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Ceratocone

O que é ceratocone?

O ceratocone é uma condição que faz com que a córnea (a superfície transparente na frente do olho) gradualmente fique mais fina e protuberante, com formato de cone.

Como consequência, o paciente desenvolve condições como miopia e astigmatismo, resultando em visão embaçada e distorcida.

Esta condição geralmente se inicia na adolescência e pode piorar gradualmente até o início da vida adulta.

A doença afeta cerca de 150 mil brasileiros por ano e é a principal causa de transplante de córnea no país, sendo responsável por até 70% desses procedimentos em algumas regiões.

Qual a causa do ceratocone?

A causa exata do ceratocone é desconhecida. No entanto, acredita-se que fatores genéticos e ambientais estejam envolvidos.

Cerca de 10% das pessoas com ceratocone também tem um pai com o mesmo problema.

Além do histórico familiar, outras condições que podem contribuir para o desenvolvimento do ceratocone incluem:

  • Esfregar os olhos vigorosamente;
  • Condições como alergias, eczema, síndrome de Down ou síndrome de Ehlers-Danlos.

Sinais e sintomas do ceratocone

Os sinais e sintomas do ceratocone podem mudar à medida que a doença progride. No entanto, as queixas mais comuns incluem:

  • Visão embaçada ou distorcida;
  • Maior sensibilidade à luz e brilho (fotofobia);
  • Visão noturna prejudicada, com problemas para dirigir à noite;
  • visão dupla ou com sombras;
  • Necessidade de trocar frequentemente o grau dos óculos.

Diagnóstico

O diagnóstico do ceratocone é feito a partir de um exame oftalmológico abrangente.

Isso inclui a medição repetitiva da forma e da espessura da córnea, o que é feito por meio de um equipamento chamado de topógrafo.

Tratamento

No ceratocone inicial, o tratamento foca em corrigir a visão por meio de óculos ou lentes de contato. O crosslinking intracorneano poderá também ser indicado  com o objetivo de tentar estabilizar a evolução da doença, especiamente nos casos em que a lesão esteja progredindo.

Quando a doença avança e as lentes de contato não estiverem mais sendo suficientes, os aneis intracorneanos poderão ser considerados.

Estima-se que cerca de 21% dos pacientes que sofrem com ceratocone evoluem com doença progressiva e grave e acabam precisando em algum momento do transplante de transplante de córnea.

Crosslinking corneano

O crosslinking é um procedimento que busca fortalecer as fibras de colágeno da córnea, interrompendo ou reduzindo a progressão do ceratocone.

Ele é indicado em fases iniciais e moderadas da doença, quando se observa uma piora progressiva da doença. Além disso, é preciso observar as seguintes condições:

  • A espessura corneana deve ser maior ou igual a 400 micra
  • A curvatura corneana deve ser inferior a 70 dioptrias
  • Não podem haver cicatrizes corneanas centrais.

Durante a cirurgia de crosslinking, é aplicada vitamina B2 (riboflavina) na superfície da córnea e, seguido pela exposição da área à luz ultravioleta. Esse processo cria ligações mais fortes entre as fibras de colágeno na córnea, fortalecendo e impedindo a progressão do ceratocone.

Após a aplicação da luz, uma lente de contato terapêutica é colocada sobre a córnea. Essa lente atuará como uma espécie de curativo, enquanto o epitélio cicatriza. A lente é retirda após aproximadamente sete dias.

Além da lente terapêutica, o paciente deverá utilizar um colírio antibiótico por cerca de sete dias e um colírio anti-inflamatório por, aproximadamente, um mês.

Outros cuidados durante esse período inicial incluem:

  • Não frequentar locais com muita poeira;
  • Não fazer atividades físicas intensas, embora sem necessidade de repouso completo;
  • Não entrar na piscina ou mar.
  • Não ficar esfregando as mãos nos olhos.

A visão ficará um pouco embaçada no início, mas tende se recuperar ao longo do primeiro mês. É comum também que ocorra sensibilidade à luz, sendo recomendado o uso de óculos escuro de qualidade durante os seis primeiros meses.

Anel Intracorneano (Anel de Ferrara)

Os anéis intracorneanos são pequenos implantes semicirculares de acrílico inseridos cirurgicamente na camada intermediária da córnea, com o objetivo de remodelar a curvatura da córnea. Dessa forma, eles reduzem a irregularidade da córnea, melhoram a acuidade visual e permitem uma melhor adaptação às lentes de contato.

Eles são indicados no tratamento do ceratocone progressivo moderado a grave, quando óculos ou lentes de contato não proporcionam mais correção visual adequada ou estão causando desconforto, podendo postergar ou evitar o transplante de córnea nesses casos.

O procedimento é minimamente invasivo, realizado com anestesia local. Um pequeno túnel é criado na córnea, muitas vezes com a ajuda de um laser de femtossegundo, onde o anel é então inserido. Uma vantagem importante desse procedimento é que o ele é reversível, ou seja, os anéis podem ser removidos ou substituídos, se necessário.

Os anéis intracorneanos não tratam a causa do ceratocone, apenas a consequência biomecânica. Dessa forma, é preciso deixar claro que eles não interrompem a progressão da doença (diferente do crosslinking).

Transplante de Córnea

O transplante de córnea envolve a remoção da área doente da córnea e sua substituição por uma córnea doadora saudável removida de um cadáver. Os resultados com transplante geralmente são excelentes para ceratocone.

Discutimos mais sobre o Transplante de Córnea em um artigo específico.