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Como controlar o ciúme?

Sabemos que nem sempre é fácil controlar o ciúme, e, para algumas pessoas, esse controle tende a ser ainda mais difícil.

Embora não exista uma única causa para o ciúme, ele pode estar relacionado com questões envolvidas com a autoestima da pessoa, bem como pode ser o reflexo de relacionamentos mal-sucedidos.

Pensar nesta temática, por mais doloroso que possa ser em alguns casos, é muito importante na hora de construir um relacionamento mais saudável.

Por isso, convidamos você para acompanhar este conteúdo até o fim. Esperamos esclarecer alguns pontos relacionados ao ciúme.

O que causa o ciúme?

Na realidade, o ciúme pode ser multifatorial. Ele pode aparecer como um reflexo do nosso cérebro, que sente que estamos sendo ameaçados por algo que acontece à nossa volta. Essa ameaça, por sua vez, pode ser detectada por conta da baixa autoestima, dos problemas vividos em relacionamentos passados, e assim por diante.

Porém, é importante salientarmos que cada caso é um caso e, por isso, é imprescindível investigar as causas do ciúme em sua vida. Se você sente que tem sido muito enciumado, questione-se a respeito disso e procure entender os potenciais gatilhos por trás desse sentimento.

Abaixo apontamos algumas das possíveis causas para que você já inicie a sua reflexão:

1. Baixa autoestima
Problemas de autoestima podem resultar no aparecimento de ciúmes dentro da relação. É como se a pessoa não se sentisse merecedora de estar com o outro, e isso a faz ter a sensação de que é diminuída e menos interessante. Ao se sentir assim, pode acreditar que outras pessoas do convívio do(a) parceiro(a) podem ser mais atraentes para ele(a).
Logo, o ciúme pode começar a aparecer como uma falta de confiança em si mesmo. Pensamentos como “ele(a) me trocaria facilmente” podem aparecer, afinal, a pessoa sente que sempre haverá alguém incrível que “roubará” o(a) parceiro(a).

2. Traumas vividos em relacionamentos passados
Uma pessoa que já sofreu traições pode ter “traumas” que ocasionam medo e angústia com relação ao relacionamento atual.
Isto é, se uma pessoa já sofreu uma traição que a causou muito mal, ela pode começar a acreditar que todas as pessoas, com as quais ela se relaciona, poderão traí-la.
Esse tipo de situação deve ser tratada na psicoterapia, para que seja possível viver o luto do relacionamento passado que foi mal-sucedido.

3. Comportamentos do parceiro e falta de diálogo
Em muitos casos, os comportamentos do(a) parceiro(a) podem servir de gatilho para o ciúme. É o caso de perceber que o(a) parceiro(a) apaga as mensagens que recebe nas redes sociais, ou vai a eventos sem comunicar o(a) parceiro(a).
Esses comportamentos, embora possam ser vistos como “inaceitáveis” pela pessoa que sente ciúme, muitas vezes não entram em pauta no diálogo existente entre o casal.
Isto é, além de os comportamentos servirem de estopim para o ciúme, muitas vezes a pessoa enciumada não fala que determinadas atitudes causam esse sentimento.
Essa falta de diálogo pode reforçar as ações vistas como “negativas” por um dos lados, o que aumenta o ciúme e a sensação ruim que ele provoca.
Nesses casos, conversar sobre o que desagrada, ser franco e sincero, sem invadir a liberdade alheia, é fundamental para a construção de uma relação sólida.

4. Medo de perder o parceiro
Sem dúvidas, o medo de perder o outro também é um dos principais estopins do ciúme. Em alguns casos, esse medo chega a ser extremo, o que resulta em casos de dependência emocional.
Isso porque, embora seja normal sentirmos um certo desconforto ao imaginar que perderemos a pessoa amada, essa sensação não pode ser exagerada a ponto de tornar a nossa relação desgastada, pesada e, até mesmo, agressiva e controladora.
Por isso, avalie se você tem medo de perder o seu parceiro ou se sente que está dependendo emocionalmente da outra pessoa para viver a própria vida. A busca pela psicoterapia, nesses casos, não deve ser descartada.

5. Necessidade de se autoafirmar
Muitas vezes o indivíduo pode sentir necessidade de se autoafirmar, ou seja, precisa ouvir e perceber que é “o melhor” para o(a) parceiro(a). Neste caso, demonstra um ciúme para que o(a) outro(a) perceba a situação e deixe claro que a pessoa enciumada é importante e tudo que o(a) outro(a) precisa para ser feliz.

6. Medo de sofrer o que causa ao outro
Não podemos deixar de mencionar que, em alguns casos, o traidor da relação pode ter muito ciúmes do(a) outro(a), por medo de sofrer exatamente o que comete.
Isso pode ser mais comum do que imaginamos, mas, claro, não quer dizer que seja uma regra. Isto é, nem toda pessoa que trai é super ciumenta, e nem todo super ciumento trai.
No entanto, esse comportamento pode sim ser a mola propulsora das crises de ciúmes.

Considerações importantes sobre o ciúme e suas causas

Além de analisarmos essas 5 causas, devemos considerar outros pontos: primeiro que as causas podem ser diversas, dentro das relações sociais, e uma análise mais profunda é importante para lidar com a situação.

Segundo que nem sempre o ciúme será patológico. Ele pode aparecer até mesmo nos relacionamentos mais saudáveis. Portanto, não patologize o ciúme. Apenas encare-o como um verdadeiro problema se ele estiver provocando impactos negativos no indivíduo enciumado, no parceiro ou no relacionamento de forma geral.

Caso contrário, se o ciúme for pontual e “leve”, a ponto de não causar sofrimento, este pode ser considerado “normal”.

Como controlar o ciúme?

Até aqui pudemos ter um apanhado geral dos principais motivos pelos quais uma pessoa pode desenvolver uma crise de ciúmes.
Agora, vamos analisar algumas ações que podem ajudar a controlá-lo. Acompanhe-nos:

1. Questione os gatilhos por trás do ciúme
Antes de cobrar o(a) parceiro(a), considere se questionar acerca dos gatilhos por trás do ciúme.
Quais são os reais motivos? Você está se sentindo inseguro? Percebeu algum comportamento deturpado? Seu parceiro fez algo que desagradou? Você ouviu algo de alguém? Leu alguma mensagem?
Às vezes, o sentimento de ciúme é forte e desgastante, mas quando pensamos em seu estopim, percebemos que ele pode nem ter tanto sentido assim.
Portanto, antes de “explodir” diante do(a) parceiro(a), considere entender os gatilhos por trás da sensação e busque esclarecer até que ponto se trata de algo real ou apenas imaginado.

2. Mantenha um diálogo aberto com o(a) parceiro(a)
Não esconda o que você sente ou o que você acha que é certo ou errado. Isto é, mantenha um diálogo sincero, respeitoso e aberto com o(a) parceiro(a).
Se você se sente afetado(a) com algum comportamento do outro, comunique a sensação. Você não precisa cobrar mudanças alheias, mas conversar sobre o que se sente é uma forma de atingir um “meio termo”, ou um “acordo”.
Por exemplo, se você se sente inseguro(a) quando a pessoa está “tocando” muito um outro indivíduo, enquanto conversa, comunique isso ao parceiro(a). Apesar de ele(a) não ter que acatar com tudo o que você fala, é possível que ele(a) mude o comportamento para criar uma atmosfera mais saudável na relação.
Lembre-se de que, em um relacionamento, devemos ceder e aceitar as características do outro. Isto é, às vezes teremos nossos desejos e caprichos atendidos, e em outros momentos não. Por isso, o diálogo constante e saudável precisa existir.
Afinal, se você só esconder que sente ciúmes, poderá “explodir” em algum momento, e o(a) outro(a) ficará sem entender.

3. Fortaleça a sua autoestima
Fortalecer a sua autoestima também é muito importante. Para tanto, comece a analisar quais são os seus pontos fortes, habilidades e qualidades.
Esse processo pode ser demorado, mas é muito enriquecedor. Inclusive, a psicoterapia pode ajudá-lo a encontrar, dentro de você, atributos que estão “adormecidos” aos seus olhos.
Além disso, cuidar da aparência, estudar, manter hábitos saudáveis e priorizar-se também contribui para o aumento da autoestima.
Faça coisas que você gosta, priorize a sua companhia, mantenha os cuidados com a saúde e com a aparência e valorize-se.

4. Pratique o autocuidado e estime a sua própria companhia
O autocuidado também deve fazer parte da sua rotina para controlar o ciúme. Isto é, cuide da sua pele, dos seus cabelos, da sua forma de se vestir e até mesmo da sua postura.
Inclusive, priorize momentos sozinho(a). Às vezes, nos vinculamos tanto ao outro, no relacionamento, que podemos nos esquecer de quem somos quando estamos sozinhos.
Sendo assim, faça aquele passeio que você gosta, estude algo que tem vontade, curta a sua companhia no fim de tarde, enfim.
Você não precisa estar sempre por perto do outro. Em muitos momentos, a nossa companhia é o bastante para nós.

5. Viva o luto de relações passadas
Se você sofreu com traições nas relações passadas, é importante atravessar o processo de luto que isso pode provocar.
Isto é, apenas “engolir” a situação e fingir que nada aconteceu pode acarretar em um aprofundamento do problema, transformando-o em um verdadeiro “trauma”.
Na psicoterapia é possível trabalhar essas questões, bem como no dia a dia, ao viver o luto e falando/escrevendo sobre ele, ouvindo as suas emoções e tentando nomeá-las, e assim por diante.

6. Alinhem as expectativas do relacionamento
Um relacionamento amoroso possui, praticamente, um “contrato”, mesmo quando ele não é explícito.
Por exemplo, se vocês dizem que estão em um relacionamento sério, espera-se que ninguém esconda nada de ninguém, certo? Porém, é preciso deixar claro as “cláusulas” do relacionamento.
Às vezes, você está se relacionando com uma pessoa que não tem a intenção de construir um relacionamento duradouro, como um casamento. E a falta de comunicação e esclarecimento das expectativas pode resultar em um problema mais tarde.
Sendo assim, para controlar o ciúme de forma mais equilibrada, considere alinhar as expectativas. Saiba mais sobre o que o outro espera da relação, quais são os “limites” que devem ser mantidos (por exemplo, vocês aceitam que um ou o outro mantenham contato direto com ex?), entre outros pontos. Conversar sobre essas expectativas é uma forma de deixar tudo claro na relação, e evitar frustrações e decepções.

7. Você não confia no(a) parceiro(a)? Comunique
Pense um pouco sobre isso: você quer controlar o ciúme por quê? Por que não confia no(a) parceiro(a)?
Se você sente que não consegue confiar no(a) parceiro(a), comunique isso a ele(a). Tente manter a racionalidade nessa comunicação, dizendo os motivos pelos quais essa falta de confiança surgiu.
Desse modo, quem sabe, vocês poderão esclarecer pontos que causaram esse desconforto em você.
Por exemplo, se você sente que o(a) seu(sua) parceiro(a) não é confiável porque ele(a) tem senha no celular, converse sobre isso. Obviamente, você não deve obrigar que ele(a) tire a senha, mas ter essa conversa pode ajudar a esclarecer a situação.

8. Faça psicoterapia para lidar com questões traumáticas
A psicoterapia pode ter um papel muito importante no processo de controlar o ciúme. Por meio dela você pode:

  • Praticar o autoconhecimento.
  • Fortalecer a autoestima.
  • Entender os gatilhos por trás do ciúme e aprender a lidar com muitos deles.
  • Aprender a se posicionar no relacionamento.
  • Desenvolver sua inteligência emocional.
  • Entre outros pontos.

9. Respire fundo e tente pensar racionalmente
Quando o sentimento negativo surgir com força, tente controlar o ciúme respirando profundamente e tentando pensar de forma mais racional na situação.
Será que faz sentido impedir que o(a) parceiro(a) tenha amigos? Será que faz sentido querer saber todos os passos do(a) parceiro(a)?
Tente analisar a situação por um olhar mais crítico e menos pautado na emoção. Se precisar de um tempo para assimilar o que sente e assim refletir racionalmente, considere fazer essa pausa.
Apenas tome o cuidado de não “explodir” diante de uma crise de ciúme, pois isso pode machucar ambos os lados presentes no relacionamento.

10. Cuidado com as comparações
Nunca compare você ou o seu relacionamento. Essas comparações podem causar um abalo na autoconfiança, resultando em crises de ciúme sem sentido.
Isto é, comparar a sua aparência com a de uma pessoa da revista pode diminuir a sua autoestima, resultando em mais desconfiança para com o outro.
Do mesmo modo, se você se compara com as pessoas do convívio do(a) parceiro(a), o sentimento de insegurança pode surgir.
Sendo assim, ao invés de ver o que o outro tem e você não (embora nunca saibamos 100% o que o outro tem), concentre-se em suas próprias qualidades e habilidades que podem ser desenvolvidas.

11. Cuide da sua vida social e demais laços que possui
O isolamento social pode ser um dos estopins do ciúme. Isso porque o indivíduo enciumado pode querer se manter perto do(a) amado(a) o tempo todo, sem dar importância para outras relações.
Porém, essa falta de vida social pode resultar em um comportamento de dependência, além de ser um problema quando o outro interage com pessoas de fora do relacionamento.
Afinal, pode-se criar o imaginário de que “se eu não estou interagindo com outras pessoas, ele(a) também não precisa”.
No entanto, esse pensamento é uma inverdade. Nós somos seres sociais e precisamos fortalecer laços com amigos e familiares para termos mais saúde mental e qualidade de vida.
Portanto, cuidado com o isolamento e não se esqueça de cultivar relações saudáveis. Nem tudo gira em torno do relacionamento.

12. Tente se colocar no lugar do outro
Antes de “explodir” durante uma briga, tente se colocar no lugar do outro. Será que você gostaria que o(a) parceiro(a) “explodisse” com acusações diante de você? Será que você se sentiria feliz com ofensas sem fundamento?
Pense sob essa perspectiva e analise como tem sido os seus comportamentos. Essa reflexão pode ajudar a controlar o ciúme, pois nos ajuda a entender como podemos estar passando nossa mensagem para o outro.
Afinal, o outro não tem culpa da nossa insegurança e dos nossos traumas, se ele não foi o causador. Essas questões pessoais merecem e devem ser tratadas em psicoterapia.

O ciúme saudável pode ajudar a fortalecer o compromisso

Lembre-se de que o ciúme pontual, leve e saudável também pode ser um fator fortalecedor para o relacionamento. Afinal, o ciúme pode ser o reflexo de um medo de perder o outro, logo, esse medo pode nos ajudar a se engajar mais em nosso relacionamento, priorizando o(a) parceiro(a) em alguns momentos e estreitando o laço.

Quando isso acontece de forma natural e leve em ambos os lados, a relação tende a se desenvolver de forma positiva.

Por isso, não encare todo ciúme como negativo. Às vezes, ele pode servir de estopim para o fortalecimento do laço.

Ciúme controlador pode ser tratado com psicoterapia

A psicoterapia é uma alternativa para lidar com o ciúme controlador e obsessivo, bem como com o ciúme mais leve. Se você sente que tem sido extremamente impulsivo com o seu parceiro, e percebe que os comportamentos enciumados estão prejudicando a relação, busque ajuda.
Por meio do processo psicoterapêutico muitas questões poderão ser ressignificadas.
Inclusive, a terapia de casal também poderá ser proveitosa nesse sentido. Considere essa possibilidade e busque mais qualidade de vida dessa forma.
Referências
BARONCELLI, L. Amor e ciúme na contemporaneidade: reflexões psicossociológicas. • Psicol. Soc. 23 (1) • Abr 2011.

CANEZIN, Paulo Franklin Moraes; ALMEIDA, Thiago de. O ciúme e as redes sociais: uma revisão sistemática. Pensando fam., Porto Alegre , v. 19, n. 1, p. 142-155, jun. 2015 .