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Câncer de boca

O que é o câncer de boca?

Cânceres de boca englobam um conjunto de neoplasias malignas que afetam estruturas como lábios, língua, gengivas, bochechas, céu da boca (palato) e assoalho da boca (região embaixo da língua).

90% deles se desenvolvem nas células escamosas que revestem essas estruturas.

O câncer de boca é o quinto tipo mais comum de neoplasia maligna entre homens e o 13º entre as mulheres. A incidência é maior em tabagistas e pessoas com consumo frequente de bebidas quentes. São mais comuns a partir dos 40 anos, embora estudos demonstrem uma incidência crescente entre 30 e 40 anos de idade.

Sinais e sintomas de câncer de boca

O câncer de cavidade oral geralmente se manifesta como  um caroço ou ferida que não desaparece. Ela pode ter coloração esbranquiçada (leucoplástica), avermelhada (eritroplastica), pode ser vegetativa, ulcerada ou ter uma combinação dessas características. Geralmente são indolores e endurecidas, mas tendem a sangrar mais facilmente ao tocá-la ou mordê-la do que o restante da mucosa oral.

Quais as causas do câncer de boca?

Tabagismo

O câncer de boca é 5 vezes mais comum entre fumantes em comparação com não fumantes. O prognóstico está associado à quantidade de tabaco e a duração do tabagismo.

Pacientes que seguem fumando durante o tratamento têm pior prognóstico e maior risco de um segundo câncer na cavidade oral comparado com aqueles que abandonaram o tabagismo.

Álcool

O álcool, isoladamente, não é considerado um fatore de risco para o câncer de boca. No entanto, em combinação com o tabagismo, ele potencializa o risco.

Radiação em cabeça e pescoço

Passoas que fizeram radioterapia devido a um câncer prévio na região do pescoço apresentam risco aumentado para câncer na cavidade oral, devido ao dano celular provocado pela radiação.

Alguns casos podem se desenvolver até mesmo em um longo tempo após a radiação.

Bebidas quentes

bebidas muito quentes e o aumento do risco de câncer de boca, língua e esôfago. O perigo não está no tipo de bebida em sí (café, chá, chimarrão), mas sim na temperatura elevada.

Diagnóstico do câncer de boca

O diagnóstico do câncer de boca é feito a partir da identificação de uma lesão suspeita. Essas lesões podem ser observadas pelo próprio paciente ao se olhar no espelho, especialmente durante a escovação dental. Em alguns casos, elas serão identificadas durante uma avaliação odontológica de rotina.

Citologia Esfoliativa

Ao se identificar uma área anormal suspeita, uma citologia esfoliativa poderá ser realizada. Nessa técnica, a lesão ou área suspeita é raspada com uma escova e as células removidas são enviadas para estudo histopatológico.

No laboratório, a amostra é tingida com um corante específico, o qual permite a visualização de células cancerígenas ao microscópio. Na presença de células anormais, a região será biopsiada.

Biópsia

O diagnóstico definitivo do câncer é feito por meio da biópsia. Nas lesões mais superficiais, ela é feita com anestesia local. Já nas lesões mais profundas, ela poderá ser feita no centro cirúrgico por meio de endoscopia com anestesia geral.

A endoscopia é um exame que utiliza uma pequena câmera para examinar a boca e a garganta, dando acesso à lesão a ser biopsiada.

Pequenas lesões podem ser completamente removidas e encaminhadas ao laboratório. Nesses casos, a biópsia é chamada de excecional e servirá não apenas para diagnóstico, mas também como tratamento da lesão.

Nas lesões maiores, a biópsia retira apenas uma pequena amostra da lesão para análise em laboratório, sendo nesses casos chamada de biópsia incisional.

A biópsia não apenas confirma o diagnóstico do câncer, mas permite também identificar o tipo histológico, a graduação do tumor (indicativo da agressividade do mesmo) e a presença de infecção por HPV.

Estadiamento do câncer de boca – Sistema TNM

Uma vez feito o diagnóstico do câncer de língua, outros exames são indicados para avaliar a extensão do câncer e se ele já se espalhou localmente ou para outras partes do corpo, o que será fundamental para a escolha do tratamento e para determinar o prognóstico. Essa avaliação, chamada de Estadiamento do Câncer, levando em conta três fatores:

  • Tamanho do tumor (T)
  • Acometimento de linfonodos regionais (N)
  • Presença de metástases (M)

O tamanho do tumor é avaliado pela mesma biópsia feita para o diagnóstico do câncer de língua.

O acometimento de linfonodos regionais deve ser avaliado por uma combinação de palpação das cadeias linfonodais, durante o exame físico feito pelo cirurgião de cabeça e pescoço, com exames de imagem, especialmente a tomografia cervical com contraste. Na maior parte das vezes, as metástases acometem os linfonodos cervicais ipsilaterais (mesmo lado da lesão).

Quando há acometimento de linfonodos cervicais, exames adicionais devem ser realizados para buscar eventuais metástases a distância, incluindo tomografia de tórax e abdome, cintilografia óssea e PET-CT.

T: TAMANHO
T Tx O tumor primário não pode ser avaliado.
Tis Carcinoma in situ. É um câncer muito precoce, onde as células cancerígenas são encontradas apenas em uma camada de tecido.
T1 O tumor tem 2 cm ou menos em sua maior dimensão. Pode ter invadido os tecidos próximos a uma profundidade de 5 mm ou menos.
T2 O tumor tem 2 cm ou menos, mas a profundidade da invasão é superior a 5 mm. 

Ou

O tumor tem entre 2 e 4 cm, desde que a profundidade de invasão seja não superior a 10 mm.

T3 Tumor ente 2 cm e 4 cm. A profundidade da invasão é superior a 10 mm. 

Ou

o tumor é maior do que 4cm, desde que a profundidade de invasão seja inferior a 10mm.

T4 Doença localmente mais avançada.
T4a O tumor começou no lábio, mas invadiu o osso ou se espalhou para o nervo alveolar inferior na boca, assoalho da boca ou pele da face.
T4b O tumor é maior que 4 cm e a profundidade da invasão é maior que 10 mm. 

Ou

o tumor invadiu estruturas próximas na boca, como mandíbula, seios nasais ou pele da face.

T4c O tumor invadiu os músculos e ossos que formam a boca ou a base do crânio e/ou envolve as artérias internas.
N: LINFONODOS
N Nx Os gânglios linfáticos regionais não podem ser avaliados.
N0 Não há evidência de câncer nos gânglios linfáticos regionais.
N1 O câncer se espalhou para um único linfonodo do mesmo lado do tumor primário, e o câncer encontrado no linfonodo é de 3 cm ou menor. Não há extensão para fora do linfonodo.
N2 N2a O câncer se espalhou para um único linfonodo do mesmo lado do tumor primário. Ele é maior que 3 cm, mas não maior que 6 cm. Não há extensão para fora do linfonodo.
N2b O câncer se espalhou para mais de um linfonodo do mesmo lado do tumor primário e nenhum mede mais de 6 cm. Não há extensão para fora do linfonodo.
N2c O câncer se espalhou para mais de um linfonodo em ambos os lados do corpo, mas nenhum mede mais de 6 cm. Não há extensão para fora do linfonodo.
N3 N3a O câncer é encontrado em um linfonodo e tem mais de 6 cm. Não há extensão para fora do linfonodo.
N3b Existe extensão para fora do linfonodo, em qualquer linfonodo.
M: METÁSTASES
M M0 Ausência de metástases
M1 Presença de metástases

Estágios do câncer de boca

Com base no sistema TNM, o câncer de boca é dividido em quatro estágios:

Estágios do câncer de boca
Estágio TNM
0 Carcinoma in situ (TisN0M0)
1 T1N0M0
2 T2N0M0
3 T3N0M0, T1 a T3, N1, M0
4 4a T4a, N0 ou N1, M0 ou T1 a T4a, N2, M0
4b Qualquer T, N3, M0 ou T4b, qualquer N, M0
4c Qualquer T, qualquer N, M1

Tratamento do câncer de boca

carcinoma in situ (Estágio 0)
O tratamento é cirúrgico, geralmente por meio da técnica de Mohs.
Neste procedimento, o tumor é removido camada por camada, examinando cada camada sob o microscópio, até que não restem células anormais.
Ele permite que as células cancerígenas sejam removidas sem tomar uma quantidade excessiva de tecido saudável ao redor.
O acompanhamento é importante para observar quaisquer sinais de recorrência do câncer. Caso isso aconteça, a radioterapia pode ser indicada.
Além disso, todos os esforços devem ser feitos no sentido do abandono do tabagismo.

Estágios I e II
A maioria dos pacientes com câncer de cavidade oral estágio I ou II evolui bem quando tratados com cirurgia e/ou radioterapia.
Em alguns pacientes, a quimioterapia pode ser indicada junto com a radioterapia.
Tanto a cirurgia quanto a radioterapia funcionam igualmente bem no tratamento desses tipos de câncer.
A escolha depende de suas preferências individuais e dos potenciais efeitos colaterais, incluindo como o tratamento pode afetar sua aparência, como você engole e fala.

Estágios III e IVA
O tratamento geralmente envolve a remoção cirúrgica tanto do tumor com de linfonodos regionais.
Geralmente, a cirurgia é seguida por tratamento com radioterapia, com ou sem quimioterapia combinada.

Estágios IVB e IVC
Pessoas com câncer em estágio IVB que não podem ser removidos por cirurgia ou que estão muito fracas para cirurgia podem ser tratadas apenas com radiação.
Em alguns casos, o tratamento pode ser feito com quimioterapia e radioterapia combinada ou com quimioterapia seguido por radioterapia.
Já os cânceres em estágio IVC geralmente são tratados com quimioterapia, imunoterapia ou ambos.
A radiação também pode ser usada, com foco em aliviar os sintomas causados pelo câncer.

Qual o prognóstico do câncer de boca?

O Prognóstico do câncer na cavidade oral depende do estágio da doença, conforme a tabela abaixo.

Sobrevida em 5 anos do câncer de cavidade oral
Estágio Cavidade oral labio
I 68% 83%
Ii 53% 73%
Iii 41% 62%
IV 27% 47%

Consequências de longo prazo do câncer de boca

O câncer de boca pode gerar consequências tanto funcionais quanto estéticas.

Do ponto de vista funcional, a radioterapia pode danificar as glândulas salivares, levando a um quadro de boca seca. A boca seca aumenta o risco para cáries e pode contribuir para dificuldades com a mastigação e a fala.

A fibrose muscular pós-radioterapia pode também causar dificuldade de abertura da boca, com consequências relacionadas tanto com a alimentação como com a higiene bucal.

No caso de esvaziamento cervical, o paciente pode desenvolver linfedema cervical, sensação de peso e redução na mobilidade do pescoço.

Além de todas as consequências discutidas acima, há também algumas consequências especificamente relacionadas ao câncer de língua. A ressecção pode provocar uma fala arrastada, com dificuldade em certos fonemas linguais (t, d, l, n, r), fadiga vocal e menor inteligibilidade.

Do ponto de vista alimentar, a ressecção da língua dificulta a manipulação do bolo alimentar, provocando engasgos frequentes e, em alguns casos, desnutrição.

A fonoaudiologia de longo prazo é fundamental para minimizar os impactos da doença tanto em relação à alimentação quanto em relação à fala.