Glaucoma Infantil
O que é o Glaucoma infantil?
O glaucoma infantil é um problema congênito incomum que impede a drenagem do líquido da parte da frente do olho, levando a um aumento na pressão intraocular. Ele acomete cerca de um a cada 10 mil recém-nascidos.
Normalmente o humor aquoso, que é o líquido que nutre o olho, é produzido pelo corpo ciliar atrás da íris, na câmara posterior do olho, e flui pela para a parte da frente do olho. Dali ele é removido pelos canais de drenagem localizados entre a íris e a córnea.
Quando a drenagem é bloqueada, o líquido passa a se acumular, levando a um aumento na pressão intraocular.
O glaucoma infantil pode afetar um único olho ou, mais frequentemente, ambos os olhos.
Qual a causa do glaucoma infantil?
O glaucoma pode ser classificado de acordo com a condição que causou a doença ocular. Se nenhuma causa específica for encontrada, é chamado de glaucoma primário.
A maioria dos casos de glaucoma infantil é considerada primária, o que significa que nenhuma causa específica é encontrada mesmo após uma avaliação completa.
Por outro lado, o glaucoma sé classificado como secundário quando ele está associado a uma condição ou doença oftalmológica específica, como a síndrome de Sturge-Weber, a aniridia, a neurofibromatose, a microftalmia, uso crônico de esteroides ou trauma
Ela pode também está associado a cirurgias oculares prévias, como procedimentos para catarata congênita, sendo que até 25% das crianças que fizeram cirurgia de catarata podem desenvolver glaucoma, e até 50% das crianças que sofreram trauma contuso no globo ocular correm o risco de desenvolver a doença.
Quais as possíveis consequências do glaucoma infantil?
Sem tratamento, o prognóstico do glaucoma infantil é bastante ruim.
O aumento da pressão intraocular pode levar a um dano ao nervo óptico, com consequente perda progressiva da visão.
Além disso, o olho com pressão elevada se expande, tornando-se muito grande (o que não acontece em adultos). O alargamento dos olhos pode resultar em alterações de refração, alterações na forma e na transparência da córnea e a outras causas secundárias de baixa visão.
Poir fim, o cérebro também tende a ignorar as informações recebidas dos olhos doentes, uma condição conhecida como ambliopia ou “olho preguiçoso”. Quando não é corrigida ao longo do período de desenvolvimento do sistema visual, a ambliopia pode levar a um comprometimento definitivo da visão.
Sinais e sintomas do glaucoma infantil
Alguns dos sinais e sintomas relacionados ao glaucoma infantil incluem:
- Lacrimejamento excessivo;
- Sensibilidade à luz (fotofobia);
- Piscar excessivo dos olhos (blefaroespasmo);
- Olhos irritados e vermelhos;
- Olhos esbugalhados e grandes.
OS sintomas geralmente são mais evidentes nas crianças pequenas. Após os dois anos de idade, geralmente não há sinais ou sintomas até os estágios avançados do glaucoma -ainda que o problema possa ser identificado por meio de exame oftalmológico de rotina.
Diagnóstico
Cerca de 25% dos casos de glaucoma infantil apresentam manifestações já no período do pós-parto imediato, sendo classificados como glaucoma congênito. Esses casos podem ser diagnosticados por meio do Teste do olhinho, ainda nos primeiros dias de vida.
Além disso, 80% dos casos pediátricos são diagnosticados no primeiro ano de vida da criança. Passado o período neonatal, cabe ao pediatra, à família e ao oftalmologista observarem os sinais característicos da doença, descritos acima.
A confirmação diagnóstica pode é feita geralmente pelo oftalmologista pediátrico, por meio da aferição da pressão intraocular. Devido às dificuldades em fazer esta avaliação no bebê, ela pode ser feita com o paciente anestesiado.
Tratamento
O glaucoma infantil é geralmente tratado por meio de cirurgia, com o objetivo de redução da pressão intraocular.
A cirurgia visa criar um novo sistema de drenagem (goniotomia, trabeculectomia ou TREC), devendo ser feito assim que possível após o diagnóstico.
Vale considerar que mesmo quando diagnosticado precocemente e tratado adequadamente, o glaucoma pediátrico ainda pode causar perda de visão significativa e permanente.
Mesmo após a cirurgia, colírios e medicamentos orais podem ser necessários para controlar a pressão intraocular. Além disso, muitas dessas crianças desenvolvem condições secundárias, como miopia, ambliopia (visão “preguiçosa”) ou estrabismo (desalinhamento dos olhos). Algumas delas podem requerer tratamento com tampão ou cirurgia.