Dismetria de Membros Inferiores
Qual a causa da Dismetria?
Diferenças no comprimento entre os membros podem estar presentes ao nascimento ou se desenvolvem em decorrência de fraturas ou infecções.
Pequenas diferenças são comuns e não trazem maiores problemas para o paciente, sendo assim consideradas variações da normalidade.
Estas discrepâncias são denominadas de “idiopática” ou de causa desconhecida.
Elas costumam estar presentes ao nascimento, mas a diferença pode ser muito pequena para ser detectada no início. À medida que a criança cresce, a dismetria aumenta e se torna mais perceptível.
O que acontece com a dismetria ao longo do crescimento?
A proporção no tamanho entre os membros tende a permanecer constante ao longo do crescimento.
Um paciente com 10% de diferença no comprimento ao nascer, tende a permanecer com 10% de diferença ao final do crescimento.
Desta forma, é possível estimar qual será a diferença de comprimento ao final do crescimento:
- Ao nascer, o membro inferior atingiu 20% do seu comprimento final. Assim,
uma diferença de 1cm ao nascimento se transformará em uma diferença de
5cm ao final do crescimento; - Com um ano de idade, o comprimento do membro inferior equivale a 33% do
seu comprimento final. Assim, uma diferença de 1cm nesta idade se
transformará em uma diferença de 3cm ao final do crescimento; - Aos 4 anos nos meninos e 3 anos nas meninas, o comprimento do membro
inferior equivale a 50% do seu comprimento final. Assim, uma diferença de 2cm
nesta idade se transformará em uma diferença de 4cm ao final do crescimento; - Aos 7 anos, o comprimento do membro inferior equivale a 65% do seu
comprimento final. Assim, uma diferença de 2cm nesta idade se transformará
em uma diferença de 3cm ao final do crescimento; - No início da puberdade, o crescimento adquirido é 90% e o multiplicador é de
1,1. Assim, uma diferença de 2cm se transformará em uma diferença de 2,2cm.
Em um estudo com recrutas militares nos Estados Unidos, 32% deles apresentavam diferença no comprimento entre os membros entre 0,5 e 1,5 cm. Diferenças maiores, no entanto, podem afetar o bem-estar e a qualidade de vida do paciente e dar origem a dores e lesões.
Avaliação da Dismetria dos membros inferiores
Existem diferentes métodos de se avaliar clinicamente a diferença no comprimento entre os membros.
A mais utilizada é feita com o paciente deitado com quadril e joelho dobrados a 90 graus. Quando um joelho está mais alto do que o outro, é um sinal que existe uma diferença no comprimento dos fêmures.
Quando os joelhos estão nivelados, mas as pernas não, é sinal de que há uma diferença no comprimento das tíbias.
Ao se identificar a diferença de comprimento, ela deve ser medida preferivelmente por meio de uma escanometria, que é uma radiografia de todo o ombro com uma régua que identifica o comprimento de cada osso.

A IMAGEM (A) ilustra um paciente com o fêmur esquerdo mais curto do que o direito; já a imagem (B) ilustra um paciente com a tíbia direita mais curta do que a esquerda.
Tratamento Não Cirúrgico
Pacientes com pequenas discrepâncias no comprimento dos membros (menos de 2cm) são tratados de forma não cirúrgica.
O tratamento pode envolver a simples observação ou o uso de palmilhas ou elevações no calçado.
Tratamento cirúrgico
Diferentes técnicas cirúrgicas podem ser usadas para a correção da dismetria dos membros, sendo que a mais usada na infância é a epifisiodese.
Neste procedimento, é feito um bloqueio no crescimento do membro maior, de forma que o crescimento do membro menor acaba por equalizar o comprimento.

A epifisiodese é indicada principalmente quando a diferença estimada de comprimento for entre 2 e 5 cm.
O procedimento geralmente é insuficiente para correções acima disso, quando poderá ser usado em associação a outras técnicas de alongamento.
Diferentes técnicas podem ser usadas para a epifisiodese, as quais podem ser definitivas ou reversíveis. Além disso, o procedimento pode ser feito no fêmur ou na tíbia, a depender de qual o osso afetado pela diferença de comprimento.
O principal segredo da epifisiodese no tratamento da dismetria dos membros inferiores é realizar uma estimativa correta do comprimento final da perna menor, de forma a bloquear o crescimento da perna maior quando ela atingir este comprimento.
Esta estimativa pode ser feita a partir de radiografias para a avaliação da idade óssea, sendo que quanto mais velha a criança, mais precisas serão as estimativas.