” da existência humana, como o desejo incestuoso, o canibalismo, entre outros que, sem o estabelecimento de uma sociedade de fato, poderiam vir à tona – como no mundo animal, por exemplo, no qual o incesto existe e os seus pares podem se matar para, simplesmente, alimentar-se.
Obviamente, o inconsciente não possui apenas esse tipo de aspecto “armazenado”. Há muita coisa além.
É o caso de vivências traumáticas e desejos profundos que carregamos dentro de nós.
Entretanto, embora tudo isso possa estar de algum modo reprimido, o inconsciente está sempre em busca de uma descarga, ou seja, está sempre em busca de um caminho para ser suprido, vindo à tona, à consciência.
É o caso dos nossos sonhos que temos enquanto dormimos: eles carregam marcas importantes dos registros que temos em nosso inconsciente e da interação que esses registros têm com a realidade. Os sonhos “descarregam” energia inconsciente, atravessando a repressão (recalque) e vindo à tona.
Além dos sonhos, os atos falhos, que consistem em trocar palavras ou cometer equívocos inesperados, também são um meio de acessar o inconsciente. É o caso de trocar o nome de uma pessoa por outra no meio de uma briga, por exemplo – isso pode denunciar algum fator inconsciente importante sobre esse terceiro que não faz parte da briga.
Outro meio de acessar o inconsciente é por intermédio das brincadeiras espontâneas, os chamados “chistes”. Por exemplo, pense em uma brincadeira que você fez sem pensar exatamente sobre ela e sobre seu efeito e, em seguida, disse “é brincadeira”, para não parecer rude. Bem, há grandes chances de essa brincadeira ter um “fundo de verdade”, pois, como dizia Freud, brincando se diz tudo, inclusive a verdade.
Por fim, há ainda a associação livre, que consiste em dizer o que vem à mente, sem censura. Essa atividade faz com que a nossa mente comece a mergulhar mais e mais dentro de si, levando-nos ao acesso ao inconsciente.
Sendo assim, o inconsciente é um verdadeiro compilado de histórias, desejos, repressões e fatores que, de algum modo, podem reger a maneira como enxergamos a vida e a vivemos a cada dia.

2. Interpretação dos sonhos
Como os sonhos são vistos como manifestações importantes do inconsciente humano, a interpretação dos sonhos foi um dos pilares da construção da Psicanálise.
Freud desenvolveu um estudo profundo sobre o significado que os sonhos podem ter de acordo com cada indivíduo.
Isso significa que cada pessoa terá uma interpretação única daquilo que ela sonha. Ou seja, a interpretação dos sonhos não visava criar um glossário para os sonhos das pessoas, mas, sim, uma visão mais profunda do quanto os sonhos podem trazer à tona fragmentos importantes da história de vida e do inconsciente do sujeito.
Isso quer dizer que você sonhar com uma cobra não terá o mesmo significado que o sonho com cobras de um conhecido seu. Afinal, os sonhos se associam com a história de vida, com os desejos reprimidos e informações inconscientes que são singulares, não repetidas de pessoa a pessoa.

3. Estruturas psíquicas
As estruturas psíquicas dizem respeito à organização da psique do indivíduo, com base nos mecanismos de defesa que se instauram para lidar com “os problemas” da realidade, digamos assim.
Existem três estruturas que foram amplamente discutidas nas construções de Freud. São elas:

  • Psicose: Na psicose, há uma espécie de “descolamento” da realidade. O indivíduo pode ter alucinações, por exemplo, vivenciando algo que escapa do real e do palpável. Seu mecanismo de defesa é chamado de foraclusão.
  • Perversão: A perversão consiste em se estabelecer por meio de um mecanismo de defesa psíquico que nega a Lei, chamado de denegação, demonstrando-se por um perfil que desafia os limites sociais, ou que foca exclusivamente no prazer próprio, independentemente das consequências desse prazer em algumas situações.
  • Neurose: A neurose possui como mecanismo de defesa o recalque, levando para o inconsciente impressões e situações dolorosas, provocadas pela castração, por exemplo, para assim seguir com a própria vida.

Obviamente, essas conceituações são extremamente superficiais, apenas a nível de ilustração para que possamos continuar caminhando em nossos estudos sobre psicanálise.

4. Complexo de Édipo
O Complexo de Édipo é um fenômeno descrito por Freud e caracterizado como um “amor” pelo progenitor do mesmo sexo e sentimentos “hostis” pelo progenitor do sexo oposto.
Aqui, a criança passa a compreender que além da triangulação pai-mãe-filho existe uma relação entre pai-mãe. Desse modo, busca repelir o seu “concorrente”, ou seja, aquele que possui o mesmo sexo que a criança, a fim de “ficar” com o progenitor que a criança ama/deseja: o do sexo oposto.
Possivelmente, por conta desse fenômeno que vemos uma maior proximidade de meninas com os pais, e de meninos com as mães.
Vale ressaltar que, apesar de existir essa “hostilidade”, ainda assim a criança busca ser como o progenitor do mesmo sexo. No caso do menino, ele busca ser como o pai na tentativa de imitá-lo e de ocupar o seu lugar ao lado de sua mãe.

5. Castração
Obviamente, a castração, dentro dos conceitos trazidos pela Psicanálise, não tem relação com o sentido literal da palavra de “castrar” o órgão sexual de uma pessoa. Mas, sim, tem relação com a constituição psíquica do sujeito na infância, que determinará a sua estrutura: psicótica, perversa ou neurótica.
Inclusive, é válido destacar que a experiência da castração é revivida ao longo de nossas vidas, em diversas circunstâncias: quando recebemos um “não” de algo que queremos; quando desejamos algo “para sempre”, mesmo sabendo da impossibilidade da eternidade; quando estamos diante da angústia e da frustração de ter impeditivos em nossas vidas e, simplesmente, termos que segui-la apesar disso; entre outras situações.
O indivíduo enfrenta a castração, pela primeira vez, ainda na infância, reconhecendo os limites do corpo, a Lei da vivência em sociedade e outros fatores extremamente importantes para a constituição de um sujeito inserido na sociedade e na linguagem.
Aqui, ocorre o recalque das pulsões humanas, constituindo o indivíduo como um sujeito social, por meio da ameaça de castração do pênis, no menino, e da “inveja” do pênis na menina. Tanto o menino quanto a menina reconhecem a ausência do pênis na mulher, instaurando a falta em sua própria constituição psíquica – sendo essa falta importantíssima para o desenvolvimento psíquico dos seres humanos.
A complexidade da castração é bastante profunda na teoria psicanalítica, o que exige estudos focados não no sentido literal das palavras (como pênis e castração em si).

6. Id, Ego e Superego
O Id, Ego e Superego também são três pontos relacionados com a constituição psíquica dos sujeitos. Basicamente, eles podem ser caracterizados da seguinte maneira:

  • Id: Consiste no inconsciente do indivíduo, onde as pulsões. Ele é a fonte da energia psíquica, da nossa libido inconsciente.
  • Ego: O ego está em contato com a realidade e também busca trazer à tona os impulsos do nosso id, embora seja barrado pelo superego em algumas situações.
  • Superego: Consiste na parte moral da mente humana e está relacionado com os valores, leis e princípios da sociedade em que vivemos.

7. Associação livre
A associação livre consiste na técnica utilizada por psicanalistas durante o atendimento psicoterapêutico.
Basicamente, o paciente tem a oportunidade de falar tudo o que vem à mente, sem nenhum tipo de censura. Isso quer dizer que a pessoa pode falar sobre o céu e, em seguida, sobre fogo, sem que haja relação entre um tema ou outro.
No momento em que a pessoa começa a divagar nos seus pensamentos, o foco não está no sentido literal e consciente do que é dito. Embora a consciência seja importante durante o tratamento, o ato de se permitir falar sobre tudo e qualquer coisa oferece ao terapeuta e seu paciente a chance de acessar o inconsciente e ressignificar repressões que possam, de algum modo, estar impactando negativamente a vida do indivíduo.
Por isso, há o convite para se falar sobre tudo, sem interromper o fluxo de ideias e permitindo que, pouco a pouco, muita coisa reprimida venha à tona e a pessoa se dê a chance de buscar a cura pela fala.

8. Uso do divã
Na Psicanálise, o uso do divã também é importante. Isso porque, enquanto o paciente está deitado no divã e não tem contato visual com o terapeuta, ele não será influenciado pelas expressões e reações do analista.
Sendo que essas expressões poderiam podar a fala e o comportamento do paciente, impedindo que a associação livre realmente operasse durante o atendimento.
Além disso, o uso do divã pode promover ao paciente a chance de se sentir mais confortável na hora de falar sobre assuntos delicados e que o deixariam constrangido e “travado” caso estivesse frente a frente com o terapeuta.
Dessa maneira, é possível se discutir sobre diferentes assuntos, sem interrupções externas de expressões e trejeitos do terapeuta, e sem haver a vergonha de se olhar nos olhos do profissional.

Benefícios da Psicanálise

Apesar de parecer uma abordagem psicológica bastante complexa, como pudemos ver no decorrer deste conteúdo, a Psicanálise é capaz de promover benefícios interessantes para os pacientes que se propõem a fazer uma análise profunda. Veja quais efeitos podem ser alcançados em determinadas situações:

1. Ressignificação de traumas do passado
A Psicanálise busca trazer à tona diversas vivências do indivíduo ao longo de seu desenvolvimento. Assim sendo, torna-se possível trabalhar na ressignificação de traumas do passado que possam ter impactado o sujeito de algum modo, trazendo novas interpretações e, de certo modo, ajudando o indivíduo a “fazer as pazes” com o próprio passado.
Isso porque a nossa história de vida é capaz de impactar o nosso presente de maneira profunda e, por isso, trazer à consciência esses acontecimentos, analisá-los e questioná-los sobre novas vias pode nos proporcionar visões distintas frente ao futuro.

2. Análise profunda da história de vida
A análise profunda da história de vida é outro ponto relacionado com a Psicanálise. Não há um número mínimo ou máximo de sessões, uma vez que o indivíduo pode associar livremente as suas ideias e ir caminhando entre o seu presente, passado e futuro, com foco em analisar diversas contingências e situações de sua vida.
Muitas descobertas podem ser feitas, assim como o autoconhecimento pode ser atingido devido a essa análise minuciosa de situações que vamos vivendo ao longo de toda a nossa existência, desde a infância.

3. Enfrentamento de conflitos internos e externos
A Psicanálise também permite que o indivíduo fale e interprete os seus conflitos internos e externos (com outras pessoas), buscando novas visões sobre o que ocorre à sua volta e encontrando possíveis respostas para enfrentar as situações difíceis.
Afinal, a vida não é feita apenas de acontecimentos agradáveis e felizes, por isso, é importante desenvolvermos um olhar mais crítico que nos permita enfrentar as situações difíceis com maior equilíbrio emocional e de acordo com um modo que nos permita nos posicionarmos de maneira mais assertiva.

4. Fortalecimento emocional
O fortalecimento emocional é outro ponto que pode ser alcançado com o auxílio da Psicanálise. O indivíduo pode desenvolver o seu autoconhecimento e, desse modo, compreender melhor o que sente, por que sente, quando sente e como é possível lidar com essas sensações e sentimentos.
Logo, diminuem-se os comportamentos compulsivos que podem surgir frente às emoções, promovendo inteligência emocional de maneira ampla e construtiva.

Para quem a Psicanálise é indicada?

A Psicanálise é indicada para indivíduos que buscam por autoconhecimento e desenvolvimento pessoal com o propósito de analisar mais profundamente a sua própria vida e existência.
Sendo assim, indivíduos que tenham problemas de autoestima, questões emocionais, desejo de conhecer mais sobre si mesmo, vontade de melhorar as suas relações intra e interpessoais, entre outras situações, podem se beneficiar da técnica.
Além disso, pessoas que atravessam vivências relacionadas aos diagnósticos de transtornos mentais também podem buscar psicanalistas qualificados para compreender melhor o que sentem e de que modo podem enfrentar os desafios vividos.
Desse modo, não há um público “ideal ou esperado” pela Psicanálise, mas, sim, ela opera naqueles que se engajam no tratamento e buscam analisar-se de maneira profunda.
Se isso faz sentido para você, a psicoterapia com base na Psicanálise pode ser bem interessante.