Doença Renal Policística Autossômica Recessiva
O que é a Doença renal policística autossômica recessiva?
A Doença renal policística autossômica recessiva é uma doença genética rara e grave caracterizada pela formação de múltiplos cistos microscópicos nos rins, acometendo cerca de 1:20.000 a 1:40.000 nascidos vivos. Esses cistos se formam por conta da dilatação dos túbulos coletores.
Por mais que seja uma condição herdada, a doença pode ocorrer em famílias sem história prévia conhecida. A associação com doença hepática é comum e a doença pulmonar pode se desenvolver por conta de uma gestação oligodrâmnia.
Apresentação clínica
Nas formas mais graves, os rins já se encontram aumentados e hiperecogênicos ainda no período fetal ou neonatal. Ela pode comprometer a função renal do feto e estar relacionada a uma menor produção de líquido amniótico, caracterizando uma gestação oligodrâmnia.
Considerando a importância do líquido amniótico para o desenvolvimento do pulmão fetal, o oligodrâmnio pode provocar hipoplasia pulmonar fetal e insuficiência respiratória ao nascimento.
Nos bebês que sobrevivem ao período neonatal, é comum a presença de hipertensão arterial de origem precoce, insuficiência renal progressiva e aumento abdominal devido à nefromegalia.
Ao longo da infância, surgem manifestações hepáticas, como fibrose hepática congênita, podendo evoluir com hipertensão portal, esplenomegalia e episódios de colangite (inflamação das vias biliares).
Diagnóstico
O diagnóstico da Doença renal policística autossômica recessiva pode ser suspeitado no pré-natal através do ultrassom morfológico do segundo ou terceiro trimestre, que mostrará os rins aumentados e hiperecogênicos bilateralmente, além de mostrar uma gestação oligoidrâmnia.
Após o nascimento, a ultrassonografia renal confirma os achados, embora os cistos sejam geralmente microscópicos e não visíveis individualmente. A associação com alterações hepáticas reforça o diagnóstico.
Testes genéticos podem identificar mutações no gene PKHD1, sendo úteis em casos duvidosos ou para aconselhamento genético. A avaliação da função renal e hepática é essencial para o seguimento.
Tratamento
O tratamento da Doença renal policística autossômica recessiva envolve o suporte clínico, uma vez que não existem terapias curativas.
No período neonatal, pode ser necessário suporte ventilatório, devido à hipoplasia pulmonar.
O controle da hipertensão arterial é fundamental e frequentemente requer múltiplos fármacos.
A insuficiência renal é manejada com medidas conservadoras e, nos casos avançados, pode ser necessária diálise e, posteriormente, transplante renal.
As complicações hepáticas exigem acompanhamento especializado, podendo incluir manejo da hipertensão portal e tratamento de infecções biliares.
Em situações selecionadas, pode-se considerar transplante combinado hepático e renal.
Prognóstico
O prognóstico da Doença renal policística autossômica recessiva depende da gravidade da apresentação inicial. Formas neonatais graves têm alta mortalidade devido à insuficiência respiratória.
Nos pacientes que sobrevivem, há risco significativo de progressão para Insuficiência Renal Crônica ao longo da infância ou adolescência.
Além disso, as complicações hepáticas podem se tornar predominantes com o tempo. Ainda assim, com o avanço do suporte intensivo e das terapias renais substitutivas, muitos pacientes conseguem alcançar a idade adulta com acompanhamento adequado.
Aconselhamento genético
O aconselhamento genético na Doença Renal Policística Autossômica Recessiva é fundamental e delicado, por se tratar de uma doença grave e que tem um padrão de herança específico, com risco de recorrência nas futuras gestações.
Diferente da forma autossômica dominante (predominante em adultos), onde geralmente um dos pais também tem a doença, na doença autossômica recessiva (típica de bebês e crianças) os pais são, quase sempre, portadores saudáveis e sem antecedentes conhecidos nas famílias.
O primeiro passo é a confirmação diagnóstica por meio de um teste genético no filho afetado, que identificará se a causa é realmente a mutação no gene PKHD1. Isso é importante porque outras doenças renais raras podem mimetizar a Doença Renal Policística Autossômica Recessiva.
Para transmitir a doença, cada pai tem uma cópia normal do gene (que garante a saúde deles) e uma cópia com a mutação. Eles são chamados de portadores, embora não desenvolvam a doença. Quando dois portadores têm um filho, a probabilidade para cada nova gravidez é:
- 25% de probabilidade do filho herdar as duas cópias com mutação e desenvolverem a doença.
- 50% de probabilidade do filho herdar uma cópia normal e uma com mutação, tornando-se um portador saudável (como os pais).
- 25% de probabilidade de a criança herdar as duas cópias normais e não ter a doença nem ser portadora.
A partir desss informações, alguns casais podem optar por métodos de reprodução assistida que permitam a seleção de embriões não afetados, especialmente a Fertilização in vitro.
