medicina e exercicio

Demência Pugilística (Encefalopatia Traumática Crônica)

O que é a Demência Pugilística?


A Demência Pugilística é uma forma de Encefalopatia Traumática Crônica. Ela decorre do dano cerebral causado por golpes repetitivos na cabeça.

A Encefalopatia Traumática Crônica é comum não apenas no boxe, mas também em outros esportes com traumas frequentes na cabeça. Entre eles, incluem-se outros esportes de combate, o rugby, o futebol americano e até mesmo o futebol (devido às cabeçadas na bola) (1).

A exposição persistente e prolongada a concussões e golpes sub-concussivos é apontada como o fator de risco mais importante.

Fatores como o número total de lutas, número de derrotas por nocaute, duração da carreira, frequência de lutas, idade de aposentadoria e estilo de luta estão implicados em uma maior ou menor incidência da demência pugilística.

Qual a incidência da Demência Pugilística?


Infelizmente, não existem estudos recentes de qualidade avaliando a incidência da Demência Pugilística. Estudos antigos mostram uma incidência de 17% em ex boxeadores profissionais (1).

Entretanto, estes números podem ser superestimados nos dias de hoje.

Isso porque diversas regras foram introduzidas nos esportes de combate para aumentar a segurança dos atletas. Entre elas, incluem-se:

    • Maior intervalo entre as lutas;
    • Regras pré-estabelecidas para a interrupção das lutas;
    • Avaliação médica de rotina pré competição, evitando-se que uma pessoa inicie a luta na presença de sinais clínicos de concussão cerebral.

Por outro lado, está claro atualmente que a Demência Pugilística não deve ser vista como uma consequência natural do boxe ou outros esportes com traumas repetitivos na cabeça. Pelo contrário, ela acontece em uma pequena porcentagem dos atletas.

Em um estudo com 388 boxeadores profissionais, a tomografia computadorizada foi normal em 93% deles e apresentou atrofia limítrofe em 6% (1).

Em outro estudo com 52 boxeadores feito com ressonância magnética, as alterações sugestivas da Encefalopatia Traumática Crônica foram em 15% deles (1).

A razão pela qual somente certas pessoas com trauma craniano repetitivo desenvolvem encefalopatia traumática crônica e quais são os riscos de desenvolvê-la são atualmente desconhecidos.

Sinais e sintomas da Demência Pugilística


Os principais sinais e sintomas da Demência Pugilística incluem:

      • Problemas com a memória
      • Tontura
      • Falta de equilíbrio / Marcha instável
      • Tremor
      • Falta de coordenação
      • Distúrbio de fala
      • Paranóia

Os sintomas em muitos casos aparecem de forma tardia, apenas 10 a 20 anos após a aposentadoria esportiva e a cessação da exposição ao traumatismo craniano repetitivo.

A progressão dos sintomas também é difícil de se prever. Muitos atletas permanecem com sintomas ao longo de toda a vida, enquanto outros podem ficar bastante incapacitados.

Esta progressão é observada em aproximadamente um terço dos atletas acometidos.

Diagnóstico da Encefalopatia Traumática Crônica


O diagnóstico da Encefalopatia Traumática Crônica é feito a partir da observação de sinais e sintomas consistentes com a doença em um atleta ou ex-atleta com história de traumas repetitivos na cabeça.

Além disso, não deve existir outra explicação mais provável para estas alterações.

Os exames de imagem podem ou não demonstrar as alterações características, sendo que um exame normal não exclui a doença.

O diagnóstico definitivo só poderá ser feito a partir do exame neuropatológico durante a autópsia, após a morte.

Tratamento


Não existe cura para a Demência Pugilística, mas muitos dos sintomas podem melhorar com o tratamento.

Alguns medicamentos podem ser usados para melhorar a memória, o pensamento e o julgamento, para reduzir as alucinações e outros problemas comportamentais.

Os medicamentos podem também ser usados para reduzir a tensão muscular ou tremores.

Entretanto, nenhuma destas medicações irá alterar o curso da doença.

Outras medidas não medicamentosas devem ser consideradas caso a caso a depender das limitações individuais, como discutido no artigo sobre Demência.