Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC)
O que é a Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC)?
A Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) é uma lesão pré-maligna do colo do útero, caracterizada pela proliferação anormal de células displasicas. A lesão é limitada à camada mais superficial do colo uterino (epitélio), mas sem invasão das camadas mais profundas (estroma).
Classificação
A Neoplasia Intraepitelial Cervical é classificada de acordo com o grau de displasia, conforme a tabela abaixo:
| Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) | ||
| Classificação | Grau de displasia | Extensão do epitélio acometido |
| NIC 1 | displasia leve | terço inferior |
| NIC 2 | displasia moderada | até dois terços |
| NIC 3 | displasia grave / carcinoma in situ | quase todo o epitélio |
Hoje, muitos sistemas utilizam a classificação:
- lesão intraepitelial de baixo grau → geralmente corresponde à NIC 1
- lesão intraepitelial de alto grau → corresponde à NIC 2 e NIC 3.
Fatores de risco
A Neoplasia Intraepitelial Cervical é bastante comum nas mulheres em idade reprodutiva, especialmente entre os 20 e os 35 anos. As lesões NIC 1 são muito mais comuns que NIC 2 ou 3.
Ela está fortemente associada à infecção persistente por Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os tipos 16 e 18.
Alguns fatores que aumentam o risco para a infecção pelo HPV incluem:
- início precoce da atividade sexual
- múltiplos parceiros
- imunossupressão (ex.: HIV/AIDS)
- tabagismo
- uso prolongado de contraceptivos hormonais.
Vale considerar aqui que a infecção pelo HPV é extremamente comum e muitas vezes transitória. A descoberta de NIC, no entanto, não significa necessariamente uma infecção recente ou traição.
Sintomas
A neoplasia intraepitelial cervical (NIC) é, na maioria das vezes, assintomática e silenciosa. Ela é detectada principalmente através de exames de rotina.
Os sintomas geralmente serão observados com a progressão da lesão, podendo incluir:
- Sangramento irregular após uma relação sexual;
- Dor durante relações sexuais;
- Corrimento vaginal incomum;
- Dor pélvica.
Diagnóstico da Neoplasia Intraepitelial Cervical
A Neoplasia Intraepitelial Cervical é geralmente suspeita por meio de exames ginecológicos de rotina, com destaque para o Papanicolau (citologia oncótica).
Embora não feche o diagnóstico da NIC, o papanicolau permite identificar alterações celulares no colo do útero, indicando a necessidade de investigações mais detalhadas.
A confirmação nesses casos deve ser feita por meio de um exame de colposcopia.
A colposcopia é um exame feito com a paciente em posição ginecológica, com as duas pernas levantadas e afastadas. O ginecologista então introduz um espéculo vaginal, que é um aparelho utilizado para manter a vagina aberta. A seguir, ele avalia o aspecto do colo do útero por meio do colposcópio, um microscópio que contém uma luz em usa extremidade.
Eventualmente, um reagente poderá ser utilizado, para a identificação de eventuais lesões que não sejam visíveis a olho nu. Uma vez que áreas suspeitas sejam observadas, a biópsia deve ser realizada, a qual confirma ou não o diagnóstico.
Evolução natural
Sem tratamento, algumas lesões da NIC podem regredir espontaneamente, enquanto outras irão persistir ou evoluir para um câncer invasivo do Colo do Útero.
A evolução depende do grau da lesão, conforme a tabela abaixo:
| Evolução natural da Neoplasia Intraepitelial Cervical | ||
| Lesão | Regressão espontânea | Progressão para câncer |
| NIC 1 | ~60–70% | <1% |
| NIC 2 | ~40–50% | 5% |
| NIC 3 | ~30% | até 30% sem tratamento |
Tratamento
O tratamento depende da idade da paciente, desejo reprodutivo e grau da lesão.
NIC 1 (baixo grau)
A maioria das mulheres com lesão NIC 1 é tratada por meio de acompanhamento / observação, já que grande parte delas regridem expontaneamente em até 2 anos.
O Papanicolau e a colposcopia deve ser repetida a cada 6 meses, durante 2 anos. Caso a lesão progrida ao longo desse período ou caso persista após 2 anos, o tratamento deve ser realizado.
Eventualmente, algumas mulheres podem optar por tratar antes dos dois anos caso não deseje aguardar, ou se houver dificuldade em garantir o retorno para acompanhamento.
O tratamento nesses casos pode ser feito com laser ou Cirurgia de Alta Frequência.
NIC 2 ou NIC 3 (alto grau)
Lesões NIC 2 ou NIC 3 devem ser tratadas na maior parte das vezes, devido ao risco de evolução para câncer.
O tratamento nesses casos pode incluir:
- Conização do Colo do Útero: remoção de cone de tecido cervical
- LEEP (Excisão por Alça Diatérmica): remoção da área com alça elétrica
- Crioterapia: destruição da lesão
- ablação a laser: destruição do epitélio alterado
Prevenção da recidiva
A principal estratégia preventiva é a vacinação contra HPV. Isso porque o anticorpo produzido por conta da NIC protege apenas contra o mesmo subtipo de HPV, mas a mulher segue vulnerável aos outros subtipos do vírus. Além disso, a mulher segue vulnerável a infecção pelo mesmo subtipo de HPV em outros sítios além do colo do útero, como a garganta ou reto.
O parceiro só precisa de tratamento se apresentar lesões visíveis. Se o parceiro não tiver verrugas ou lesões suspeitas, geralmente não há tratamento específico e não há necessidade para rastreamento. Ainda assim, é recomendável que o parceiro passe por uma avaliação com urologista para verificar a presença de eventuais lesões subclínicas.