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Hemofilia

O que é a Hemofilia?

A Hemofilia é um distúrbio raro no qual o sangue não é capaz de coagular normalmente, devido à deficiência de certas proteínas chamadas de Fatores de coagulação.

Fatores de coagulação são proteínas presentes no sangue que interagem com as plaquetas para formar coágulos.

A coagulação é o processo pelo qual o corpo estanca eventuais sangramentos. Assim, o paciente apresenta dificuldades para conter estes sangramentos.

Dependendo de onde o sangramento acontece, ele pode gerar sérios danos ou até mesmo ter desfecho fatal.

Sintomas

Os sinais e sintomas variam dependendo de qual o nível dos fatores de coagulação.

Se os fatores de coagulação estiverem levemente reduzidos, é esperado apenas um aumento no tempo de coagulação após um trauma.

Quando a deficiência é grave, os sangramentos podem ter início de forma espontânea e sem uma outra causa aparente.

Outros sinais e sintomas podem aparecer em decorrência de sangramentos em órgãos específicos.

No caso de um sangramento cerebral, por exemplo, o paciente pode apresentar dor de cabeça intensa e prolongada, vômitos, sonolência, letargia, visão dupla, fraqueza súbita ou convulsões. Estes sinais variam a depender de qual parte do cérebro foi acometida pelo sangramento.

Qual a causa?

A maior parte dos casos têm origem genética e é herdada dos pais. Em alguns poucos casos, ela pode ser adquirida.

Hemofilia de Origem Genética

Nos tipos mais comuns de hemofilia, o gene defeituoso está localizado no cromossomo X, um cromossomo sexual.

Todo mundo tem dois cromossomos sexuais, um de cada pai.

As mulheres recebem um cromossomo X da mãe e um cromossomo X do pai. Para desenvolver a doença, ela precisaria ter dois cromossomos X da Hemofilia, um do pai (que necessariamente precisa ter a hemofilia) e outro da mãe, que precisa ser uma portadora do gene sem a doença. Isso é algo muito incomum.

Já os homens recebem um cromossomo X da mãe e um cromossomo Y do pai. Ele desenvolve a doença ao receber um cromossomo X da hemofilia da mãe, que pode ter o gene alterado mesmo sem o conhecimento prévio disso.

Isso significa que quase sempre ocorre em meninos e é passada de mãe para filho através de um dos genes da mãe.

A maioria das mulheres com o gene defeituoso são portadoras que não apresentam sinais ou sintomas.

Hemofilia Adquirida

A hemofilia adquirida é uma variedade incomum da doença que ocorre quando o sistema imunológico de uma pessoa ataca o fator de coagulação 8 ou 9 no sangue.

Esta resposta autoimune geralmente acontece em decorrência de gestação, outras doenças autoimunes, câncer ou como reação a drogas.

Quais os Tipos de Hemofilia?

É classificada em dois tipos:

    • Hemofilia A: associada à deficiência do Fator VIII (oito);
    • Hemofilia B: associada à deficiência do fator IX (nove).

A hemofilia A é a mais comum e representa aproximadamente 80% dos casos (1)

Como é determinada a gravidade da Hemofilia?

A gravidade do quadro clínico depende não do tipo, mas da quantidade de fator, seja ela do VIII (hemofilia A) ou IX (hemofilia B).

O nível médio de fator no plasma sanguíneo é em torno de 100%, mas pode variar entre 50% e 200%, sem que a pessoa seja diagnosticada com o problema.

Os pacientes com hemofilia podem ser classificados em três grupos, a depender da quantidade de fator VIII ou IX presente no plasma:

  • Leve – superior a 5% e inferior a 40%. Sangramentos preocupantes tendem a acontecer apenas após grandes traumas, cirurgias ou extrações dentárias.
  • Moderada – entre 1% e 5%. Sangramentos espontâneos incomuns, mas podem acontecer após traumas leves ou procedimentos cirúrgicos.
  • Grave – inferior a 1%. Sangramentos são espontâneos frequentes

Tratamento

A base do tratamento da hemofilia envolve a preposição dos fatores de coagulação, o que dependerá da gravidade, relacionada aos níveis do fator de coagulação envolvido:

  • Nas hemofilias leves, a reposição deve ser feita apenas sob demanda, ou seja, em caso de sangramento ativo ou preventivamente antes de cirurgias.
  • Nas hemofilias moderadas, o tratamento ainda é feito sob demanda, durante sangramentos ativos. A reposição profilática pode ser feita mais precocemente do que nas formas leves, como no caso de atividades físicas de risco ou antes de intervenções dentárias.
  • Nas formas graves, as infusões profiláticas devem ser feitas de forma regular, de 2 a 3 vezes por semana, com o objetivo de prevenir hemorragias graves.

Outros tratamentos podem ser considerados em casos selecionados, conforme abaixo:

Desmopressina

A desmopressina é um análogo da vasopressina (um hormônio antidiurético). Ela pode ser usada no tratamento de hemofilia A leve a moderada e na doença de von Willebrand tipo 1. Nesses pacientes, ela pode ser usada para o tratamento de sangramentos ativos leves e de baixo risco ou de forma profilática antes de pequenos procedimentos, como um trataemento dentário.

Ela atua liberando estoques endógenos de fator VIII e fator de von Willebrand presentes nas células endoteliais dos vasos sanguíneos, aumentando temporariamente o nível desses fatores no sangue.

A desmopressina não deve ser usada na Hemofilia B nem em casos de hemofilia grave.

Emicizumabe

O Emicizumabe é um anticorpo monoclonal que mimetiza o fator VIII, sendo dessa forma usada apenas em pacientes com Hemofilia A.

Ele é indicado na profilaxia de rotina para pacientes com hemofilia A moderada a grave, com o objetivo de prevenir ou reduzir a frequência de episódios de sangramento.

O Emicizumabe é usado por meio de injeção subcutânea, geralmente aplicado uma vez por semana nas primeiras quatro semanas, seguida por doses de manutenção que podem ser semanais, quinzenais ou mensais. No entanto, ela não serve para tratar sangramento agudo

Antifibrinolíticos

Medicamentos antifibrinolíticos, como o ácido tranexâmico, atuam inibindo a degradação do coágulo (fibrinólise). Eles são indicados especialmente em casos de sangramentos de mucosa oral ou nasal. Por outro lado, eles devem ser evitados em caso de hematúria (sangue na urina), devido ao risco de obstrução por coágulos.

Selantes de fibrina

Selantes de fibrina são agentes hemostáticos biológicos de aplicação tópica, indicados para o controle de sangramentos locais e em procedimentos cirúrgicos ou odontológicos. Eles mimetizam a fase final da cascata de coagulação, ajudando a estabilizar o coágulo.