Atividade física e esportiva para amputados de membros superiores
Benefícios dos exercícios físicos para amputados de membros superiores
As recomendações para a prática de exercício físico por amputados de membros superiores deve ser individualizada, a depender de fatores como a experiência prévia com atividades físicas, nível de amputação e desejos individuais.
Todos os benefícios dos exercícios físicos para a população geral são válidos também para os amputados de membros superiores, incluindo melhora do condicionamento cardiovascular, controle de peso, menor incidência de doenças crônicas e dor, entre outros. Além disso, há também benefícios especificamente relacionados aos amputados:
- Os amputados tendem a usar um lado do corpo mais do que o outro, levando ao desenvolvimento de assimetrias e desequilíbrios funcionais. Esses desequilíbrios podem levar a um aumento na incidência de dores e lesões, especialmente relacionadas `a coluna vertebral, mas pode ser prevenido ou tratado por meio da prática de atividades físicas.
- A amputação de um membro superior aumenta as demandas sobre os membros inferiores e membro superior remanescente. A atividade física melhora a capacidade funcional para o uso desses membros.
- O exercício potencializa a utilização do membro amputado, com ou sem protetização.
Adaptações para a prática esportiva
As próteses para membros superiores são menos funcionais do que as próteses de membros inferiores. Enquanto a maior parte dos amputados de membros inferiores que estejam adaptados ao uso de prótese utilizem elas durante a atividade física, isso é muito menos comum nos amputados de membros superiores.
Em alguns esportes, adaptações específicas para compensar a ausência do membro podem ser consideradas, inclusive no nível competitivo e paraolímpico. Essas adaptações são específicas para cada modalidade e não têm relação com as próteses usadas no dia a dia.
Esporte Paralímpico
Amputados de membros superiores são elegíveis para competirem em diferentes modalidades paraolímpicas. Em algumas delas, a amputação é geralmente considerada uma deficiência leve, como no caso do atletismo. Em outras, a deficiência é classificada nas classes de maior comprometimento, como no tênis de mesa.
Atletismo paraolímpico
A ausência de um membro superior ou parte dele compromete o equilíbrio e a coordenação dos movimentos, tanto em corridas como em saltos e lançamentos, o que exige novas estratégias de compensação e coordenação corporal. Quanto mais alta a amputação, maiores as compensações.
O movimento dos braços contribui significativamente para a geração de impulso e velocidade nas corridas, de forma que o desempenho acaba comprometido nessas provas.
Outra diferença é que, nas provas de velocidade, as largadas não são feitas nos blocos, mas sim de uma posição em pé, da mesma forma que nas provas de meio fundo e fundo.
Nas provas de campo, como lançamento de dardo, peso e disco, a ausência de um membro superior afeta diretamente a técnica, a força e a precisão do arremesso. Adaptar esses movimentos exige treinamento especializado e, às vezes, o uso de equipamentos adaptados.
Natação paralímpica
A natação é uma excelente atividade para amputados de membros superiores, ajudando na melhora da função e do condicionamento físico global. No entanto, o desempenho fica significativamente afetado.
Na natação convencional, o membro superior é a principal fonte de propulsão do atleta. Nos amputados, esse papel é parcialmente perdido, sendo o comprometimento maior quanto mais alto o nível da amputação ou nos amputados bilaterais.
Como compensação, o treinamento se concentra em maximizar a eficiência da propulsão e do equilíbrio usando o tronco, o quadril, as pernas e o membro superior remanescente.
Embora as regras sejam semelhantes às da natação convencional, as regras para a largada e chegada são adaptadas, a depender da classe de competição.
A principal adaptação na largada está associada ao nado costa para amputados de ambos os membros superiores, em que os atletas são autorizados a utilizarem apoios alternativos.
Na chegada, o atleta é permitido a tocar a borda com qualquer parte do corpo ou com o coto (dependendo da classificação funcional). No nado borboleta, é permitido um toque não simultâneo dos braços, desde que eles estejam estendidos.
Atletas com amputação de um braço podem competir na classe S8, enquanto aqueles com amputação de ambos os braços ou outras deficiências que afetam o uso dos membros superiores podem ser classificados em classes como S6 ou S4, dependendo do impacto funcional. A classificação avalia o impacto da deficiência nas braçadas, no movimento do tronco e das pernas.
Ciclismo paralímpico
Nos amputados de membros superiores, as adaptações no ciclismo paralímpico concentram-se principalmente em próteses especializadas e modificações no guidão e nos sistemas de câmbio de frenagem, de forma a garantir que o atleta mantenha o controle e a estabilidade da bicicleta em velocidade. Essas adaptações buscam minimizar os riscos de segurança e garantir a funcionalidade.
O guidão pode ser modificado para acomodar a prótese ou a limitação do movimento do atleta. Isso pode envolver ajustes para compensar diferenças de alcance ou a instalação de sistemas de freio e câmbio que possam ser operados com a mão ou prótese disponível.
Próteses de alta performance foram projetadas especificamente para o ciclismo. Essas próteses são feitas de materiais leves e resistentes, como alumínio naval, e possuem um mecanismo de encaixe seguro ao guidão. Isso permite que o atleta faça movimentos similares aos de membros não amputados.
Tênis de Mesa
No tênis de Mesa Paralímpico, participam atletas do sexo masculino e feminino com diferentes tipos de deficiência, incluindo os amputados de membros superiores. As competições são divididas entre mesatenistas andantes e cadeirantes, com jogos individuais, em duplas ou por equipes.
Os atletas são classificados em 11 classes:
- As classes 1 a 5 destinadas a atletas que competem em cadeiras de rodas;
- As classes 6 a 10 são destinadas a atletas andantes;
- A classe 11 é destinada a atletas com deficiência intelectual.
Quanto menor o número da classe, maior o impacto da deficiência na capacidade de jogo do atleta.
Atletas com amputação em um dos membros superiores podem adaptar a forma de sacar de acordo com suas necessidades, desde que a bola seja lançada de uma maneira que o árbitro considere justa e visível.
Além disso, adaptações podem ser feitas em como o atleta segura a raquete, com a raquete sendo amparada na mão ou no punho com bandagens, band-aids ou faixas.
Paratriatlo
O Triatlo Paralímpico é disputado na modalidade Sprint Paralímpico, com as seguintes distâncias:
- 750 m natação
- 20 km ciclismo
- 5 km corrida
As provas de ciclismo, corrida e natação são feitas com regras adaptadas da mesma forma como é feito em cada uma dessas três modalidades separadamente.
As classes do triatlo para amputados de membros inferiores são mostradas na tabela abaixo.
| Classe | Tipo de deficiência principal | Amputação de membro superior | Características funcionais | Exemplos de atletas enquadrados |
| PTS5 | Deficiência física leve a moderada | Sim (classe mais comum) | Boa função de tronco e MMII; perda unilateral de MS com impacto funcional leve a moderado | Amputação abaixo ou acima do cotovelo unilateral; amputação de mão; disfunção funcional unilateral de MS |
| PTS4 | Deficiência física moderada | Raro, mas possível | Maior impacto funcional global; assimetria mais evidente durante natação e transições | Amputação bilateral de MS; amputação unilateral associada a outras limitações funcionais significativas |