Cisto Pilonidal
O que é o Cisto Pilonidal?
O cisto pilonidal é uma doença inflamatória crônica que se desenvolve na região do cóccix, no sulco entre as nádegas. A condição ocorre quando pelos penetram a pele e desencadeiam uma reação inflamatória local, levando à formação de pequenas cavidades e trajetos sob a pele que podem conter pelos, secreções e tecido inflamado.
A doença é mais comum em adolescentes e adultos jovens, especialmente homens, pessoas com muitos pelos corporais, obesidade ou que permanecem sentadas por longos períodos. Embora não esteja relacionada à falta de higiene, fatores como atrito local, suor excessivo e pressão repetida sobre a região parecem contribuir para o seu desenvolvimento.
Em muitos casos, o cisto pilonidal permanece assintomático durante anos. Entretanto, quando ocorre infecção da cavidade, podem surgir dor intensa, vermelhidão, inchaço e formação de um abscesso com acúmulo de pus. Alguns pacientes desenvolvem drenagem recorrente de secreção através de pequenos orifícios na pele, caracterizando a forma crônica da doença.
Qual a causa do Cisto Pilonidal?
A causa exata dos cistos pilonidais não é clara.
Por motivos desconhecidos, os pelos passam a crescer para dentro da pele, O corpo então reage ao pelo encravado como um corpo estranho, gerando uma reação local e formando um cisto ao seu redor.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a higiene pessoal não tem influência no aparecimento do cisto pilonidal.
Fatores de risco
O cisto pilonidal se forma geralmente pela combinação de aumento da pilificação local com fatores que aumentam a pressão sobre a pele.
Pessoas com maior quantidade de pelos, desta forma, têm maior risco para formar o cisto. Isso é mais comum em homens. Ainda assim, o cisto pode também ser observado em mulheres sem pelos na área do cisto.
Cortar os pelos com uma lâmina de barbear, por outro lado, pode favorecer os pelos a “crescerem para dentro”, o que aumenta o risco para desenvolver um cisto pilonidal.
Já a maior pressão na pele justifica o fato de os cistos serem mais comuns em obesos e pessoas que passam muito tempo sentadas no trabalho.
Sintomas do Cisto pilonidal
O cisto pilonidal pode se apresentar de diferentes formas, com sintomas igualmente diferentes.
No início ele se caracteriza por uma bolsa de pelos que se comunica com a pele por pequenos orifícios, chamados de sinus pilonidal.
Muitos pacientes não percebem o cisto neste momento, que se desenvolve de forma assintomática na maior parte das vezes. Eventualmente, o paciente pode sentir uma pequena nodulação ao passar a mão sobre o cisto. Pode também sentir um pequeno incomodo ao sentar.
Quando o orifício externo do cisto é ocluído ou ocorre um trauma local, pode ocorrer a infecção do cisto, levando à formação de um abscesso. Náusea, febre e fadiga extrema podem estar presentes.
Caso não seja tratado precocemente, o cisto tende a formar um trajeto de drenagem para a pele, denominado de fístula pilonidal. Passa então a ocorrer vazamento de pús, com ou sem a presença de sangue. O cheiro é bastante desagradável.
Geralmente o orifício de drenagem da secreção é único e se situa na linha média. Mas, dependendo da intensidade do processo infeccioso, pode-se observar mais de um orifício fistuloso, às vezes, fora da linha média e próximo ao ânus. Nestes casos, ela pode ser confundida com uma fístula perianal.
Abscesso perianal vs. cisto pilonidal
O abscesso perianal e o cisto pilonidal são duas doenças que podem causar dor, vermelhidão e inchaço próximos à região anal.
O abscesso perianal é uma infecção das glândulas localizadas no canal anal, levando ao acúmulo de pus ao redor do ânus. Já o cisto pilonidal é uma inflamação crônica que ocorre na pele da região entre as nádegas, geralmente relacionada à penetração de pelos na pele.
Uma pista importante para diferenciar as duas condições é a localização da dor. O abscesso perianal surge muito próximo ao ânus e costuma causar dor intensa ao sentar, caminhar ou evacuar. Já o cisto pilonidal geralmente aparece alguns centímetros acima do ânus, no sulco entre as nádegas, frequentemente associado à presença de pequenos orifícios na pele ou saída recorrente de secreção.
Na tabela abaixo, mostramos as principais diferenças entre ambas as condições:
| Característica | Abscesso perianal | Cisto pilonidal |
| O que é? | Coleção de pus causada por infecção das glândulas anais | Inflamação ou infecção de cistos e trajetos formados por pelos na região glútea |
| Localização | Ao redor do ânus | Sulco entre as nádegas, geralmente acima do ânus |
| Faixa etária mais comum | Adultos jovens e de meia-idade | Adolescentes e adultos jovens |
| Sintoma principal | Dor anal intensa e contínua | Dor e inchaço na região sacrococcígea |
| Inchaço local | Comum | Comum |
| Vermelhidão da pele | Frequente | Frequente durante episódios inflamatórios |
| Febre | Pode ocorrer | Pode ocorrer quando há infecção importante |
| Secreção purulenta | Comum após drenagem espontânea ou ruptura | Pode ocorrer de forma recorrente através de pequenos orifícios na pele |
| Relação com evacuação | A dor geralmente piora ao sentar e pode ser agravada pelas evacuações | Geralmente não está relacionada à evacuação |
| Possibilidade de fístula | Relativamente frequente após o abscesso | Pode formar trajetos e cavidades crônicas, mas não fístulas anais verdadeiras |
| Tratamento principal | Drenagem cirúrgica do abscesso | Drenagem da infecção aguda e, em muitos casos, cirurgia para remoção da doença pilonidal |
Complicações do cisto pilonidal
As complicações mais comuns do cisto pilonidal são a formação de abscessos, a recorrência ou persistência crônica da doença e o desenvolvimento de fístulas.
Infecção recorrente
A complicação mais comum do cisto pilonidal é a infecção recorrente.
Independentemente do tratamento adotado, há sempre o risco de recidiva do cisto. Mesmo com a remoção do cisto e do trajeto fistuloso, a recorrência é de aproximadamente 10 a 15%
Essas recorrências são mais comuns na presença de fatores predisponentes, como pelos abundantes, atrito local ou longos períodos sentados.
Alguns pacientes desenvolvem doença pilonidal crônica, caracterizada por episódios repetidos de inflamação, drenagem persistente de secreção e dificuldade de cicatrização. Essa condição pode causar desconforto contínuo, limitar atividades do dia a dia e frequentemente requer tratamento cirúrgico definitivo.
Abscesso
O abscesso se caracteriza pelo acúmulo de pus dentro da cavidade inflamada, provocando dor intensa, vermelhidão, inchaço e dificuldade para sentar ou caminhar.
Fístula
A inflamação crônica pode levar ao desenvolvimento de pequenos canais que conectam diferentes áreas da lesão à superfície da pele, frequentemente acompanhados por drenagem recorrente de secreção ou pus.
Tratamento
O tratamento depende da fase em que se encontra a doença:
Tratamento do Sinus Pilonidal
A fase do Sinus Pilonidal é geralmente assintomática. Na maior parte dos pacientes, nenhum tratamento será necessário.
Eventualmente, poderá ser indicado o tratamento com laser, para a remoção dos pelos no local. Entretanto, este procedimento apenas reduz a chance de formar novos cistos ele não terá efeito sobre os cistos já existentes.
Tratamento do abscesso
Na presença de um abscesso, ele deve ser drenado. Uma pequena incisão é feita sobre o abscesso, permitindo a saída do pús. Isso poderá ser feito no consultório médico ou no centro cirúrgico, a depender do caso.
Em casos mais graves, poderá ser indicado o uso de antibióticos após a drenagem.
Este procedimento leva a uma melhora significativa da dor e da vermelhidão. Entretanto, habitualmente ele não levará à cura da doença. Após a drenagem, o paciente fica com uma fístula, com saída frequente de secreção nas roupas íntimas.
Tratamento da fístula pilonidal
A fístula aparece após a drenagem espontânea ou cirúrgica do cisto pilonidal. Nesta fase, há uma melhora no processo inflamatório e infeccioso, permitindo então o tratamento definitivo da doença pilonidal.
A fístula pode ser tratada com ou sem cirurgia.
O tratamento sem cirurgia envolve a injeção local de Fenol a 80%, com o objetivo de provocar a esclerose do folículo piloso e da fístula.
O procedimento é feito pelo coloproctologista em consultório sem anestesia. Entretanto, geralmente são necessárias algumas sessões para o efeito desejado. O índice de recidiva com esta técnica chega a até 30% (1).
Já o tratamento cirúrgico envolve a remoção cirúrgica da pele, do cisto e do seu trajeto fistuloso.
O procedimento é feito no centro cirúrgico de forma eletiva, com raquianestesia ou peridural com sedação. Ele dura por volta de 20 minutos.
Após a remoção do cisto, a pele pode ser deixada aberta ou poderá ser feita a sutura (pontos) para fechamento da pele.
Quando a ferida é deixada aberta, o tempo de cicatrização é maior. Entretanto, o risco de recorrência é menor.
Tratamento da Recorrência do Cisto
Na maior parte das vezes, a recorrência decorre de uma remoção incompleta. Isso acontece porque mais de um cisto pode estar presente, sendo que estes cistos são ligados por túneis sob a pele.
No caso de recorrência, procedimentos adicionais poderão ser indicados.