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Atividade Fisica e Esportiva para Cadeirantes

Elegibilidade nos esportes para cadeirantes

A elegibilidade nos esportes para cadeirantes não está associado a diagnósticos específicos, mas à função. Assim, indivíduos com diferentes diagnóstico podem competir na mesma categoria, da mesma forma que pessoas com o mesmo diagnóstico podem ser classificados em categorias diferentes.

Entre os principais diagnósticos médicos dos atletas cadeirantes, incluem-se:

  • Lesão medular;
  • Mielomeningocele;
  • Amputações bilaterais de MMII altas;
  • Doenças neuromusculares, como a Paralisia Cerebral.

O International Paralympic Committee (IPC) determina os princípios gerais das classificações, senda as federações internacionais de cada modalidade as responsáveis por definir parâmetros específicos de classificação em cada modalidade.

Características das cadeiras de rodas

A cadeira é considerada equipamento esportivo, o que significa que ela pode assumir características diferentes para se adequar às exigências técnicas de cada modalidade.

O IPC estabelece que a tecnologia deve compensar a deficiência, não superá-la.

Assim, a cadeira deve seguir alguns princípios gerais:

  • Devem ser movidas exclusivamente pela força do atleta, sem assistência elétrica, mecânica ou elástica;
  • Devem ser estáveis e seguras;
  • Precisa ser aprovada em inspeção técnica pré-competição;
  • Não pode oferecer vantagem injusta além da função de locomoção.

Além de seguir esses princípios, cada fereração internacional determina regras específicas para os equipamentos usados em cada modalidade

Classificação funcional

Da mesma forma que com as cadeiras, o IPC estabelece princípios gerais para a classificação dos atletas paraolímpicos, sendo que as federações internacionais estabelecem as regras específicas de cada esporte.

Os principais critérios avaliados para a classificação dos cadeirantes são mostrados na tabela abaixo.

Critério Importância
Controle de tronco ⭐⭐⭐⭐⭐
Força de ombros e cotovelos ⭐⭐⭐⭐
Estabilidade pélvica ⭐⭐⭐⭐
Coordenação ⭐⭐⭐
Resistência funcional ⭐⭐⭐

Tiro Esportivo

Embora não existam provas específicas “só para cadeirantes”; atletas em cadeira de rodas competem junto a atletas andantes, mas com deficiência física da mesma classe funcional.

As provas de tiro paraolímpico são disputadas nas modalidades Carabina e Pistola, nas distâncias de 10m, 25m e 50 m. Dependendo da prova, cada atleta realiza de 20 a 120 tiros.

O tiro esportivo é uma modalidade que exige concentração, técnica e prática. Carabinas e pistolas de ar são utilizadas nos eventos de 10 metros de distância. Nos 25 metros, usa-se uma pistola de perfuração (pólvora), enquanto que carabinas de perfuração e pistolas são usadas as provas de 50m.

A mobilidade dos membros, a força muscular e o grau de funcionalidade do tronco são consideradas na classificação, sendo que atletas com diferentes tipos de deficiência podem competir juntos. Eles são divididos em duas classes: SH1 e SH2.

  • SH1: Atletas capazes de apoiar a arma sem assistência, seja pistola ou rifle, com deficiência em membros superiores e/ou inferiores.
  • SH2: Para atiradores que precisam de um suporte para apoiar o rifle devido à deficiência nos membros superiores, podendo ou não ter deficiência nos membros inferiores

Basquete em Cadeira de Rodas

O basquete em cadeira de rodas é um esporte coletivo dinâmico que exige força de membros superiores e agilidade com a cadeira.

As bolas, dimensões da quadra e a altura da cesta são as mesmas do basquete convencional, sendo que o jogador pode impulsionar a cadeira duas vezes antes de ter que quicar a bola novamente, passar ou arremessar.

As cadeiras são projetadas especificamente para o esporte, com rodas maiores inclinadas para prover estabilidade e agilidade, permitindo giros e manobras rápidas.

O esporte é adequado para atletas com diferentes graus de lesão medular, que são classificados em um sistema de pontos. Cada atleta é classificado de 1 (maior comprometimento) a 4.5 (menor comprometimento) com base em sua função física e mobilidade do tronco. A soma dos pontos dos 5 jogadores em quadra não pode ultrapassar 14.0.

Atletismo Paralímpico

No atletismo paralímpico, as provas em cadeira de rodas incluem corridas de velocidade (100m, 200m, 400m), meio-fundo (800m, 1500m) e fundo (5000m, 10000m), revezamentos (4x100m, 4x400m), além de provas de rua como a maratona, e provas de campo como salto em distância, altura, triplo, arremesso de peso, disco e dardo, todas adaptadas por classe funcional.

As cadeiras possuem características específicas para cada modalidade (corrida, arremessos, lançamentos).

Atletas competem em classes (ex: T51-T54 para cadeirantes

As categorias T51 a T54, nas provas de corrida, e as categorias F51 a F57, nas provas de campo, são dedicadas a atletas cadeirantes, conforme as tabelas abaixo.

Classe Perfil funcional típico Controle de tronco MMSS (braços/mãos) Provas disputadas
T51 Tetraplegia alta (C5–C6) Ausente Ombros e cotovelos fracos, sem função de mãos 100 m, 400 m
T52 Tetraplegia moderada (C6–C7) Ausente Ombros e cotovelos bons, punhos fracos 100 m, 400 m
T53 Paraplegia alta (T1–T7) Parcial MMSS íntegros 100 m, 400 m, 800 m
T54 Paraplegia baixa / amputações Completo MMSS íntegros e tronco funcional 100 m, 400 m, 800 m, 1500 m, 5000 m, maratona

 

Classe Perfil funcional típico Controle de tronco MMSS (braços/mãos) Provas disputadas
F51 Tetraplegia alta (C5–C6) Ausente Ombros e cotovelos fracos Peso, disco
F52 Tetraplegia moderada (C6–C7) Ausente Ombros fortes, punhos fracos Peso, disco
F53 Paraplegia alta (T1–T7) Ausente MMSS íntegros Peso, disco
F54 Paraplegia média (T8–L1) Parcial MMSS íntegros Peso, disco, dardo
F55 Paraplegia baixa (L2–L4) Parcial MMSS íntegros Peso, disco, dardo
F56 Lesão lombar baixa Bom MMSS íntegros Peso, disco, dardo
F57 Déficit mínimo em MMII Completo MMSS íntegros Peso, disco, dardo

Tênis em Cadeira de Rodas

O tênis em cadeira de rodas tem regras muito parecidas com o tênis convencional. A principal diferença é que ele permite dois quiques da bola, sendo o primeiro na quadra.

Ele também usa cadeiras esportivas adaptadas, sendo que os atletas são divididos em duas categorias, de acordo com o tip de cadeira que usam:

  • Classe Open: deficiência nos membros inferiores. Os jogadores usam as mãos para impulsionar a cadeira e a outra para golpear a bola, exigindo grande coordenação e força.
  • Classe Quad: deficiência em três ou mais extremidades, permitindo cadeiras motorizadas ou adaptações mais complexas.

O único pré-requisito para que uma pessoa possa competir no tênis em cadeira de rodas é ter sido medicamente diagnosticada com uma deficiência relacionada à locomoção com perda total ou substancial de um ou mais membro.

Tênis de mesa paraolímpico

No tênis de Mesa Paralímpico, participam atletas do sexo masculino e feminino com paralisia cerebral, amputados e cadeirantes. As competições são divididas entre mesatenistas andantes e cadeirantes, com jogos individuais, em duplas ou por equipes.

Os atletas são classificados em 11 classes, sendo as classes 1 a 5 destinadas a atletas que competem em cadeiras de rodas. Quanto menor o número da classe, maior o impacto da deficiência na capacidade de jogo do atleta.

Atletas tetraplégicos competem na classe C1, que é a categoria para cadeirantes com o maior grau de comprometimento físico. São atletas que apresentam uma severa redução da atividade no braço que joga, afetando o agarre, a flexão do punho e a extensão do cotovelo, com o músculo tríceps não sendo funcional.

Devido a suas limitações, esses atletas podem usar empunhaduras adaptadas, com a raquete sendo amparada na mão ou no punho com bandagens, band-aids ou faixas.

Segue abaixo a classificação funcional usada no tênis de mesa paraolímpico:

Classe Condição funcional predominante Características funcionais principais Exemplos de condições
Classe 1 Comprometimento severo de tronco e MMII Pouco ou nenhum controle de tronco; grande instabilidade sentada; alcance muito limitado Tetraplegia alta, PC severa, lesão medular alta
Classe 2 Comprometimento severo com algum controle de tronco Controle parcial de tronco; movimentos limitados de inclinação; dependência de apoio para equilíbrio Lesão medular T1–T7, PC moderada
Classe 3 Comprometimento moderado de tronco Bom controle anterior, limitado lateral e rotacional; alcance funcional reduzido Lesão medular T8–L1, sequelas neurológicas
Classe 4 Comprometimento leve de tronco Bom controle de tronco em múltiplos planos; alcance funcional amplo Paraplegia baixa, amputações bilaterais de MMII
Classe 5 Comprometimento mínimo sentado Controle de tronco quase completo; leve limitação dinâmica Amputações de MMII, sequelas leves neurológicas
Classe 6 Andante com comprometimento severo Grande limitação de equilíbrio, coordenação e mobilidade PC, AVC, distonia
Classe 7 Andante com comprometimento moderado Marcha funcional, porém com limitações claras de agilidade e rotação Hemiparesia, sequelas neurológicas
Classe 8 Andante com comprometimento leve Déficit de equilíbrio ou coordenação mais sutil Amputação unilateral, PC leve
Classe 9 Andante com comprometimento mínimo Limitação funcional discreta Amputação distal, rigidez articular
Classe 10 Andante com comprometimento muito leve Impacto mínimo no jogo Diferença de comprimento de membros
Classe 11 Deficiência intelectual Déficits cognitivos que afetam tática, tomada de decisão e ritmo de jogo Deficiência intelectual (critérios IPC)

Rugby em Cadeira de Rodas

O rugby em cadeira de rodas é um esporte misto, em que homens e mulheres competem juntos. Ele é jogado em uma quadra de basquete com 4 jogadores por time, onde o objetivo é cruzar a linha de fundo adversária com a bola, o que recebe o nome de “try”.

O jogo usa uma bola de vôlei, não a bola oval do rugby tradicional. Ela deve ser quicada ou passada a cada 10 segundos; com 12 segundos para cruzar a linha de meio-campo e 40 segundos para finalizar a jogada no ataque. Além disso, a bola não pode ser chutada.

O Contato entre cadeiras é permitido, mas não atrás do eixo da roda traseira para evitar virar a cadeira; contato físico direto entre os atletas é proibido, mas o contato de cadeiras é parte da estratégia. Apenas três jogadores defensores podem ficar na área de gol por vez.

O esporte é destinado a atletas com deficiência em três ou quatro membros, incluindo:

  • Lesão medular cervical (C4–C8)
  • Tetraplegia incompleta
  • Paralisia cerebral com comprometimento dos quatro membros
  • Amputações múltiplas
  • Doenças neuromusculares
  • Sequelas neurológicas centrais

Ele permite participação mesmo daquelas pessoas com limitação importante das mãos.  As equipes serão compostas porquatro jogadores em quadra e um elenco de no máximo 12. Os atletas passam por uma avaliação para determinar sua classificação funcional, com base em sua mobilidade e resquícios de movimentos. A partir disso, eles recebem uma nota varia de 0.5 a 3.5.

A somatória das classes em quadra não pode ultrapassar oito pontos, sendo que para cada mulher em quadra, mais 0.5 pode ser acrescentado ao limite de pontos da equipe (Ex: uma equipe que entra em quadra com duas mulheres pode somar nove pontos

Atletas com classificações mais baixas habitualmente jogam na defesa, e, aqueles que possuem classificações mais altas geralmente formam o ataque.

Segue abaixo os critérios usados para a classificação dos atletas no rugby paraolímpico:

Classe Nível de comprometimento Função de membros superiores Controle de tronco Habilidade com a bola Papel típico em jogo
0.5 Muito severo Função mínima de braços e mãos; preensão ausente ou muito fraca Ausente Grande dificuldade para segurar e passar Bloqueador defensivo, contenção
1.0 Severo Ombros funcionais; punhos e mãos muito limitados Muito instável Passes curtos e lentos Bloqueio, proteção de companheiros
1.5 Severo–moderado Melhor controle de ombros; alguma função de punho/mão Instável Passes curtos mais consistentes Bloqueio ativo, apoio
2.0 Moderado Boa força de ombros; função parcial de mãos Controle limitado Condução e passes médios Transição defesa–ataque
2.5 Moderado–leve Boa função de braços e mãos Controle parcial de tronco Recepção e passes eficientes Apoio ofensivo
3.0 Leve Boa função de braços, punhos e dedos Relativamente estável Excelente controle de bola Atacante principal
3.5 Muito leve Função quase completa de MMSS Estável Controle pleno, passes longos e rápidos Finalizador / principal pontuador

Esgrima em Cadeira de Rodas

A esgrima em cadeira de rodas é uma modalidade paralímpica para atletas com deficiências físico-motoras, como amputações, paraplegias, má formação congênita e lesões medulares.

As cadeiras de rodas são fixadas a uma estrutura de metal (pista adaptada), de forma que ela não se movimenta.  A distância entre os atletas é ajustada com base no alcance do braço mais curto do atleta mais baixo.

As competições incluem as três armas da esgrima tradicional (florete, espada e sabre). A área válida para pontuação é da cintura para cima, de forma que as pernas e a cadeira do atleta não contam como área válida. Os atletas são classificados em categorias funcionais com base no grau de sua deficiência:

  • Categoria A:Inclui atletas com mobilidade de tronco menos comprometida, amputados ou com limitação leve de movimento.
  • Categoria B:Abrange atletas com menor mobilidade do tronco e equilíbrio.
  • Categoria C:Destinada a esgrimistas com limitações mais severas nos movimentos das mãos, braços e tronco (tetraplégicos).

 

Bocha paralímpica

A bocha paraolímpica é uma modalidade na qual o atleta busca lançar as bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca (jack ou bolim). Os atletas ficam sentados em cadeiras de rodas e limitados a um espaço demarcado para fazer os arremessos. É permitido usar as mãos, os pés e instrumentos de auxílio (calhas), e contar com ajudantes (calheiros), no caso dos atletas com maior comprometimento dos membros.

Todos os atletas da bocha competem em cadeira de rodas. Na classificação funcional, eles são divididos em quatro classes, de acordo com o grau da deficiência e da necessidade de auxílio ou não. No caso dos atletas com maior grau de comprometimento, é permitido o uso de uma calha para dar mais propulsão à bola. Os tetraplégicos, por exemplo, que não conseguem movimentar os braços ou as pernas, usam uma faixa ou capacete na cabeça com uma agulha na ponta. O calheiro posiciona a canaleta à sua frente para que ele empurre a bola pelo instrumento com a cabeça.