Search

Onfalite (infecção do coto umbilical)

O que é a onfalite?

A onfalite é uma infecção bacteriana da pele e dos tecidos ao redor do coto umbilical do recém-nascido. Embora seja uma doença pouco frequente, ela é considerada uma emergência neonatal, pois a infecção pode se espalhar rapidamente pela corrente sanguínea e causar complicações graves, como a sepse.

Após o nascimento, o cordão umbilical é clampeado e cortado, permanecendo apenas um pequeno segmento preso ao umbigo do bebê, chamado de coto umbilical. Nos dias seguintes, é normal que esse coto fique progressivamente mais escuro, ressecado e endurecido, até se desprender espontaneamente. Na maioria dos recém-nascidos, isso ocorre entre 7 e 14 dias de vida, embora possa acontecer um pouco antes ou demorar até cerca de três semanas e, ocasionalmente, mais tempo.

Durante esse processo de cicatrização, é comum que exista uma pequena quantidade de secreção seca ou um discreto sangramento no momento em que o coto se desprende. Essas alterações fazem parte da cicatrização normal e, isoladamente, não significam que exista uma infecção.

Na onfalite, entretanto, a região ao redor do umbigo torna-se progressivamente avermelhada, inchada, dolorosa e quente, podendo haver saída de pus ou secreção com mau cheiro. Como os recém-nascidos ainda possuem um sistema imunológico imaturo, a infecção pode evoluir rapidamente, tornando o diagnóstico e o tratamento precoces fundamentais para evitar complicações.

Fatores de risco

A incidência da onfalite em países desenvolvidos é de 0,2% a 0,7%. Já nos países em desenvolvimento, esta incidência pode ser até dez vezes maior, entre 2 e 7% (1).
Assim como na maioria das infecções bacterianas, a onfalite é mais comum em bebês com sistema imunológico enfraquecido ou deficiente e também entre aqueles hospitalizados e submetidos a procedimentos invasivos.

sinais e sintomas da onfalite

A onfalite geralmente se manifesta durante as duas primeiras semanas de vida, embora possa ocorrer enquanto o coto umbilical ainda não tenha cicatrizado completamente. O principal sinal é uma vermelhidão ao redor do umbigo que aumenta progressivamente, diferentemente da discreta irritação que pode ocorrer durante a cicatrização normal.

Além da vermelhidão, a região pode apresentar inchaço, aumento da temperatura da pele, dor ao toque e endurecimento dos tecidos ao redor do umbigo. Também é comum a saída de secreção purulenta (pus), muitas vezes acompanhada de mau cheiro. Em casos mais avançados, a infecção pode se espalhar para a pele ao redor do umbigo, caracterizando um quadro de celulite.

A onfalite é considerada uma urgência médica. Sempre que houver vermelhidão que se expande ao redor do umbigo, saída de pus, mau cheiro ou qualquer sinal de comprometimento do estado geral do recém-nascido, a criança deve ser avaliada imediatamente por um pediatra ou em um serviço de emergência.

Complicações da onfalite

A principal complicação da onfalite é a sepse, uma condição na qual a infecção se espalha pelo corpo através da corrente sanguínea. A sepse é uma condição grave, que deve ser tratada uma emergência médica.

A infecção deixa de estar restrita ao umbigo e passa a comprometer o funcionamento de diversos órgãos. Do ponto de vista clínico, o diagnóstico da sepse deve ser considerada especialmente nas seguintes condições:

  • Dificuldade para mamar;
  • Sonolência excessiva;
  • Irritabilidade;
  • Febre ou temperatura corporal baixa;
  • Respiração acelerada;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Queda da pressão arterial, com sinais de redução da perfusão dos órgãos.

Sem tratamento imediato, a sepse pode evoluir para choque séptico, insuficiência de múltiplos órgãos e risco de morte.

Além da sepse, a infecção pode se espalhar pelos tecidos ao redor do umbigo, causando uma celulite extensa ou, em situações mais raras, uma fasciíte necrosante, infecção grave que destrói rapidamente a pele e o tecido subcutâneo e exige tratamento cirúrgico de urgência.

Felizmente, essas complicações são pouco frequentes quando a onfalite é reconhecida precocemente e tratada rapidamente com antibióticos intravenosos. Por esse motivo, qualquer suspeita de infecção do coto umbilical deve ser avaliada imediatamente por um pediatra, mesmo que o bebê ainda pareça estar bem.

Diagnóstico

O diagnóstico da onfalite geralmente é feito pelo médico pediatra a partir da observação do aspecto do coto do cordão umbilical.

Tratamento da Onfalite

A onfalite é considerada uma emergência neonatal, que deve ser tratada por meio de internação hospitalar. Considerando que a infecção pode se disseminar rapidamente para a corrente sanguínea, não se deve adiar o início do tratamento enquanto se aguarda os resultado de exames.
Na maioria dos casos, o bebê necessita de internação para receber antibióticos intravenosos capazes de combater as bactérias mais frequentemente envolvidas na infecção do coto umbilical. Inicialmente, utilizam-se antibióticos de amplo espectro, que podem ser ajustados posteriormente caso exames identifiquem o microrganismo responsável.
Além do tratamento da infecção, o recém-nascido é monitorado cuidadosamente para identificar sinais de sepse ou outras complicações. Dependendo do estado clínico, podem ser necessários exames de sangue, hemoculturas e, em alguns casos, exames de imagem para avaliar a extensão da infecção.
A duração do tratamento varia conforme a gravidade do quadro e a resposta clínica. Nos casos sem complicações, o tratamento intravenoso costuma durar entre 7 e 10 dias. Na presença de sinais de sepse, fasciíte necrosante ou outras complicações, o tratamento pode ser prolongado por duas semanas ou mais, de acordo com a evolução clínica e os resultados dos exames.
Nos raros casos em que ocorre formação de abscessos ou fasciíte necrosante, pode ser necessário tratamento cirúrgico para remover os tecidos infectados e controlar a disseminação da infecção.