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Adenoma Adrenal

O que é um adenoma adrenal?

O adenoma adrenal é um tumor da glândula adrenal, muitas vezes descoberto de forma incidental em exames de imagem realizados por outros motivos — situação conhecida como incidentaloma adrenal.

Na maioria desses casos a lesão é benigna (não é câncer), não produz hormônios, não causa sintomas e não necessita tratamento. Fatores como o tamanho do nódulo, suas características nos exames de imagem e o comportamento hormonal são fundamentais para definir a necessidade de investigação adicional ou tratamento.

Por outro lado, alguns adenomas podem produzir hormônios em excesso, levando a condições como síndrome de Cushing, hiperaldosteronismo ou, mais raramente, hiperandrogenismo. Esses pacientes apresentarão sintomas compatíveis e precisarão ser tratados.

O que é a glândula adrenal?

As glândulas adrenais são dois pequenos órgãos na forma de uma pirâmide, situadas na parte superior de cada rim, de tal forma que o revestem como um manto.
Histologicamente é possível distinguir duas partes completamente distintas:

córtex adrenal
Camada externa da glândula supra renal. O córtex tem cor amarelada devido à presença de colesterol. Ele produz os hormônios aldosterona (que regula o o balanço entre o sódio e o potássio), o cortisol (hormônio envolvido na resposta ao estresse, regula o metabolismo da glicose e da gordura) e os hormônios sexuais (especialmente a testosteriona).

medula adrenal
Produz e secreta os hormônios adrenalina e a noradrenalina. Esses hormônios regulam o sistema nervoso autônomo e controla importantes funções do corpo humano como frequência cardíaca, respiração, digestão, entre outras.

Quais os sintomas dos Adenomas Adrenais?

Os sinais e sintomas do adenoma adrenal depende basicamente do tamanho do tumor (efeito de massa) e de eventuais hormônios produzidos.

A maior parte dos tumores não produzem hormônios, sendo classificados como não funcionantes.  Eles crescem por bastante tempo sem provocar sintomas, até que passem a comprimir estrutiras próximas, geralmente quando maiores do que 4 cm. Os principais sintomas nesses casos incluem dor abdominal ou nas costas, sensação de plenitude/estômago cheio e desconforto local.

Por outro lado, cerca de 15% dos adenomas serão produtores de hormônios, sendo então classificados como funcionantes. Eles provocam sintomas compativeis com o tipo de hormônio que está sendo produzido em excesso.

Por conta dos sintomas, eles geralmente são descobertos mais precocemente e em um tamanho menor, de forma que dificilmente provocarão sintomas por efeito compressivo.

Eles podem ser divididos nos seguintes tipos:

  1. Adenomas produtores de Aldosterona
  2. Adenomas produtores de Cortisol.
  3. Adenomas produtores de andrógenos

Tumor produtor de aldosterona

A aldosterona é um hormônio produzido pela glândula suprarrenal e que atua nos rins, promovendo a retenção de sódio e água na corrente sanguínea e a eliminação de potássio. Com isso, ela aumenta o volume sanguíneo e a pressão arterial.

O excesso de aldosterona causa aumento persistente e de difícil controle da pressão arterial, além de sintomas como sintomas como fadiga constante, dor de cabeça, fraqueza muscular, cãibras, formigamento, sede excessiva e aumento da frequência urinária.

Adenomas produtores de cortisol

O aumento excessivo do cortisol leva à Síndrome de Cushing. O sinal mais prontamente reconhecido da Síndrome é o rápido ganho de peso no rosto (às vezes chamado de “rosto de lua”). Além disso, o acúmulo extra de gordura também acontece no abdômen, parte de trás do pescoço e peito.

Além disso, outras alterações físicas que costumam estar presentes incluem:

  • Sintomas ginecológicos, como Irregularidade menstrual ou ausência de menstruação, diminuição da libido, infertilidade ou crescimento de pelos com padrão masculino em mulheres (hirsutismo).
  • Sintomas musculares e gerais, como perda de massa muscular, fraqueza muscular ou fadiga.
  • Alterações emocionais e cognitivas, incluindo irritabilidade, ansiedade , depressão ou dificuldade de concentração.

 Adenomas produtores de andrógenos

Adenomas Adrenais produtores de andrógenos são menos comuns. Nos homens, eles geralmente não causam sintomas relevantes, uma vez que a produção testicular desses hormônios é muito mais importante, bem como os níveis naturalmente circulantes de testosterona.

Nas mulheres, os sintomas mais comuns incluem aumento de pelos, queda de cabelos, acne, alterações no ciclo menstrual e virilização (aumento dos pelos com padrão masculino).

Diagnóstico do Adenoma Adrenal

O diagnóstico de um adenoma adrenal geralmente envolve uma combinação de avaliação clínica, exames de imagem e exames laboratoriais.

A maior parte dos adenomas não funcionais são descobertos de forma acidental por conta de um exame de imagem feito por motivo não relacionados ao tumor. Na maioria das vezes, as características da lesão nos exames de imagem permitem ao médico acompanhar com segurança o paciente sem a realização de biópsia. Exames laboratoriais podem ser solicitados para avaliar os níveis de hormônios adrenais.

No caso de tumores funcionantes, o diagnóstico geralmente é feito a partir da investigação de sinais e sintomas característicos do excesso de cortisol ou excesso de aldosterona, o que pode envolver tanto as dosagens hormonais como exames de imagem.

Quando uma lesão gera dúvidas em relação ao diagnóstico, uma biópsia poderá ser considerada

Tratamento do adenoma adrenal

O tratamento do adenoma adrenal depende de três fatores principais: produção hormonal, tamanho do tumor e características nos exames de imagem.

Na maioria dos casos, não é necessário tratamento imediato, sendo suficiente o acompanhamento clínico. Em alguns casos uma investigação meis detalhada se faz necessária e uma parte deles exige tratamento com cirurgia.

Quando apenas observar?

A maior parte dos pacientes terá indicação para reavaliação clínica periódica e repetição de exames para acompanhamento, mas sem intervenção.

Essa será uma conduta segura nas seguintes condições:

  • O tumor é não funcional (não produz hormônios)
  • Possui características benignas nos exames de imagem
  • Tamanho menor do que 4 cm
  • Ausência de sintomas relacionados

Quando investigar mais detalhadamente?

Alguns achados exigem uma abordagem mais individualizada e especializada. O acompanhamento mais próximo poderá ser considerado em alguns casos, enquanto outros terão indicação para cirurgia. Enquandram-se nesse grupo pacientes com as seguintes condições:

  • Tumores com 3–4 cm ou mais
  • Características indeterminadas ou atípicas na imagem
  • Suspeita de produção hormonal subclínica
  • Crescimento do nódulo ao longo do tempo

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia (adrenalectomia) é recomendada na presença de sintomas ou quando há maior risco de complicações ou malignidade, incluindo:

  • Adenomas funcionais (produtores de hormônio)
  • Tumores com suspeita de malignidade
  • Lesões geralmente maiores que 4 cm
  • Crescimento progressivo em exames seriados

Cirurgia para Adenoma Adrenal

A cirurgia para Adenoma Adranl, quando indicada, é feita por meio da retirada da glândula adrenal (suprarrenal), procedimento chamado de adrenalectomia.

A cirurgia deve ser feita idealmente por via laparoscópica ou robótica, que oferece uma recuperação muito mais rápida que a cirurgia aberta convencional.

Durante a cirurgia, o cirurgião deve grampear a veia adrenal principal logo no início do procedimento, para evitar que uma grande quantidade de hormônios caia na circulação durante o manuseio.

Por fim, a pressão arterial e a glicemia devem ser cuidadosamente monitorados após a cirurgia. Os hormônios adrenais devem ser monitorados e eventuais reposições poderão ser indicadas.

Como regra geral, o paciente recebe alta hospitalar em 1 a 2 dias; e poderá retornar ao trabalho leve em 10 a 15 dias.