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Atividade Física e Esportiva na Síndrome de Down

Benefícios da Atividade Física na Síndrome de Down

A atividade física deve ser recomendada para qualquer pessoa, mas é ainda mais importante em portadores da Síndrome de Down.

Entre os benefícios dos exercícios para esses indivíduos, incluem-se:

  • Melhora da hipotonia.
  • Melhora da estabilidade articular, por conta da frouxidão ligamentar.
  • Prevenção ou tratamento do sobrepeso ou obesidade e outras doenças metabólicas, muito comuns na Síndrome de Down.
  • Melhora do condicionamento cardiorrespiratório, com redução do risco cardiovascular.

Além dos benefícios relacionados à saúde física, a prática de exercícios está relacionada a uma melhora na memória, da atenção, da ansiedade, do sono e da função executiva. Por fim, ela contribui para a inclusão social e para a melhor relação entre os pares, diminui o isolamento social e aumenta a motivação. Todas essas são condições comuns a pacientes com a Síndrome de Down.

Cuidados e riscos associados à prática esportiva

Para garantir uma prática segura dos exercícios, no entanto, é preciso lembrar que pessoas com Síndrome de Down apresentam risco elevado para uma série de condições, o que exige uma avaliação pré-participação detalhada e cuidadosa.

A avaliação cardiológica é mais importante do que nunca, devido a uma incidência de até 50% de cardiopatias – algumas delas inocentes e sem maiores restrições para os exercícios, e outras com risco de grave complicações ou mesmo com risco à vida.

Do ponto de vista ortopédico, a maior preocupação é com a Instabilidade atlantoaxial, presente em até 10 a 20% das pessoas com Síndrome de Down. Ela pode colocar o indivíduo em risco em atividades com hiperextensão cervical ou trauma na cabeça.

Devido à hipotonia e frouxidão ligamentar, há um risco aumentado para entorses, bem como para a instabilidade patelofemoral. Ao menos no início, é importante evitar a prática de exercícios de alto impacto e contatos físicos frequentes, além de aumentar a atenção com o uso de calçados que ofereçam mais estabilidade.

Uma vez feita essa avaliação, os benefícios do exercícios superam em muito os eventuais riscos para a maior parte das pessoas com Síndrome de Down. Isso inclui a prática de exercício competitivo, com modalidades presentes inclusive no programa paralímpico.

Prescrição de exercícios na Síndrome de Down

Especialmente no caso de pessoas que apesentam deficiência intelectual, a prescrição de exercícios deve ser simples e clara.

A progressão do treino deve ser mais lenta do que o habitual, uma vez que os ganhos neuromusculares ocorrem mais lentamente. Além disso, a repetição é fundamental para aprendizagem motora

As atividades aeróbicas são importantes para a saúde cardiovascular, devendo ser praticadas na maior parte dos dias da semana. No entanto, é preciso considerar que a resposta cardíaca ao exercício é reduzida, de forma que a frequência cardíaca não é um parâmetro confiável para monitorar a carga de treino. Escalas funcionais como a Escala de Borg são preferíveis.

Treinamento de força, por sua vez, é fundamental para combater a hipotonia, melhorar a estabilidade articular e aumentar a funcionalidade e a independência.

Por fim, o treino de equilíbrio e coordenação, com uso de superfícies instáveis ou apoio unipodal assistido, tem grande impacto na prevenção de quedas e no desenvolvimento motor.

Exercícios de flexibilidade devem ser feitos com cautela e apenas quando houver encurtamentos claros, devido à frouxidão ligamentar. Amplitudes articulares excessivas devem ser evitadas.

Esporte competitivo

Atletas com síndrome de Down competem mais em eventos como as Virtus Global Games (federação internacional para atletas com deficiência intelectual) e as Olimpíadas Especiais.

No Virtus Games, os atletas com Síndrome de Down competem em uma categoria específica, a classe de elegibilidade II2. As modalidades disponíveis para esses atletas incluem:

  • Atletismo (corrida, campo, etc.)
  • Natação
  • Tênis de mesa
  • Futsal (especificamente “futsal down”)
  • Ginástica artística e rítmica.

Infelizmente, no entanto, indivíduos com Síndrome de Down enfrentam barreiras nas Paralimpíadas, devido à falta de classes específicas.

O sistema de classificação dos Jogos Paralímpicos inclui atletas com Síndrome de Down apenas em uma classe para atletas com deficiência intelectual.

Na prática, no entanto, nenhum deles consegue se classificar, uma vez que seus desempenhos permanecem inferiores aos de outros atletas com deficiência intelectual, devido às desvantagens motoras adicionais associadas à síndrome de Down.