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Abscesso Anal

O que é o abscesso anal?

O abscesso anal, também chamado de abscesso perianal ou anorretal, é uma infecção que leva ao acúmulo de pus nos tecidos ao redor do ânus.

A maioria deles se forma quando pequenas glândulas localizadas no interior do canal anal ficam obstruídas e infectadas por bactérias que normalmente habitam o intestino. Como consequência, ocorre o acúmulo de pus nos tecidos ao redor do ânus, levando à formação do abscesso.

Esse mecanismo, conhecido como infecção criptoglandular, é responsável pela grande maioria dos casos de abscesso anal.

O principal sintoma é uma dor anal intensa e progressiva, frequentemente acompanhada por inchaço, vermelhidão e sensibilidade na região. Em alguns pacientes também podem ocorrer febre, mal-estar e saída de secreção purulenta. Dependendo da profundidade do abscesso, pode ser observada uma massa dolorosa próxima ao ânus ou apenas sintomas mais inespecíficos, dificultando o diagnóstico.

Embora algumas pessoas confundam o abscesso anal com hemorroidas, fissuras anais ou cistos pilonidais, trata-se de uma doença diferente e que geralmente requer tratamento médico específico. Ao contrário de muitas infecções superficiais da pele, os abscessos anais raramente desaparecem apenas com antibióticos e frequentemente necessitam de drenagem para remoção do pus acumulado.

Quando diagnosticado e tratado precocemente, o prognóstico costuma ser excelente. Entretanto, o atraso no tratamento pode favorecer complicações, incluindo a formação de fístulas anais, recorrência da infecção e, em situações mais graves, disseminação da infecção para tecidos vizinhos ou para a corrente sanguínea.

Qual a causa do abscesso anal?

A maioria dos abscessos anais ocorre de forma isolada e sem uma causa identificável além da infecção das glândulas anais. Entretanto, episódios recorrentes ou de difícil tratamento devem motivar uma investigação mais aprofundada para excluir condições associadas, incluindo:

  • Diabetes mellitus;
  • Doença de Crohn;
  • Infecção pelo HIV ou outras condições imunossupressoras;
  • Tabagismo;
  • Obesidade;

Em alguns pacientes, especialmente quando os abscessos são recorrentes, múltiplos ou surgem em locais incomuns, pode existir uma doença subjacente que favoreça a infecção. Entre as principais causas secundárias estão:

  • Doença de Crohn;
  • Tuberculose;
  • Infecções sexualmente transmissíveis;
  • Câncer anal;
  • Radioterapia prévia da pelve.

Sinais e sintomas

O principal sintoma do abscesso anal é uma dor latejante e constante na região anal. A dor geralmente é acompanhada de inchaço na região anal. Ela piora durante as evacuações ou quando o paciente está sentado.

Outros sinais comuns de um abscesso anal incluem:

  • Constipação;
  • Secreção ou sangramento retal;
  • Inchaço ou sensibilidade da pele ao redor do ânus;
  • Febre, fadiga e arrepios.

Dependendo da localização do abscesso (se mais superficial ou mais profundo), um caroço avermelhado na pele pode ou não estar presente.

Sinais de alerta

O abscesso perianal é uma infecção que raramente melhora espontaneamente e, na maioria dos casos, necessita de drenagem para resolução adequada. Por esse motivo, qualquer suspeita de abscesso anal deve ser avaliada por um médico, especialmente quando os sintomas estão piorando.

Alguns sinais merecem atenção especial por indicarem uma infecção mais extensa ou maior risco de complicações:

  • Dor anal intensa e progressiva;
  • Aumento rápido do inchaço ao redor do ânus;
  • Vermelhidão extensa ou endurecimento da pele na região;
  • Febre, calafrios ou sensação de mal-estar geral;
  • Saída espontânea de pus pela pele próxima ao ânus;
  • Dificuldade importante para sentar, caminhar ou evacuar;
  • Dor anal associada a náuseas, fraqueza ou queda do estado geral;
  • Persistência dos sintomas apesar do uso de antibióticos ou analgésicos.

Alguns grupos de pacientes merecem atenção ainda maior, pois apresentam maior risco de evolução grave da infecção. Isso inclui pessoas com diabetes, doença de Crohn, câncer, infecção pelo HIV, uso de medicamentos imunossupressores ou outras condições que enfraqueçam o sistema imunológico.

Fissura Anal Vs. Abscesso perianal

O abscesso anal (ou abscesso perianal) corresponde ao acúmulo de pus decorrente da infecção de glândulas localizadas no interior do canal anal.

Na maioria dos pacientes, uma fissura anal não evolui para abscesso. Aidna assim, alguns casos de fissuras crônicas, profundas ou associadas a infecção podem permitir a entrada de bactérias nos tecidos ao redor do ânus, favorecendo o surgimento de um abscesso.

Esse risco é maior em pessoas com doenças inflamatórias intestinais, especialmente a doença de Crohn, diabetes, imunossupressão ou outras condições que dificultem a cicatrização.

As queixas do paciente ajudam nessa diferenciação. A fissura anal costuma causar dor intensa durante e após a evacuação, frequentemente acompanhada por pequena quantidade de sangue vermelho vivo. Já o abscesso anal provoca dor contínua e progressiva, geralmente associada a inchaço, vermelhidão local, sensação de calor na região e, em alguns casos, febre e mal-estar. Enquanto a dor da fissura tende a piorar ao evacuar, a dor do abscesso costuma permanecer presente mesmo em repouso.

Quando um paciente previamente diagnosticado com fissura anal passa a apresentar piora importante da dor, inchaço ao redor do ânus, saída de secreção purulenta ou febre, deve-se suspeitar da presença de um abscesso associado e procurar avaliação médica rapidamente.

Por fim, algumas doenças podem predispor simultaneamente à ocorrência de fissuras e abscessos anais. A principal delas é a doença de Crohn, que pode causar fissuras atípicas, múltiplas ou recorrentes, além de abscessos e fístulas na região perianal.

Na tabela abaixo, mostramos as principais diferenças entre essas condições:

CaracterísticaFissura analAbscesso anal
O que é?Pequena ferida ou rasgo no revestimento do canal analAcúmulo de pus causado por infecção das glândulas anais
Causa mais comumPassagem de fezes endurecidas, constipação ou trauma localInfecção bacteriana das glândulas do canal anal
Início dos sintomasFrequentemente após evacuação traumáticaGeralmente progressivo ao longo de horas ou dias
Relação com a evacuaçãoDor piora ao evacuarDor geralmente persiste independentemente da evacuação
SangramentoPequena quantidade de sangue vermelho vivo é comumIncomum
Inchaço ao redor do ânusGeralmente ausenteFrequentemente presente
Vermelhidão localIncomumComum
FebreNão ocorrePode ocorrer, especialmente em infecções mais extensas
Secreção purulentaNão ocorrePode ocorrer espontaneamente ou após drenagem do abscesso
Exame físicoPequena fissura ou ferida analMassa dolorosa, quente e avermelhada próxima ao ânus

Abscesso perianal vs. cisto pilonidal

O abscesso perianal e o cisto pilonidal são duas doenças que podem causar dor, vermelhidão e inchaço próximos à região anal.

O abscesso perianal é uma infecção das glândulas localizadas no canal anal, levando ao acúmulo de pus ao redor do ânus. Já o cisto pilonidal é uma inflamação crônica que ocorre na pele da região entre as nádegas, geralmente relacionada à penetração de pelos na pele.

Uma pista importante para diferenciar as duas condições é a localização da dor. O abscesso perianal surge muito próximo ao ânus e costuma causar dor intensa ao sentar, caminhar ou evacuar. Já o cisto pilonidal geralmente aparece alguns centímetros acima do ânus, no sulco entre as nádegas, frequentemente associado à presença de pequenos orifícios na pele ou saída recorrente de secreção.

Na tabela abaixo, mostramos as principais diferenças entre ambas as condições:

CaracterísticaAbscesso perianalCisto pilonidal
O que é?Coleção de pus causada por infecção das glândulas anaisInflamação ou infecção de cistos e trajetos formados por pelos na região glútea
LocalizaçãoAo redor do ânusSulco entre as nádegas, geralmente acima do ânus
Faixa etária mais comumAdultos jovens e de meia-idadeAdolescentes e adultos jovens
Sintoma principalDor anal intensa e contínuaDor e inchaço na região sacrococcígea
Inchaço localComumComum
Vermelhidão da peleFrequenteFrequente durante episódios inflamatórios
FebrePode ocorrerPode ocorrer quando há infecção importante
Secreção purulentaComum após drenagem espontânea ou rupturaPode ocorrer de forma recorrente através de pequenos orifícios na pele
Relação com evacuaçãoA dor geralmente piora ao sentar e pode ser agravada pelas evacuaçõesGeralmente não está relacionada à evacuação
Possibilidade de fístulaRelativamente frequente após o abscessoPode formar trajetos e cavidades crônicas, mas não fístulas anais verdadeiras
Tratamento principalDrenagem cirúrgica do abscessoDrenagem da infecção aguda e, em muitos casos, cirurgia para remoção da doença pilonidal

Como o abscesso anal é diagnosticado?

Abscessos anais superficiais são habitualmente diagnosticados com o exame físico. Um nódulo característico é observado próximo ao ânus, acompanhado de vermelhidão e inchaço.

No caso de um nódulo mais profundo, o abscesso pode ser diagnosticado por meio da visualização da parede do ânus, com um instrumento chamado de anoscópio.

Em alguns casos, o abscesso será visto apenas por meio de exames de imagem, solicitados na presença de sinais clínicos característicos. Os exames mais usados para isso são a tomografia computadorizada, ressonância magnética ou o ultrassom.

Tratamento

O tratamento mais comum é a drenagem do pus da área infectada, especialmente nos abscessos mais superficiais.

O Médico coloproctologista ou cirurgião de aparelho digestivo realiza uma pequena incisão sobre o abscesso, permitindo a saída do pús.

A seguir, o abscesso é deixado aberto para a saída de pús remanescentes. Assim a ferida vai fechando de dentro para fora.

Em casos com abscessos grandes ou mais profundos, poderá ser indicada uma cirurgia com a remoção de todo o abscesso.

Após a drenagem do abscesso, antibióticos podem ou não ser prescritos. Eles são indicados especialmente em pacientes imunodeprimidos ou com abscessos grandes.

Uma dieta laxativa poderá ser recomendada, já que a constipação pode aumentar o esforço da musculatura perianal e dificultar a cicatrização da ferida.

Compressas quentes ou banho de assento podem ser indicados, com o objetivo de reduzir o edema local e facilitar a saída de alguma secreção remanescente.

Complicações

A complicação mais comum é a formação de uma Fístula anal, o que acontece em aproximadamente 50% das pessoas com abscesso anal (1).

As fístulas geralmente se formam entre o canal anal e a pele ao redor.Elas geralmente requerem tratamento cirúrgico.

É possível também que as bactérias atinjam a corrente sanguínea e provoquem uma infecção generalizada. Essa é uma complicação grave que pode até levar a morte. Ela é mais comum em pacientes com alguma forma de imunodepressão.