Behaviorismo
O Behaviorismo é uma abordagem psicológica que foca no comportamento humano, com base em uma série de conceitos que foram desenvolvidos com base em experimentos e análises minuciosas.
Trata-se de uma corrente teórica que a própria Terapia Cognitiva-comportamental “bebeu da fonte”, uma vez que traz à tona uma série de fatores relacionados à personalidade, aos comportamentos em detrimento do que acontece em nossa volta, etc.
O Behaviorismo pode ser considerado como uma teoria complexa, com ramificações bem importantes, que não seria possível esgotar apenas neste conteúdo. Por isso, selecionamos algumas considerações sobre o assunto para que você possa começar a compreender melhor o que essa teoria tem a nos dizer. Acompanhe.
O que é Behaviorismo?
Quando pensamos na palavra Behaviorismo, percebemos que ela é vinculada à palavra behavior que, em inglês, significa “comportamento”. Sendo assim, o Behaviorismo nada mais é do que uma abordagem que foca seus estudos e análises no comportamento humano. Isso significa que fatores envolvidos com introspecção e mentalismo são descartados dos processos de estudos dessa abordagem – embora não sejam considerados inexistentes, obviamente.
Assim sendo, o Behaviorismo foca no comportamento em si, e não em “algo que possa tê-lo causado”, de dentro para fora. Há uma visão de que o meio e o contexto é que ocasionam os reflexos comportamentais nos humanos – e inclusive nos animais.
Isto é, os comportamentos humanos ocorrem em decorrência das ações que acontecem à sua volta. Se um aluno tira nota baixa, ele poderá mudar o seu comportamento diante disso, moldando-se à medida que o seu contexto e as contingências vão atravessando o seu caminho.
O Behaviorismo pode ser encarado como uma abordagem positivista, que exclui a ideia que se tinha, na Idade Média, de que o homem tem alma.
Essa teoria também surge como uma visão contrária ao mentalismo, excluindo a introspecção e tudo que pudesse ter relação com algo não visível e não palpável. Por isso, o Behaviorismo começou a colocar esforços e muita energia no que é mensurável, nos dados objetivos, como a análise do comportamento que é visto, enxergado e catalogável, para assim poder compreender os comportamentos humanos, sua personalidade, atitudes e ações.
Por conta dessa visão focada no comportamento, muitas pessoas podem encarar o Behaviorismo como algo “ruim”. Mas vale ressaltar que em momento algum a teoria diz que a mente não existe, ou que os pensamentos são “inúteis”, ela apenas foca no que é mais objetivo e visível, para assim implementar suas intervenções, com base em experimentações.
Alguns aspectos importantes do Behaviorismo
Como mencionado anteriormente, o Behaviorismo possui ramificações e conceitos bastantes complexos, que seria impossível colocarmos tudo em palavras neste texto. No entanto, selecionamos alguns aspectos primordiais da teoria, visando oferecer a você um suporte inicial sobre a temática. Veja:
1. Condicionamento
De maneira sucinta, o Behaviorismo defende a ideia de que os comportamentos humanos podem ser desenvolvidos e estimulados por meio de condições externas que os levem a cometer tais atos. Dentro desse conceito de condicionamento, temos as seguintes opções:
- Condicionamento clássico (faz parte do Behaviorismo metodológico): Neste tipo de condicionamento, descoberto por Ivan Pavlov, o comportamento é aprendido por meio de um estímulo externo que tenha relação com um estímulo que acontece naturalmente. A nível de exemplo, há a experiência do “Cão de Pavlov”, no qual o fisiologista acionava uma sineta e, em seguida, alimentava o cão. Com o passar do tempo, apenas o som da sineta era o suficiente para promover a salivação do cão. Assim sendo, o reflexo de salivar fazia parte de algo inato do cachorro, enquanto esse reflexo também é aprendido em detrimento às condições do ambiente (sineta + alimentação).
- Condicionamento operante (faz parte do Behaviorismo radical): Descoberto por Skinner, o condicionamento operante consiste em um método de aprendizagem que ocorre por meio de reforços e punições. Esses reforços podem ser positivos ou negativos, mas vale destacar que esse negativo não tem relação com punição. A punição é outra esfera da teoria de Skinner. Nos próximos tópicos descreveremos esses conceitos, facilitando seu entendimento sobre o condicionamento operante (que opera sobre o indivíduo).
2. Reforço positivo e negativo
Os reforços positivos e negativos têm relação com o condicionamento operante de Skinner, e estão associados à capacidade de aprendizagem de um indivíduo por meio de reforços que ocorrem à sua volta, ou seja, no contexto onde ele estiver inserido. Entenda a diferença entre os dois tipos de reforços:
- Reforço positivo: O reforço positivo consiste, basicamente, na entrega de uma compensação positiva e agradável que reforce determinado comportamento. É o caso de dar um doce para uma criança todas as vezes em que ela se comporta como os adultos desejam, por exemplo.
- Reforço negativo: O reforço negativo, por sua vez, não tem relação com uma punição, mas, sim, com a exclusão de algo ruim. Por exemplo, se a criança estiver de castigo por tirar notas baixas, ao tirar uma nota boa ela pode ter o benefício de sair do castigo. Ou seja, algo “ruim” é tirado da sua rotina, reforçando o comportamento desejado.
Vale ressaltar que de forma alguma estamos dizendo que esses reforços devem ser usados dessa maneira com as crianças. Converse com um psicólogo antes de implementar qualquer estratégia que possa impactar os pequenos emocional e psicologicamente. Estamos apenas exemplificando os conceitos.
3. Punição
A punição, por sua vez, como sugere o seu nome, consiste em um conceito que defende a ideia de que o condicionamento operante (o ato de ensinar um comportamento a alguém) também pode estar associado a uma punição.
É o caso de prender uma pessoa que comete um crime, como forma de puni-la, privando-a da liberdade, para que “aprenda” que o seu comportamento foi inadequado e que é necessário tomar atitudes diferentes para poder ter a sua liberdade novamente.
Obviamente, podemos pensar em algumas controvérsias neste ponto, mas cabe analisar a teoria mais a fundo para compreender, verdadeiramente, o papel da punição em diferentes contextos.
Novamente, este conteúdo não está aqui para fortalecer a ideia de que devemos punir os indivíduos, de qualquer forma, para “moldar” os seus comportamentos. Afinal, nem todo tipo de punição, que ainda é aceito na sociedade, pode realmente trazer efeitos positivos no longo prazo. Refletir sobre isso é importante para não punir “indiscriminadamente”.
4. Oposição ao mentalismo
Dentro do conceito de mentalismo está a ideia de introspecção, que fornece a perspectiva de que apenas podemos acessar a nossa mente por meio de um ato introspectivo. Esse ato, mais tarde, seria transformado na nossa fala, nossos gestos e comportamentos.
Porém, o Behaviorismo exclui a ideia de que o comportamento é fruto do mentalismo, puramente. Ele acredita e defende o fato de que o meio tem uma força muito grande sobre as atitudes dos seres humanos, levando-os a comportamentos de acordo com o ambiente no qual estão inseridos e de acordo com o que ocorre à sua volta.
Para refletirmos sobre isso, podemos pensar em quantos reflexos temos, às vezes, devido a algo que acontece em algum momento. Quando uma pessoa solicita que escrevamos um bilhete, por exemplo, podemos, simplesmente, escrevê-lo, em reflexo ao pedido externo. Ou seja, o contexto e as situações à nossa volta nos movem de tal modo que, simplesmente, temos um comportamento.
5. Rejeita-se a introspecção
Seguindo o que acabamos de apontar acima, o Behaviorismo também rejeita a introspecção. O foco é mais voltado ao que é palpável, visível, objetivo e passível de uma catalogação de dados.
Sendo assim, os fatores introspectivos acabam não tendo tanta relevância dentro dessa teoria.
Diferentemente da abordagem da Teoria Cognitiva-comportamental, que considera os comportamentos, mas não exclui o cognitivo e os pensamentos humanos, relacionados à introspecção.
6. O meio externo pode determinar o comportamento
No tópico sobre condicionamento, reforço positivo e negativo, e punição, pudemos ter uma visão do quanto o meio externo pode determinar o comportamento, segundo o Behaviorismo.
Isto é, os indivíduos podem ter determinados comportamentos devido ao que acontece no mundo externo, e não apenas ao que as pessoas pensam e vivem “dentro de si”.
A maneira como as situações vão sendo construídas à nossa volta podem determinar a forma como iremos reagir, agir e colocar em prática nossas atitudes.
7. Experimentos são importantes
O Behaviorismo também leva em consideração a importância dos experimentos. Como a teoria é focada em dados objetivos e “palpáveis”, a experimentação ocorre como via de acesso a esses dados.
É o caso do “Cão de Pavlov” que mencionamos anteriormente, por exemplo. Afinal, o estudioso buscou colocar em prática um experimento que o auxiliasse na conclusão do condicionamento clássico, que faz parte do Behaviorismo metodológico que citamos a seguir.
8. Behaviorismo metodológico
O Behaviorismo metodológico, fundado por John B. Watson, consiste em uma teoria que se opõe ao mentalismo e a introspecção, como citamos anteriormente. Sendo assim, descarta os estudos e análises feitos da mente, focando nos comportamentos por meio da experimentação e observação dos resultados.
Assim sendo, a teoria defende a ideia de que os comportamentos são previsíveis e também controlados por meio de estímulos diversos, como viemos conversando no decorrer deste conteúdo.
É importante ter consciência de que esse Behaviorismo não exclui a existência da mente, mas não dá a ela caráter científico, uma vez que é impossível acessá-la de forma objetiva. Também não nega o livre arbítrio.
9. Behaviorismo radical
Já o Behaviorismo radical surge em oposição ao Behaviorismo metodológico, rejeitando o mentalismo por ser materialista. O estudioso dessa corrente do comportamentalismo foi Skinner.
Dentro dessa abordagem, defende-se a ideia de que as emoções não dão origem à nossa conduta em si, mas, sim, apenas o que ocorre no meio em que estamos. Isso quer dizer que a pessoa não tem, de fato, o livre arbítrio, pois seus comportamentos e atitudes são meras consequências do que acontece no entorno, sejam essas consequências e contingências positivas ou negativas (como vimos no reforço positivo e negativo, por exemplo).
O Behaviorismo radical também descreve as relações funcionais entre os comportamentos e o ambiente no qual eles acontecem.
A complexidade das escolas behavioristas
Até aqui, pudemos apresentar um panorama geral do Behaviorismo e suas ramificações. Contudo, é importante deixarmos claro que existem muitos outros fragmentos, conceitos e apontamentos que podem ser estudados e desenvolvidos dentro da temática.
Este conteúdo não é capaz de esgotar todos os dados e informações profundos do Behaviorismo, por isso, sugerimos que você estude e beba de outras fontes para saber mais sobre a complexidade das escolas behavioristas.
Para quem o Behaviorismo é indicado?
O Behaviorismo, por si só, pode ser utilizado em contextos nos quais sejam necessárias a educação de condutas e atitudes que possam ser benéficas ao sujeito.
Também pode ser aplicado em instituições e organizações, como meio de criar ambientes que conduzam os sujeitos aos comportamentos esperados. Além disso, é possível verificar, em diferentes contextos, os comportamentos humanos em detrimento ao que ocorre no ambiente, implementando-se mudanças que podem ser relevantes e positivas para os envolvidos no espaço.
Vale destacar que, hoje, encontramos mais profissionais especialistas em Teoria Cognitiva-comportamental (que tem alguns preceitos do Behaviorismo) do que um terapeuta com foco apenas na teoria behaviorista. Mas, ainda assim é possível encontrar adeptos à teoria.
Gostou de saber um pouco mais sobre o Behaviorismo? Lembre-se de que esta teoria ainda conta com muitos outros conceitos importantes, que se interligam. Pesquise para saber cada vez mais sobre o assunto!
Referências
MATOS, Maria Amélia. Behaviorismo metodológico e behaviorismo radical. Psicoterapia comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas, p. 27-34, 1995.
PARALELO, Brasil. Behaviorismo — o ser humano é realmente livre? Disponível em: https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/behaviorismo. Acesso em 25 jan. 2023.
WEBER, Lidia Natalia Dobrianskyj. Conceitos e pré-conceitos sobre o behaviorismo. Revista PsicologiaArgumento, v. 20, n. 31, p. 29-38, 2002.