Fenomenologia
A fenomenologia, na realidade, é uma vertente filosófica muito utilizada em diversos campos do conhecimento. Na psicologia, ela é chamada de “psicologia fenomenológica”, que parte dos preceitos básicos da fenomenologia para compreender a existência humana e sua subjetividade.
Sendo assim, é usada como uma abordagem nos mais diversos tipos de atendimento psicológico.
Se você tem interesse em saber um pouco mais sobre essa abordagem, acompanhe este conteúdo e tire as suas dúvidas.
O que é a Fenomenologia?
De maneira sucinta, podemos descrever a fenomenologia como um modo de pensamento filosófico desenvolvido por Edmund Husserl que parte da ideia de considerar os fenômenos e a percepção que cada indivíduo tem desses fenômenos.
A fenomenologia descreve que tudo que existe no mundo se resume a esses fenômenos, e que o ser humano experimenta a vida a partir desses eventos e objetos fenomenais, com base na sua própria forma de enxergar, perceber e compreender o que acontece à sua volta.
Sendo assim, quando pensamos em psicologia fenomenológica, pensamos em estudos psicológicos que levam em consideração os fenômenos que interferem na vida dos indivíduos. Também encara cada ser humano como um protagonista da sua própria história, sendo impossível descrever fatos e situações de forma extremamente igual em mais de um caso, como se as pessoas vivessem e sentissem na mesma intensidade.
Isto é, esta abordagem encara cada ser humano como 100% único, o que impede que haja semelhanças verdadeiras entre sentimentos, emoções e formas de perceber a vida entre uma pessoa e outra.
Cada indivíduo encara os fenômenos com base na sua própria forma de enxergar e de viver.
Desse modo, a fenomenologia não tem como objetivo explicar o fenômeno, mas compreender de que forma ele se manifesta na vida das pessoas. Assim sendo, a experiência do sujeito é extremamente importante para essa abordagem, pois a forma como nos portamos diante das ocorrências da vida é que irá ditar quem somos, o que sentimos, e assim por diante, e não a mera explicação dos acontecimentos externos.
Nossa forma de encarar, compreender, sentir e vivenciar cada fenômeno é única e incomparável, o que remonta a ideia de que cada pessoa é protagonista de sua história e deve ser vista como tal.
Aspectos importantes da Fenomenologia
A psicologia fenomenológica carrega em seu escopo alguns pontos que a diferem de outras abordagens que, inclusive, já citamos aqui em nosso site. A seguir, descrevemos alguns desses aspectos, de forma sucinta, para que você já possa adquirir um pouco mais de conhecimento sobre esse modo de enxergar a subjetividade humana.
A partir disso, você poderá avaliar se essa abordagem condiz com a sua maneira de ver e viver a vida, buscando profissionais de saúde mental que pautam-se nessa teoria. Veja a seguir:
1. Não existe um único modo de ser no mundo
A psicologia fenomenológica, como mencionado anteriormente, valoriza a subjetividade e a singularidade de cada ser humano. Ela vai contra a ideia de que as pessoas possam viver situações semelhantes.
Embora para o senso comum o fato de duas pessoas perderem a sua mãe seja “a mesma coisa”, para a fenomenologia não é. Cada humano perde a sua mãe com base em uma história de vida, sentimentos e emoções diferentes. Assim como cada humano lida com os fenômenos à sua volta de uma maneira completamente única.
Sendo assim, a psicologia fenomenológica pensa o ser humano como um ser que tem a sua própria e única forma de ver e viver, o que torna impossível descrever e explicar fenômenos de forma única, afinal, cada pessoa encara as situações de modos diferentes.
2. A fenomenologia está relacionada à filosofia
A fenomenologia, na realidade, é uma vertente filosófica que vem sendo utilizada, inclusive, na psicologia. Trata-se de uma forma de pensar e refletir sobre o mundo, desenvolvida por Edmund Husserl.
A filosofia da fenomenologia parte da dicotomia entre razão e experiência. Ou seja, ela valoriza a experiência do sujeito, e não a explicação “única” para o que acontece.
Além disso, essa filosofia também trata que todo tipo de consciência é intencional. Isto é, só existem situações, objetos e acontecimentos que uma pessoa dê significado a eles. Sem esse significado singular do indivíduo, não existe um objeto.
3. Sujeito vive e pensa em relação ao mundo
Na psicologia fenomenológica, o sujeito vive, pensa e sente sempre em relação ao mundo. Essa forma de sentir, viver e pensar é singular e não pode ser duplicada ou vivenciada por outra pessoa.
O indivíduo dá significados a partir do mundo, a partir da relação que ele tem com o contexto no qual está inserido, ou seja, a partir da sua relação com os fenômenos que ocorrem em sua volta.
E é essa forma de significar a vida e os acontecimentos que nos permite pensar em mudanças na vida que promovam mais saúde mental, bem-estar e qualidade de vida.
O ponto de vista do sujeito com relação ao mundo é a base que fomenta uma psicoterapia fenomenológica. O significado que o sujeito atribui às situações é que será o escopo do processo terapêutico, visando um maior protagonismo do próprio indivíduo.
4. Percepções e atribuições do indivíduo frente aos fenômenos
A forma como o indivíduo enxerga e atribui significações aos fenômenos que ocorrem à sua volta é o que pode ser investigado pela psicologia fenomenológica.
A partir dessa análise, torna-se possível construir novas maneiras de agir e de lidar com os acontecimentos vividos pelo indivíduo, dando a ele novas possibilidades para ser seguidas, sempre com base em sua singularidade, desejos, etc.
A compreensão do real significado atribuído aos fenômenos permite reflexões profundas sobre a forma de ver, dar importância e se portar diante do que acontece na vida do sujeito.
De que forma ele enxerga tal vivência? Qual a importância dessa vivência em sua vida? No que essa vivência tem impactado em sua história? De qual forma impactou? Por que impactou?
Esses e outros questionamentos podem auxiliar na compreensão da vivência e do modo de se portar do sujeito, dando a ele conhecimentos e subsídios para implementar mudanças positivas em sua vida e que façam jus ao que tem sentido para ele.
5. Foco na experiência, não na razão absoluta
Na psicologia fenomenológica, não se leva em consideração a verdade ou a razão absoluta de algo. Ou seja, aquela explicação científica sobre um acontecimento ou situação, no momento em que se escuta o indivíduo, é deixada de lado. Não no sentido de que a fenomenologia não considere a ciência, mas no sentido de que o processo terapêutico leva sempre em consideração a experiência do próprio sujeito – e não a experiência que a sociedade ou a ciência tenta dizer que ele viveu ou está vivendo.
Desse modo, o foco na maneira como o sujeito vive tal situação é muito maior, valorizando o que ele atribui de significado para o que ocorre em sua vida, as emoções que são vividas em decorrência dessa atribuição, e assim por diante.
6. Protagonismo
O protagonismo do sujeito, frente à sua história e à sua forma de enxergar a vida, é evidente na psicologia fenomenológica.
Assim sendo, o sujeito passa a compreender a sua própria vivência não pela “veracidade” de tal situação, mas pela importância e significado que ele dá a ela.
Por exemplo, ao invés de se deixar levar pelas colocações da sociedade sobre um acontecimento, entendendo a situação como ruim ou “imperdoável”, o sujeito atribui o seu próprio significado e importância ao que aconteceu, tornando-se protagonista de sua vida, sem deixar que o senso comum o leve a cometer tais atos apenas para “se enquadrar no que seria correto”, digamos assim.
Benefícios da Fenomenologia
Agora que você já pôde ter uma visão geral da psicologia fenomenológica, chegou o momento de conhecer um pouco mais sobre os benefícios que essa abordagem pode oferecer. Entenda:
1. Respeito à singularidade
Sem dúvidas, a psicologia fenomenológica é uma das vertentes que considera a singularidade como uma peça primordial para a saúde mental.
O sujeito é encarado como o protagonista de sua história, sendo mais importante a forma como ele atribui significados às situações do que o significado do senso comum ou científico.
Dessa maneira, as questões mais profundas podem vir à tona durante as sessões, permitindo um respeito absoluto a quem se é, se deseja ser ou já se foi um dia.
2. Novas camadas de autoconhecimento
O autoconhecimento também é um ponto válido da fenomenologia. O sujeito tem a chance de mergulhar em si mesmo de um modo muito mais profundo do que em outras situações de autoconhecimento.
Afinal, como a singularidade é peça-chave dessa vertente, a pessoa passa a entender a importância que dá para os fenômenos, por que dá e como pode alterar algumas significações de modo a ter mais saúde mental e qualidade de vida de maneira geral.
A pessoa é convidada a entender mais e mais de si mesma, tomando as “rédeas” de sua própria história.
3. Protagonismo na própria vida
Ser o protagonista de sua própria vida, certamente, é algo que exige muito autoconhecimento e inteligência emocional. Nem sempre é fácil atingir esse tipo de “emancipação”, digamos assim.
Contudo, a psicologia fenomenológica contribui positivamente para que esse tipo de objetivo seja atingido, dando ao indivíduo a oportunidade de se conhecer e de tomar consciência sobre quem se é e o que pode ser feito com esse conhecimento.
Sempre considerando, claro, as subjetividades de cada um, para que a forma de ver e viver a vida seja respeitada e colocada como uma prioridade para a pessoa.
Para quem a Fenomenologia é indicada?
Na realidade, a psicologia fenomenológica é indicada em diversos casos distintos. Ela não se restringe apenas a um único caso clínico, por exemplo.
Contudo, ela pode ser bastante pertinente em situações nas quais o sujeito quer compreender melhor a si mesmo e a sua própria forma de ver e viver a vida.
Se você quer compreender por que determinadas situações o abalam tanto, essa abordagem pode ajudá-lo a mergulhar mais a fundo na sua própria história e existência.
De todo modo, diversas situações e acontecimentos podem usufruir de benefícios com a psicologia fenomenológica. Cabe a você conversar com um profissional dessa abordagem para tirar as suas dúvidas e procurar compreender se ela realmente é interessante para os seus objetivos de vida e de autoconhecimento.
Caso queira se aprofundar ainda mais na temática, busque por livros e conteúdos específicos sobre psicologia fenomenológica. Lembre-se de que este material é meramente informativo e introdutório, e que essa abordagem tem muitos outros conceitos e dados mais profundos.