Atividade Física e Esportiva na Lesão Medular
Importância da Atividade Física na lesão medular
A atividade física ajuda na prevenção e no tratamento de diferentes comorbidades bastante prevalentes em pessoas com lesão medular, como obesidade, doenças cardiovasculares ou osteoporose.
Além disso, ela ajuda na melhora da espasticidade e na preservação da massa muscular, com consequente melhora na autonomia. Por fim, é preciso considerar também os benefícios relacionados à saúde psico-emocional.
Qualquer pessoa com lesão medular deve se exercitar de forma regular. Alguns irão optar pelo esporte competitivo, o que traz benefícios extras para a saúde física e emocional e se transformam em um novo mote para a vida desses pacientes.
Quais as principais preocupações médicas relacionadas a atletas com lesão medualar?
Atletas com lesão medular apresentam riscos de complicações inerentes à sua condição, que incluem problemas urinários ou intestinais ou risco aumentado de escaras. Embora sejam condições que independem da atividade física para acontecerem, elas podem ter forte impacto na participação e desempenho esporitivo. O manejo adequado dessas condições é fundamental para a saúde, para o bem-estar e para o desempenho do atleta.
Outras preocupações com esses atletas incluem:
Disreflexia autonômica
Uma das principais preocupações médicas com os atletas tetraplégicos é com o risco de Disreflexia Autonômica. Ela se caracteriza por um aumento súbito e perigoso da pressão arterial devido a uma resposta exagerada a estímulos abaixo do nível da lesão, como bexiga cheia ou intestino impactado, resultando em dor de cabeça latejante, sudorese, rubor.
A disreflexia autonômica é uma condição grave e com risco inclusive para AVC ou morte se não tratada rapidamente. No entanto, ela pode prover um benefício competitivo momentâneo, e alguns atletas paraolímpicos podem induzir intencionalmente a Disrefelexia autonômica com esse objetivo, uma técnica conhecida como “boosting”.
O boosting é reconhecido como uma forma de doping no esporte paraolímpico, sendo que o Comitê Paralímpico Internacional proíbe explicitamente a participação nas competições a vigência de disreflexia autonômica perigosa.
Para garantir a segurança, a aferição da Pressão Arterial é realizada antes das competições. Se um atleta não conseguir reduzir a pressão arterial para níveis seguros, ele não é autorizado a competir.
Termoregulação
A atividade muscular durante a prática esportiva leva a uma produção natural de calor, que precisa ser eliminada por meio da sudorese, vasodilatação cutânea e da transpiração. Esses mecanismos são comandados pelo sistema nervoso autônomo, o qual encontra-se gravemente comprometido no paciente com lesão medular alta.
Por conta disso, os atletas tetraplégicos apresentam um aumento mais acelerado da temperatura central bem como uma menor tolerância ao exercício em ambientes quentes. Os problemas de regulação térmica levam a uma queda na performance e risco de exaustão térmica, uma condição perigosa e com risco a vida quando não é identificado e tratado prontamente.
O risco é maior em dias muito quente e úmidos ou nas provas de resistência. Fatores como desidratação, uso de roupas inadequadas ou a prática de exercícios na vigência de infecções ou outras condições de saúde também aumentam o risco.
Para evitar as complicações relacionadas à hipertermia, algumas das estratégias a serem consideradas incluem:
- Uso de coletes refrigerados
- Toalhas geladas
- imersão parcial em água fria
- ventiladores
- Ingestão de líquidos frios / hidratação rigorosa.
Influência do nível da lesão medular na atividade física
As lesões medulares são divididas em dois grandes grupos:
- Paraplegia: afeta a parte inferior do corpo (pernas e tronco);
- Tetraplegia: afeta os quatro membros (braços, mãos, pernas e tronco), sendo causada por uma lesão mais alta, na região cervical da coluna.
Essa é uma informação de suma importância, visto que muitos dos esportes e das categorias paraolímpicas foram adaptadas para serem praticados por um ou o outro grupo. No entanto, os tetraplégicos são muito diferentes entre sí, bem como os parapléticos. Saber o nível medular nos dá uma informação mais precisa de quais limitações são esperadas em cada atleta.
O nível neurológico da lesão determina quais músculos estão preservados, o que tem uma influência óbvia para a prática de exercícios. Além disso, ele tem impacto em outras funções do organismo, como a função cardiorrespiratória ou o controle da pressão arterial, o que também influencia na prática das atividades físicas.
Modalidades Esportivas para Indivíduos com Lesão Cervical / Tetraplegia (C1–C8)
Indivíduos com lesão medular cervical apresentam comprometimento dos membros inferiores e do tronco, além de comprometimento dos membros superiores em diferentes graus.
A maioria dos paratletas com tetraplegia competitiva tem lesão entre C6 e C8, sendo que quanto mais baixa a lesão, menor o acometimento funcional.
Mostramos na tabela abaixo as principais diferenças funcionais de acordo com o nível neurológico:
| Nível da lesão | Funções motoras preservadas | Respiração | Autonomia funcional | Implicações para atividade física / esporte |
| C4 | Elevação limitada de ombros | Respiração espontânea (diafragma funcional) | Alta dependência | Bocha adaptada; exercícios assistidos |
| C5 | Bíceps (flexão de cotovelo), ombros | Respiração funcional com pouca reserva | Dependência moderada | Rugby em cadeira, natação adaptada |
| C6 | Extensão de punho (tenodese), bíceps | Boa respiração funcional | Independência moderada | Atletismo em cadeira (T51–T52), handbike, rugby |
| C7 | Tríceps (extensão de cotovelo) | Próxima do normal | Alta independência | Paratletismo, basquete e tênis em cadeira |
| C8 | Flexão dos dedos, maior destreza manual | Normal | Independência elevada | Ampla participação esportiva paralímpica |
Modalidades esportivas na Lesão Medular Lombar / Paraplegia (L1 a L5)
Nas lesões medulares lombares (L1–L5), a função dos membros superiores e tronco estão preservados, sendo que o principal determinante passa a ser quanto dos membros inferiores ainda funciona. Isso influencia modalidade esportiva, classe funcional, uso de órteses/próteses e potencial de desempenho.
Nas lesões medulares altas, em nível L1, os atletas não apresentam função voluntária nos membros inferiores, dependendo da cadeira de rodas para sua prática esportiva. Já nos níveis mais baixo, especialmente no nível L5, o atleta compete em pé e tem a marcha próxima do normal.
Mostramos abaixo as características de cada nível de lesão lombar.
| Nível da lesão | Funções motoras preservadas | Marcha funcional | Perfil esportivo predominante |
| L1 | Tronco e MMSS íntegros; sem função voluntária de MMII | Não funcional | Esporte em cadeira de rodas |
| L2 | Início de flexão de quadril (iliopsoas parcial) | Muito limitada (KAFO) | Cadeira de rodas / endurance |
| L3 | Flexão de quadril + extensão de joelho (quadríceps) | Funcional com órtese | Transição cadeira ↔ em pé |
| L4 | Controle de joelho + dorsiflexão parcial do tornozelo | Funcional (AFO) | Esportes em pé adaptados |
| L5 | Dorsiflexão e eversão quase normais | Próxima do normal | Pouca adaptação |
Modalidades paralímpicas para atletas com lesão medular
Indivíduos com lesão medular são elegíveis para participar de diferentes provas paraolímpicas, a depender da limitação funcional individual. O tipo de esporte possível depende principalmente do nível da lesão, da força residual em membros superiores ou inferiores, do controle do tronco e das mãos e punhos e se são andantes ou cadeirantes.
Rugby em Cadeira de Rodas
O rugby em cadeira de rodas é um esporte misto, em que homens e mulheres competem juntos. Ele é jogado em uma quadra de basquete com 4 jogadores por time, onde o objetivo é cruzar a linha de fundo adversária com a bola, o que recebe o nome de “try”.
O jogo usa uma bola de vôlei, não a bola oval do rugby tradicional. Ela deve ser quicada ou passada a cada 10 segundos; com 12 segundos para cruzar a linha de meio-campo e 40 segundos para finalizar a jogada no ataque. Além disso, a bola não pode ser chutada.
O Contato entre cadeiras é permitido, mas não atrás do eixo da roda traseira para evitar virar a cadeira; contato físico direto entre os atletas é proibido, mas o contato de cadeiras é parte da estratégia. Apenas três jogadores defensores podem ficar na área de gol por vez.
O esporte é destinado a atletas com deficiência em três ou quatro membros, incluindo:
- Lesão medular cervical (C4–C8)
- Tetraplegia incompleta
- Paralisia cerebral com comprometimento dos quatro membros
- Amputações múltiplas
- Doenças neuromusculares
- Sequelas neurológicas centrais
O rugby em cadeira de rodas permite a participação mesmo daquelas pessoas com limitação importante das mãos. As equipes serão compostas por quatro jogadores em quadra e um elenco de no máximo 12. Os atletas passam por uma avaliação para determinar sua classificação funcional, com base em sua mobilidade e resquícios de movimentos. A partir disso, eles recebem uma nota varia de 0.5 a 3.5.
A somatória das classes em quadra não pode ultrapassar oito pontos, sendo que para cada mulher em quadra, mais 0.5 pode ser acrescentado ao limite de pontos da equipe (Ex: uma equipe que entra em quadra com duas mulheres pode somar nove pontos
Atletas com classificações mais baixas habitualmente jogam na defesa, e, aqueles que possuem classificações mais altas geralmente formam o ataque.
Segue abaixo os critérios usados para a classificação dos atletas no rugby paraolímpico:
| Classe | Nível de comprometimento | Função de membros superiores | Controle de tronco | Habilidade com a bola | Papel típico em jogo |
| 0.5 | Muito severo | Função mínima de braços e mãos; preensão ausente ou muito fraca | Ausente | Grande dificuldade para segurar e passar | Bloqueador defensivo, contenção |
| 1.0 | Severo | Ombros funcionais; punhos e mãos muito limitados | Muito instável | Passes curtos e lentos | Bloqueio, proteção de companheiros |
| 1.5 | Severo–moderado | Melhor controle de ombros; alguma função de punho/mão | Instável | Passes curtos mais consistentes | Bloqueio ativo, apoio |
| 2.0 | Moderado | Boa força de ombros; função parcial de mãos | Controle limitado | Condução e passes médios | Transição defesa–ataque |
| 2.5 | Moderado–leve | Boa função de braços e mãos | Controle parcial de tronco | Recepção e passes eficientes | Apoio ofensivo |
| 3.0 | Leve | Boa função de braços, punhos e dedos | Relativamente estável | Excelente controle de bola | Atacante principal |
| 3.5 | Muito leve | Função quase completa de MMSS | Estável | Controle pleno, passes longos e rápidos | Finalizador / principal pontuador |
Bocha paralímpica
A bocha paraolímpica é uma modalidade na qual o atleta busca lançar as bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca (jack ou bolim). Os atletas ficam sentados em cadeiras de rodas e limitados a um espaço demarcado para fazer os arremessos. É permitido usar as mãos, os pés e instrumentos de auxílio (calhas), e contar com ajudantes (calheiros), no caso dos atletas com maior comprometimento dos membros.
Todos os atletas da bocha competem em cadeira de rodas. Na classificação funcional, eles são divididos em quatro classes, de acordo com o grau da deficiência e da necessidade de auxílio ou não. No caso dos atletas com maior grau de comprometimento, é permitido o uso de uma calha para dar mais propulsão à bola. Os tetraplégicos, por exemplo, que não conseguem movimentar os braços ou as pernas, usam uma faixa ou capacete na cabeça com uma agulha na ponta. O calheiro posiciona a canaleta à sua frente para que ele empurre a bola pelo instrumento com a cabeça.
Natação paralímpica
A natação paralímpica é uma excelente atividade para quem tem lesão medular cervical, pois a água reduz o impacto e a gravidade, facilitando movimentos, fortalecendo músculos, melhorando o condicionamento, a postura e a autoestima. Por conta disso, a terapia aquática é muitas vezes utilizada na reabilitação desses pacientes, independentemente do esporte competitivo.
Um paratleta tetraplégico pode nadar utilizando a força remanescente dos membros superiores. O movimento e a propulsão vêm principalmente do uso dos braços e ombros. O nado de costas é frequentemente o mais fácil de ser executado, pois facilita a respiração e o posicionamento do corpo.
Embora próteses que melhorem o desempenho não sejam permitidas em competições, dispositivos de apoio podem ser usados durante o treinamento ou natação recreativa.
Atletismo Paralímpico
No atletismo paralímpico, as provas em cadeira de rodas incluem corridas de velocidade (100m, 200m, 400m), meio-fundo (800m, 1500m) e fundo (5000m, 10000m), revezamentos (4x100m, 4x400m), além de provas de rua como a maratona, e provas de campo como salto em distância, altura, triplo, arremesso de peso, disco e dardo, todas adaptadas por classe funcional.
As categorias T51 a T54, nas provas de corrida, e as categorias F51 a F57, nas provas de campo, são dedicadas a atletas cadeirantes, conforme as tabelas abaixo.
| Classe | Perfil funcional típico | Controle de tronco | MMSS (braços/mãos) | Provas disputadas |
| T51 | Tetraplegia alta (C5–C6) | Ausente | Ombros e cotovelos fracos, sem função de mãos | 100 m, 400 m |
| T52 | Tetraplegia moderada (C6–C7) | Ausente | Ombros e cotovelos bons, punhos fracos | 100 m, 400 m |
| T53 | Paraplegia alta (T1–T7) | Parcial | MMSS íntegros | 100 m, 400 m, 800 m |
| T54 | Paraplegia baixa / amputações | Completo | MMSS íntegros e tronco funcional | 100 m, 400 m, 800 m, 1500 m, 5000 m, maratona |
| Classe | Perfil funcional típico | Controle de tronco | MMSS (braços/mãos) | Provas disputadas |
| F51 | Tetraplegia alta (C5–C6) | Ausente | Ombros e cotovelos fracos | Peso, disco |
| F52 | Tetraplegia moderada (C6–C7) | Ausente | Ombros fortes, punhos fracos | Peso, disco |
| F53 | Paraplegia alta (T1–T7) | Ausente | MMSS íntegros | Peso, disco |
| F54 | Paraplegia média (T8–L1) | Parcial | MMSS íntegros | Peso, disco, dardo |
| F55 | Paraplegia baixa (L2–L4) | Parcial | MMSS íntegros | Peso, disco, dardo |
| F56 | Lesão lombar baixa | Bom | MMSS íntegros | Peso, disco, dardo |
| F57 | Déficit mínimo em MMII | Completo | MMSS íntegros | Peso, disco, dardo |
Handbike / Paraciclismo
Handbike é uma modalidade do programa paralímpico de Ciclismo, utilizada por atletas com deficiências nos membros inferiores para impulsionar a bicicleta com as mãos. A Handbike traz inúmeros benefícios físicos e psicológicos, melhorando a força muscular, a autoestima e a qualidade de vida dos atletas.
Ela pode ser usada tanto como esporte recreativo como competitivo. No esporte competitivo, os atletas são classificados em cinco categorias (H1-H5), sendo que os atletas paraplégicos competem nas categorias H1 e H2. Ela é indicada para lesionados medulares em nível C6–C8 com bom controle de ombros.
- Classe H1: São os atletas com maior comprometimento motor. Eles utilizam uma handbike com encosto reclinado para segurança, devido a falta de controle de tronco e pouca funcionalidade dos membros superiores.
- Classe H2: Atletas com grande comprometimento motor, também utilizam uma handbike reclinada, porém com força funcional de membros superiores.
As handbikes devem seguir rigorosas normas técnicas (dimensões, rodas, freios) para garantir a segurança e a justiça nas competições, com aferição obrigatória antes das provas.
Tiro com arco paraolímpico
O tiro com arco paralímpico pode ser disputado por pessoas com diferentes tipos de deficiências, incluindo amputados, paraplégicos e tetraplégicos, paralisia cerebral, doenças disfuncionais e progressivas (como a atrofia muscular e escleroses), com disfunções nas articulações, problemas na coluna e outros.
Os participantes têm como objetivo acertar as flechas o mais perto possível do centro do alvo, que fica colocado a uma distância de 70m e tem 1,22m de diâmetro, formado por dez círculos concêntricos. O mais externo vale um ponto, e o central, dez. Quanto mais próxima do círculo central estiver a flecha, maior a pontuação obtida.
Os atletas tetraplégicos competem na classe W1. Esta categoria é destinada a atletas com deficiência em todas as quatro extremidades e no tronco, resultando em uso limitado de cadeira de rodas e função muscular significativamente reduzida.
Atletas W1 usam equipamentos adaptados, como arcos específicos (geralmente compostos, que permitem tração mais leve mantendo a força) e dispositivos de assistência. Isso pode incluir gatilhos de boca ou outros auxílios de liberação personalizados para compensar a falta de destreza manual.
Tênis de mesa paraolímpico
No tênis de Mesa Paralímpico, participam atletas do sexo masculino e feminino com paralisia cerebral, amputados e cadeirantes. As competições são divididas entre mesatenistas andantes e cadeirantes, com jogos individuais, em duplas ou por equipes.
Os atletas são classificados em 11 classes, sendo as classes 1 a 5 destinadas a atletas que competem em cadeiras de rodas. Quanto menor o número da classe, maior o impacto da deficiência na capacidade de jogo do atleta.
Atletas tetraplégicos competem na classe C1, que é a categoria para cadeirantes com o maior grau de comprometimento físico. São atletas que apresentam uma severa redução da atividade no braço que joga, afetando o agarre, a flexão do punho e a extensão do cotovelo, com o músculo tríceps não sendo funcional.
Atletas tetraplégicos no tênis de mesa paralímpico são geralmente classificados na Classe 1, que é a categoria para cadeirantes com o maior grau de comprometimento físico.
Devido a suas limitações, esses atletas podem usar empunhaduras adaptadas, com a raquete sendo amparada na mão ou no punho com bandagens, band-aids ou faixas.
Tênis em Cadeira de Rodas
O tênis em cadeira de rodas tem regras muito parecidas com o tênis convencional. A principal diferença é que ele permite dois quiques da bola, sendo o primeiro na quadra.
Ele também usa cadeiras esportivas adaptadas, sendo que os atletas são divididos em duas categorias, de acordo com o tip de cadeira que usam:
- Classe Open: deficiência nos membros inferiores. Os jogadores usam as mãos para impulsionar a cadeira e a outra para golpear a bola, exigindo grande coordenação e força.
- Classe Quad: deficiência em três ou mais extremidades, permitindo cadeiras motorizadas ou adaptações mais complexas.
O único pré-requisito para que uma pessoa possa competir no tênis em cadeira de rodas é ter sido medicamente diagnosticada com uma deficiência relacionada à locomoção com perda total ou substancial de um ou mais membro.
Tiro Esportivo
Embora não existam provas específicas “só para cadeirantes”; atletas em cadeira de rodas competem junto a atletas andantes, mas com deficiência física da mesma classe funcional.
As provas de tiro paraolímpico são disputadas nas modalidades Carabina e Pistola, nas distâncias de 10m, 25m e 50 m. Dependendo da prova, cada atleta realiza de 20 a 120 tiros.
Carabinas e pistolas de ar são utilizadas nos eventos de 10 metros de distância. Nos 25 metros, usa-se uma pistola de perfuração (pólvora), enquanto que carabinas de perfuração e pistolas são usadas as provas de 50m.
A mobilidade dos membros, a força muscular e o grau de funcionalidade do tronco são considerados na classificação, sendo que atletas com diferentes tipos de deficiência podem competir juntos. Eles são divididos em duas classes: SH1 e SH2.
- SH1: Atletas capazes de apoiar a arma sem assistência, seja pistola ou rifle, com deficiência em membros superiores e/ou inferiores.
- SH2: Para atiradores que precisam de um suporte para apoiar o rifle devido à deficiência nos membros superiores, podendo ou não ter deficiência nos membros inferiores
Basquete em Cadeira de Rodas
O basquete em cadeira de rodas é um esporte coletivo dinâmico que exige força de membros superiores e agilidade com a cadeira.
As bolas, dimensões da quadra e a altura da cesta são as mesmas do basquete convencional, sendo que o jogador pode impulsionar a cadeira duas vezes antes de ter que quicar a bola novamente, passar ou arremessar.
As cadeiras são projetadas especificamente para o esporte, com rodas maiores e, inclinadas, de forma a prover estabilidade e agilidade com giros e manobras rápidas.
O esporte é adequado para atletas com diferentes graus de lesão medular, que são classificados em um sistema de pontos. Cada atleta é classificado de 1 (maior comprometimento) a 4.5 (menor comprometimento) com base em sua função física e mobilidade do tronco. A soma dos pontos dos 5 jogadores em quadra não pode ultrapassar 14.0.
Esgrima em Cadeira de Rodas
A esgrima em cadeira de rodas é uma modalidade paralímpica para atletas com deficiências físico-motoras, como amputações, paraplegias, má formação congênita e lesões medulares.
As cadeiras de rodas são fixadas a uma estrutura de metal (pista adaptada), de forma que ela não se movimenta. A distância entre os atletas é ajustada com base no alcance do braço mais curto do atleta mais baixo.
As competições incluem as três armas da esgrima tradicional (florete, espada e sabre). A área válida para pontuação é da cintura para cima, de forma que as pernas e a cadeira do atleta não contam como área válida.)s atletas são classificados em categorias funcionais com base no grau de sua deficiência:
- Categoria A:Inclui atletas com mobilidade de tronco menos comprometida, amputados ou com limitação leve de movimento.
- Categoria B:Abrange atletas com menor mobilidade do tronco e equilíbrio.
- Categoria C:Destinada a esgrimistas com limitações mais severas nos movimentos das mãos, braços e tronco (tetraplégicos).