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Descolamento de Retina

O que é o descolamento de retina?

O descolamento de retina é uma condição na qual a retina se desloca de sua posição normal na parte de trás do olho.

A Retina é uma estrutura formada por milhões de células fotorreceptoras, que captam, registram, decodificam ondas luminosas. Em seguida, ela envia estes sinais ao cérebro por meio do nervo óptico, onde se dá a percepção da visão.

Quando acontece o descolamento da retina, a vascularização e o fornecimento de sangue e oxigênio para a retina fica comprometida, podendo levar a uma perda permanente da visão no olho afetado.

Sinais e sintomas do descolamento da retina

O descolamento de retina provoca alterações visuais súbitas, que surgem de forma progressiva ao longo de horas ou dias.

Na maioria dos casos, o descolamento de retina afeta apenas um olho. Por isso, algumas pessoas demoram a perceber o problema, já que o outro olho continua enxergando normalmente e pode compensar parcialmente a perda visual.

Moscas volantes (manchas escuras flutuantes)

Um dos sintomas mais comuns é o aparecimento súbito de pontos escuros que parecem flutuar no campo visual. Essas chamadas “moscas volantes” podem surgir independente do descolamento de rotina, mas merecem atenção especial quando aparecem de forma repentina, quando aumentam rapidamente em quantidade ou são acompanhadas por outros sintomas visuais.

Flashes luminosos

Muitos pacientes relatam a sensação de pequenos clarões, relâmpagos ou lampejos de luz, especialmente nas laterais do campo visual ou em ambientes escuros.

Esses flashes ocorrem porque a retina está sendo tracionada pelo humor vítreo, estimulando mecanicamente as células responsáveis pela percepção da luz.

Sombra ou cortina no campo visual

À medida que a retina se desprende, parte do campo visual pode ser perdida. O paciente frequentemente descreve a sensação de uma sombra escura ou de uma cortina avançando progressivamente sobre a visão.

Dependendo da localização do descolamento, essa perda visual pode surgir pela parte superior, inferior ou lateral do campo visual.

Visão borrada ou embaçada

O descolamento pode causar redução da nitidez visual, principalmente quando se aproxima da região central da retina. O paciente pode perceber que os objetos parecem desfocados, distorcidos ou menos nítidos do que o habitual.

Perda súbita da visão

Nos casos mais avançados, especialmente quando a mácula é afetada, pode ocorrer uma perda visual importante e relativamente rápida. Quanto mais tempo a retina permanecer descolada, maiores são as chances de dano permanente às células responsáveis pela visão.

Quais os tipos de descolamento de retina?

Existem três tipos diferentes de descolamento de retina:

Regmatogênico

O descolamento regmatogênico é o tipo mais comum de descolamentos de retina. Ele é causado ​​por um orifício na retina que permite que o fluido passe e se acumule sob a retina, descolando os tecidos subjacentes.

As áreas onde a retina se desprende perdem o suprimento sanguíneo e param de funcionar, fazendo com que o paciente perca a visão.

Grande parte dos descolamentos regmatogênicos estão associados ao processo natural de envelhecimento.

Tracional

O descolamento de retina tradicional ocorre devido à formação de tecido cicatricial na superfície da retina, fazendo com que ela se afaste da parte posterior do olho.

Ele geralmente está associado ao diabetes mal controlado e algumas outras condições de saúde prévias.

Exsudativo

O descolamento de retina exudativo ocorre quando o líquido se acumula sob a retina, mesmo sem nenhum orifício ou lesão na retina. Isso pode estar associado a condições decorrentes do envelhecimento, lesões oculares, tumores ou distúrbios inflamatórios.

O que muda nos diferentes tipos de descolamento da retina?

Descolamento Regmatogênico Vs. Tracional Vs. Exudativo
CaracterísticaDescolamento RegmatogênicoDescolamento TracionalDescolamento Exsudativo (Seroso)
MecanismoOcorre após um rasgo ou ruptura da retina, permitindo a passagem de líquido para baixo da retina.Ocorre quando membranas fibrosas ou cicatriciais puxam mecanicamente a retina, desprendendo-a.Ocorre pelo acúmulo de líquido sob a retina sem haver rasgo ou tração significativa.
Incidênciarepresenta cerca de 85–90% dos casos.Menos comumMenos comum
Fatores de risco mais comunsMiopia alta, idade avançada, cirurgia de catarata, trauma ocular, histórico familiar.Retinopatia diabética proliferativa, retinopatia da prematuridade, trauma ocular, doenças vasculares.Inflamações oculares, tumores intraoculares, hipertensão grave, doenças autoimunes e alterações vasculares.
Início dos sintomasGeralmente súbito.Frequentemente gradual e progressivo.Pode ser gradual ou relativamente rápido, dependendo da causa.
Moscas volantesMuito comuns.Pouco comuns.Incomuns.
Flashes luminososMuito comuns.Podem ocorrer, mas são menos frequentes.Geralmente ausentes.
Sensação de cortina ou sombra visualMuito comum.Comum.Pode ocorrer.
Velocidade de progressãoHoras a dias.Semanas a meses.Variável.
Tratamento principalCirurgia (vitrectomia, introflexão escleral ou retinopexia pneumática) e tratamento dos rasgos retinianos.Vitrectomia para remoção das membranas tracionais.Tratamento da doença causadora; cirurgia raramente é a primeira opção.
Urgência oftalmológicaMuito alta.Alta.Variável conforme a causa subjacente.
Prognóstico visualGeralmente bom se tratado precocemente, antes do acometimento da mácula.Depende da doença de base e da duração da tração.Depende principalmente da causa subjacente e da resposta ao tratamento.

Fatores de risco

Entre os fatores de risco para o descolamento da retina, incluem-se:

  • Envelhecimento: o descolamento da retina é mais comum em pessoas com mais de 50 anos;
  • Histórico de descolamento de retina prévio;
  • Histórico familiar de descolamento de retina;
  • Miopia grave;
  • Lesão traumática prévia no olho;
  • Cirurgia ocular anterior, incluindo a cirurgia de catarata;
  • Outras doenças oculares.

Diagnóstico

Os seguintes exames poderão ser utilizados no paciente com suspeita clínica de descolamento da retina.

Exame microscópico da retina

O oftalmologista usa uma lente especial com uma luz para examinar a parte posterior do olho, incluindo a retina.

Para isso, um colírio é utilizado para dilatar as pupilas, fornecendo uma melhor visão da parte interna do olho. Isso deixa os olhos mais sensíveis, de forma que o uso de óculos escuros por algumas horas.

Seus olhos provavelmente ficarão sensíveis à luz por algumas horas. Use os óculos de sol provisórios fornecidos pelo especialista ou os seus próprios óculos de sol.

Ultrassonografia

O ultrassom deve ser considerado na presença de sangramento, o que pode dificultar a visualização microscópica da retina

Tratamento

A cirurgia é quase sempre necessária para reparar um orifício ou o descolamento da retina.

Nas lacerações da retina, incluindo furos ou rasgos, o tratamento com laser ou crioterapia (congelamento) busca criar cicatrizes e vedar furos ou rasgos.

Na presença de um descolamento já estabelecido e com a presença de líquido, outros procedimentos poderão ser considerados, incluindo a Retinopexia Pneumática, a Introflexão escleral ou a vitrectomia.

Retinopexia Pneumática

A Retinopexia Pneumática é um procedimento minimamente invasivo, indicado especialmente nos descolamentos de retina regmatogênicos (com rasgos). Uma bolha de gás expansível é injetada na cavidade vítrea do olho para “empurrar” a retina rasgada de volta ao lugar. A seguir, a retina é selada com laser ou crioterapia.

O procedimento é indicado especialmente para descolamentos na parte superior da retina uma vez que a gravidade ajuda o gás a subir.

Depois do procedimento, a bolha de gás se dissolve naturalmente ao longo de semanas.

Nos descolamentos iniciais e bem definidos, a retinopexia pneumática tem boa eficácia e evita a realização de cirurgias de maior porte. No entanto, ela não é indicada para casos mais avançados.

Introflexão Escleral

A introflexão escleral é um procedimento no qual uma faixa de silicone é colocada ao redor do olho para empurrar a parede do olho para dentro, aproximando-a da retina.

A seguir, laser ou crioterapia são aplicados ao redor do rasgo para criar uma cicatriz permanente e selar a retina. Em alguns casos, o líquido subretiniano pode ser drenado.

Vitrectomia

Na vitrectomia, o cirurgião faz pequenas incisões na esclera (parte branca do olho) para remover o vítreo (gel transparente que preenche o interior do olho). O gel vítreo é então substituído por uma solução salina, gás ou silicone, que empurram a retina para o lugar. Por fim, laser ou crioterapia são aplicados ao redor do rasgo para criar uma cicatriz permanente e selar a retina.

Qual é o prognóstico do descolamento de retina?

Os avanços das técnicas cirúrgicas permitem atualmente recolocar a retina em sua posição normal na maioria dos pacientes.

Entretanto, a recuperação visual nem sempre acompanha o sucesso anatômico da cirurgia, especialmente quando o descolamento já afetou a mácula ou permaneceu sem tratamento por um período prolongado.

O prognóstico do descolamento de retina depende, dessa forma, principalmente da rapidez do diagnóstico e do tratamento, da extensão da área afetada e, sobretudo, do envolvimento da mácula — a região central da retina responsável pela visão de detalhes, leitura e reconhecimento de faces.

Quando o descolamento é diagnosticado antes de atingir a mácula (descolamento “mácula-on”), o prognóstico visual costuma ser excelente, sendo que muitos pacientes retornam a níveis de visão próximos aos anteriores ao descolamento.

Quando o descolamento já compromete a mácula, a cirurgia continua sendo fundamental e geralmente consegue recolocar a retina no lugar. No entanto, mesmo após uma cirurgia bem-sucedida, a recuperação visual ainda assim costuma ser mais limitada.

O prognóstico também varia conforme o tipo de descolamento:

·      Descolamentos regmatogênicos geralmente apresentam o melhor prognóstico quando diagnosticado e tratado precocemente.

·      No Descolamento tracional, o prognóstico depende principalmente da doença de base, especialmente nos casos relacionados à retinopatia diabética proliferativa.

·      Da mesma forma, nos casos de descolamento exsudativo a evolução depende da causa responsável pelo acúmulo de líquido sob a retina. Em alguns casos, o descolamento pode regredir após o tratamento da doença subjacente.