Atividade Física e Esportiva na Acondroplasia
Benefícios relacionados ao exercício físico em indivíduos com acondroplasia
A Acondroplasia é a forma mais comum de baixa estatura (nanismo). Ela acontece de forma desproporcional, com membros curtos (especialmente braços e coxas), cabeça grande, testa proeminente, nariz achatado, mãos em tridente (espaço extra entre os dedos) e curvaturas acentuadas da coluna (cifose e lordose).
Além da baixa estatura, esses indivíduos apresentam hipotonia generalizada, mobilidade reduzida nas articulações e limitação da capacidade cardiovascular, decorrente das alterações na caixa torácica.
Embora as alterações estruturais da doença não sejam modificáveis, o treinamento físico é capaz de gerar compensações otimizar muitas dessas limitações:
- Exercícios aeróbicos ajudam na melhora da capacidade cardiorrespiratória e aumento da autonomia funcional;
- Exercícios resistidos (treino de força) ajudam no fortalecimento da musculatura estabilizadora, com melhora do equilíbrio e da coordenação motora.
- Exercícios de mobilidade ajudam na melhora da mobilidade nas articulações.
- Melhora do controle postural e das habilidades motoras adaptadas, com menor risco para dor lombar ou cervical.
Por fim, é importante considerar os benefícios psicoemocionais e de socialização desses indivíduos, muitas vezes comprometidos por conta da doença.
Quais as atividades físicas a serem evitadas na acondroplasia?
As alterações estruturais da coluna na acondroplasia levam à uma estenose do canal vertebral. Por esse motivo, a prática regular de exercícios de alto impacto e carga axial devem ser evitados ou feitos com bastante cautela. Esses exercícios aumentam a pressão nos discos intervertebrais e as forças de cisalhamento nos discos, com risco para compressão medular e dor lombar crônica.
Pelo mesmo motivo, é recomendável que se evite atividades esportivas com movimentos extremos de flexão ou extensão da coluna, como no caso da ginástica, bem como os esportes com alto risco de queda ou contato não controlado.
Além das preocupações relacionadas à coluna, esses pacientes podem ter limitações por conta das alterações no eixo mecânico e joelho varo. Exercícios com alta carga axial tendem a gerar mais sobrecarga nos joelhos, tornozelos e quadris, com risco aumentado para desgaste articular precoce.
Modalidades paralímpicas para atletas com acondroplasia
No sistema do IPC (International Paralympic Committee), a acondroplasia se enquadra na deficiência elegível como baixa estatura (Short Stature / SS).
Eles podem competir em modalidades como o atletismo natação, tênis de mesa, badmington ou tiro esportivo.
Atletismo paraolímpico
No atletismo paralímpico, a baixa estatura é classificada nas categorias F40 e F41 (para eventos de campo, como arremessos e lançamentos) e T40 e T41 (para eventos de pista, como corridas), conforme descrito abaixo.
| Classe | Tipo de prova | Estatura (critério principal) | Perfil funcional predominante | Impacto biomecânico no esporte |
| T40 / F40 | T = pista
F = campo |
Estatura muito baixa(≈ ≤ 130 cm homens / ≤ 125 cm mulheres)* | Encurtamento acentuado de MMII e MMSS, tronco relativamente preservado | Menor comprimento de passada, maior custo energético, menor alavanca mecânica |
| T41 / F41 | T = pista
F = campo |
Estatura baixa moderada(≈ > 130 cm homens / > 125 cm mulheres)* | Encurtamento menos acentuado, melhor eficiência biomecânica | Passada curta, porém mais eficiente; melhor geração de força |
Os atletas com nanismo competem entre si em classes exclusivas, que contemplam apenas a baixa estatura. Com isso, garante-se que as disputas sejam baseadas na habilidade atlética, não na limitação física. Vale considerar que a classificação considera não apenas a altura, mas também a amplitude dos membros e o tamanho do tronco.
Natação paraolímpica
Na natação paralímpica, atletas com acondroplasia (baixa estatura desproporcional) não possuem uma classe exclusiva, como ocorre no atletismo. No entanto, eles são enquadrados em classes funcionais, de acordo com o impacto da baixa estatura na propulsão, coordenação e eficiência do nado.
Atletas com acondroplasia competem dentro das classes S1–S10, conforme a avaliação funcional. Na maior parte das vezes, são classificados entre as classes S6 – S8 (com correspondentes SB6–SB8 / SM6–SM8). Isso pode variar de acordo com o grau de encurtamento de MMSS e MMII, a proporção entre tronco e membros, a força e coordenação dos membros e a eficiência de propulsão nos diferentes estilos.
Tênis de mesa paraolímpico
No tênis de Mesa Paralímpico, participam atletas andantes e cadeirantes, com jogos individuais, em duplas ou por equipes.
Os atletas são classificados em 11 classes, sendo as classes 1 a 5 destinadas a atletas que competem em cadeiras de rodas, as classes de 6 a 10 para atletas andantes a a classe 11 para atletas com deficiência intelectual. Quanto menor o número da classe, maior o impacto da deficiência na capacidade de jogo do atleta.
No caso de atletas com acondroplasia, eles geralmente se enquadram nas classes de atletas andantes.
Parabadminton
O badminton paralímpico é regido pela BWF Para Badminton e apresenta adaptações de quadra, regras e classificação, mantendo a lógica técnica do badminton convencional.
Atletas com acondroplasia competem na classe SH6, específica para atletas com baixa estatura
A principal adaptação não é a quadra, mas a classificação exclusiva. O jogo mantém regras olímpicas, com ênfase em técnica e antecipação.
Devido às limitações decorrentes da baixa estatura, o padrão técnico do jogo costuma ser diferente. Os atletas focam maios no controle de fundo de quadra e em uma maior importância do posicionamento, mas com menor importância para a potência.