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Apraxia da fala

O que é apraxia da fala?

A Apraxia da fala é um distúrbio neurológico no qual a pessoa tem dificuldade em planejar e organizar os movimentos articulatórios necessários para produzir sons e palavras – ainda que possua força e coordenação muscular preservadas.

A pessoa sabe o que quer dizer, os músculos e articulações não apresentam qualquer problema (ou seja, não existe déficits neuromusculares), mas ainda assim elas não conseguem articular corretamente os músculos envolvidos no ato de falar.

A apraxia da fala pode ser divida em dois grupos:

  • Apraxia de Desenvolvimento:crianças que nunca falaram adequadamente.
  • Apraxia Adquirida:surge ao longo da vida, em pessoas que já falaram da forma correta previamente, e desenvolvem a apraxia em decorrência de algum dano na área cerebral que controla a fala.

Sintomas da apraxia da fala

Indivíduos com apraxia da fala apresentam dificuldade em programar sequências motoras da fala. Alguns dos sinais que podem indicar a apraxia da fala incluem:

  • Bebês quietos, que tentam falar pouco
  • As primeiras palavras como “mamãe” e “papai” aparecem tardiamente (depois de 14 meses)
  • Discrepância entre a compreensão e expressão: a pessoa entende o que dizem a ela, mas tem dificuldade em se expressar.
  • Fala apenas as vogais, apenas as primeiras sílabas ou apenas os sons mais fáceis.
  • Têm mais facilidade para falar palavras curtas, como “oi”, “dá”, mas não conseguem manter a sequencia das sílabas em palavras maiores.
  • Dificuldade para falar as vogais (o som do “É” sai como “A” ou “E”. Ao se referir ao pé, exemplo, pode falar “pa”.
  • Podem ter dificuldade com outras atividades que exigem a articulação dos músculos da boca, como para mastigar alimentos ou encher uma bexiga.
  • A prosódia ou melodia podem ser afetadas, com fala monótona e sempre no mesmo tom.
  • Podem pronunciar a mesma palavra de maneiras diferentes, em diferentes ocasiões. Ela pronuncia a palavra corretamente em um momento, mas volta a ter dificuldade no momento seguinte. Essa inconsistência é um dos principais sinais de apraxia.

As dificuldades acima podem acontecer em intensidades bastante diversas. Em alguns casos ela pode ser leve, não afetando significativamente a capacidade de comunicação, mas em outros pode ter um efeito devastador. Nos casos mais graves, a pessoa pode ser incapaz de emitir qualquer som ou palavra.

Apraxia da fala X afasia X disartria

Afasia, Apraxia da fala e Disartria são três distúrbios neurológicos da comunicação mas com mecanismos fisiopatológicos diferentes.

A apraxia da fala está associada a um problema funcional. Não existe nenhum problema nos músculos e articulações, mas a pessoa não consegue usar essas estruturas de forma coordenada e adequada para a produção dos sons.

No caso da disartria, por outro lado, o problema está justamente nessas estruturas: os músculos usados ​​para a fala (como a língua e os lábios) são fracos ou difíceis de controlar, levando a uma fala arrastada, lenta ou tensa.

Por fim, a afasia está relacionada a um problema linguístico, que pode ser tanto de compreensão como de expressão. Algumas pessoas não conseguem compreender o que o outro está dizendo, enquanto outras não conseguem encontrar as palavras para aquilo que querem expressar.

Quais as causas da Apraxia de fala?

A apraxia da fala pode ser divida em dois grupos:

  • Apraxia de Desenvolvimento:crianças que nunca falaram adequadamente.
  • Apraxia Adquirida:surge ao longo da vida, em pessoas que já falaram da forma correta previamente, e desenvolvem a apraxia em decorrência de algum dano na área cerebral que controla a fala.

Na maioria dos casos, a Apraxia de desenvolvimento é idiopática, sem uma causa específica claramente definida. A criança simplesmente não desenvolveu a habilidade de articular adequadamente os movimentos necessários para a fala.

A apraxia da fala está presente em cerca de 60% das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela é considerada uma comorbidade, ou seja, uma condição que pode ou não estar associada ao autismo.  No entanto, ela é muitas vezes diagnosticada em crianças sem autismo, e nem toda criança com TEA terá apraxia da fala.

A apraxia adquirida, por outro lado, está associada a algum problema cerebral em áreas que participam do processamento motor da fala – incluindo a Área de Broca, córtex pré-motor e regiões frontais inferiores.

Entre os possíveis problemas, incluem-se o Acidente Vascular Cerebral (AVC), Traumatismo Cranioencefálico, tumores cerebrais, doenças neurodegenerativas ou diferentes tipos de cirurgias cerebrais.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da apraxia é estritamente clínico, não dependendo de qualquer exame. Ele se baseia na observação de como a pessoa fala e se comunica, sendo idealmente suportado por protocolos validados de avaliação da fala em seus diferentes aspectos.

Os exames podem ser solicitados não para caracterizar a Apraxia, mas sim para identificar sua causa.

A maioria dos casos de apraxia de fala do desenvolvimento são funcionais, o que significa que não há dano cerebral estrutural e os exames de imagem serão normais.

Nos pacientes com apraxia adquirida, por outro lado, existe uma causa por trás, que deverá ser identificada pelo neurologista ou pelo foniatra. A história clínica ajuda a direcionar quanto às possíveis causas, que poderão ser corroboradas por exames de imagem.

 

Tratamento

A terapia de fala por meio da fonoaudiologia é a base do tratamento da Aprasia da fala. O terapeuta trabalha com seus pacientes para melhorar a coordenação motora da fala por meio de repetição e prática dos movimentos necessários para formar sons e palavras.

Diferentes estratégias poderão ser consideradas a depender da gravidade e das características específicas da fala de cada pessoa. O tempo de tratamento e o prognóstico variam bastante a depender da causa.